União de Maricá, UPM e império Serrano farão 'briga boa' pelo título da Série Ouro 2026
As veteranas Porto da Pedra, Estácio e União da Ilha, com bons desfiles, 'correm por fora'. Apuração acontece nessa quinta-feira (19), com transmissão ao vivo pela Band

Após a abertura dos envelopes e o anuncio das campeãs no Grupo Especial, o mundo do samba vai conhecer nessa quinta-feira (19), a partir das 17 horas, a grande vencedora daSérie Ouro. E como na elite, deve-se esperar uma disputa acirrada, por décimos, entre as melhores colocadas. Quinze escolas passaram pela Marquês de Sapucaí entre as noites de 13 e 14. E não há como reconhecer uma ligeira vantagem entre Unidos de Padre Miguel, União de Maricá e Império Serrano. Não deve subestimar a força da Porto da Pedra, União da Ilha e Estácio, que inclusive, já foram da chamada 'elite', e da surpreendente inocentes de Belford Roxo, que cumrpiram bem o seu papel no Carnaval de 2026.

A apuração dos desfiles das escolas de samba da Série Ouro 2026 ocorrerá nesta quinta-feira, às 17h no Novotel RJ Porto Atlântico, na Zona Portuária do Rio, e será transmitida ao vivo pela Band. Mais uma vez, apenas a campeã terá direito a uma vaga de acesso ao Grupo Especial, enquanto as duas últimas serão rebaixadas para a Série Prata, na Indendentes Magalhães. A avaliação será feita por 36 jurados em 9 quesitos.
Leia também:
Comunidade lota quadra da Viradouro em comemoração ao título no Carnaval 2026
Pra Cima deles!: Com a força de Ciça, Viradouro é a grande campeã do Carnaval 2026
Conheça as escolas da Série Ouro, com uma breve análise do que apresentaram:
Unidos de Padre Miguel: A Unidos de Padre Miguel é definitivamente uma escola que não sabe brincar. Depois de um carnaval no Grupo Especial em que entendeu que recebeu um julgamento não lá muito justo, a UPM brindou a Sapucaí com mais um desfile primoroso. Como no ano passado, como em 2024, quando subiu, é certo que o Boi Vermelho, salvas raras exceções, é uma escola que faz desfile sempre de nível de Grupo Especial. Seja com mais ou menos componentes, seja com mais ou menos alegorias, a qualidade que vem é de excelência. E o que se viu em mais este carnaval foi isso: comissão de frente de alto nível, casal em alta consciência rítmica, desbunde na qualidade das fantasias, alegorias impactantes, samba na boca do público e uma comunidade aguerrida que canta e brinca carnaval como se estivesse no quintal da Vintém. De fato, o lugar da UPM não é nesse grupo.

Império Serrano: Sempre que a Serrinha desponta na Avenida, há sempre uma coisa diferente que mexe com o público. E, quando a escola honra as suas raízes ao fazer homenagens a personalidades negras, e principalmente do sexo feminino, já se sabe que, no mínimo, vai emocionar a Avenida. Ela tem o dom. E, neste desfile de 2026, mais uma vez tocou o coração do imperiano e do sambista em geral. Homenagem importante e necessária. Além disso, o carnavalesco Renato Esteves apresentou uma estética pertinente, diferente, fora do óbvio, mas com alguns pequenos problemas de acabamento, tanto nas fantasias quanto nas alegorias. Apesar do bom canto da comunidade, o samba não pegou com o público, o que acabou trazendo também uma evolução mais arrastada.

União de Maricá: A caçula da Série Ouro pisou na Sapucaí, em seu terceiro desfile no grupo, mais uma vez se postulando fortemente ao título. Com plástica de Grupo Especial, musicalidade de excelência e força nos quesitos de chão, a Vermelha e Branca da Região dos Lagos ouvia gritos das frisas e arquibancadas de “vai subir”. Com comissão e casal tendo ótimo rendimento e boa resposta do público, evolução sem intercorrências e canto satisfatório da comunidade, a Maricá tem tudo para brigar décimo a décimo pelo título. Começará a apuração com menos 0,2 por ter estourado o tempo do desfile.

Inocentes de Belford Roxo: A Inocentes de Belford Roxo levou para a Marquês de Sapucaí um dos enredos mais inusitados da temporada. Segunda escola da noite, a agremiação da Baixada Fluminense apostou no improvável sob o título “O Sonho de Um Pagode Russo Nos Frevos do Meu Pernambuco”, criação do carnavalesco Edson Pereira. O resultado foi um desfile criativo, tecnicamente equilibrado e com bons momentos plásticos, especialmente na comissão de frente e na harmonia. Entre os pontos de atenção estiveram um espaço aberto pela ala de passistas antes do módulo 3 e falhas de acabamento em parte das fantasias.
Estácio: A Estácio de Sá, quinta agremiação a cruzar a Passarela do Samba neste sábado de crnaval, entregou uma apresentação vigorosa e espiritualmente densa na Série Ouro. Com o enredo “O Papa Negro: Tata Tancredo e o Fundamento do Omolokô”, desenvolvido pelo carnavalesco Marcus Paulo, a vermelho e branco mergulhou nas raízes do Morro de São Carlos para contar a trajetória de Tancredo Silva. O desfile foi uma demonstração de força da comunidade, aliando um visual tecnicamente consistente a uma harmonia que ecoou como um verdadeiro manifesto de fé e resistência.

União da Ilha: A União da Ilha do Governador cruzou a Marquês de Sapucaí como a sexta agremiação da primeira noite de desfiles. Com o enredo “Viva o hoje! O amanhã? Fica pra depois!”, desenvolvido pelo carnavalesco Marcus Ferreira, a escola não apenas apresentou um tema; ela propôs um manifesto contra a ansiedade dos novos tempos, buscando no brilho dos astros e na força do subúrbio a justificativa para a celebração imediata. A agremiação entregou um conjunto plástico criativo, coroado por uma comissão de frente teatral e um casal de mestre-sala e porta-bandeira que flutuou em tons de prata.
Em Cima da Hora: A Em Cima da Hora teve um começo muito impressionante. Esteticamente, com comissão, casal, primeira ala e abre-alas bem alinhados na parte plástica, a escola prometia bastante. A ótima apresentação de Márcio Moura ajudou também e o samba colocou fogo na Sapucaí. Parecia que viria um desfile histórico para a escola, que já passou inclusive pelo Grupo Especial há muitos anos. Porém, problemas na pista e no que vinha depois acabaram atrapalhando o desfile. Após dificuldades com a entrada da segunda alegoria, a escola abriu buraco no primeiro módulo, ficou muito tempo parada e teve que correr do meio para o final. Na entrada da bateria no segundo recuo, também houve problemas de buraco na pista. O samba foi a grande estrela da noite; este se manteve forte o tempo todo, com ótima resposta do público.

Porto da Pedra: Sendo a penúltima escola a desfilar no último dia da Série Ouro, o Tigre de São Gonçalo rugiu a favor das “mulheres da vida”. Com um excelente desempenho do carro de som, um casal correto e uma plástica modesta, a Porto da Pedra fez um bom desfile. Com o enredo “Das Mais Antigas da Vida, o Doce e Amargo Beijo da Noite” do carnavalesco Mauro Quintaes, a Porto da Pedra trouxe a figura da prostituta como tema central para um debate na Sapucaí.

União do Parque Acari: A União do Parque Acari trouxe para a Sapucaí um enredo cultural, importante e com forte valorização da cultura afro-brasileira, algo bastante característico na carreira do carnavalesco Guilherme Estevão. Com alegorias e fantasias de muito bom gosto, coloridas e com materiais de qualidade, o artista defendeu bem a história e o legado do grupo de teatro Brasiliana, mostrando a prometida evolução da escola, que no carnaval passado já contou com o talento do artista. Com destaque também para a comissão, que, de forma simples, mas com qualidade estética e performática, sintetizou bem o enredo, e o primeiro casal, que pisou com firmeza na Sapucaí, com coreografia mais clássica, mas com um bailado eficiente. Nos quesitos de chão, porém, a escola ficou abaixo, devendo no canto e na evolução, um pouco morna, faltando mais energia e espontaneidade.
Arranco: O Arranco do Engenho de Dentro, terceira agremiação a cruzar o Sambódromo da Marquês de Sapucaí neste sábado de carnaval, apresentou um dos projetos mais lúdicos e necessários da Série Ouro: “A Gargalhada é o Xamego da Vida!”. A carnavalesca Annik Salmon não se limitou a uma biografia linear de Maria Eliza, como construiu uma crônica visual sobre o direito ao riso da população negra, elevando a figura da Palhaça Xamego ao status de baluarte da cultura popular brasileira em um desfile marcado pelo equilíbrio entre técnica e explosão emocional.

Unidos da Ponte: A Unidos da Ponte encerrou o Carnaval da Série Ouro sendo, de fato, a única escola do grupo a desfilar na totalidade do seu desfile com o dia já claro. Ficou claro que, se a agremiação pudesse contar com o recurso da luz cênica, poderia abrilhantar ainda mais alguns elementos do desfile. Porém, a Azul e Branca de São João de Meriti apresentou uma proposta leve para retratar a relação do funk com a ancestralidade, encontrando em sua paleta de cores e em suas fantasias e alegorias recursos para aproveitar a luz do sol.
Vigário Geral: A Vigário Geral pisou na Sapucaí com muita criatividade, trazendo um enredo diferente, satírico, baseado em ideia criativa dos carnavalescos Alex Carvalho e Caio Cidrini. Com estética criativa, uso de materiais diferentes, soluções estéticas inovadoras e carros grandiosos, a dupla ousou na ideia, mas pecou um pouco na leitura e no encadeamento da história, que não ficou muito clara para o público. O início, com a caravela e o mar, até dava bom entendimento, mas, a partir da metade do desfile, a história e a proposta não se traduziram nas fantasias de forma clara. Apesar de um bom rendimento do samba, a comunidade cantou pouco. Comissão e casal tiveram pequenas questões que podem não influenciar tanto na nota. A evolução também não foi perfeita, mas o carro de som, comandado por Danilo Cezar, deu show.

Unidos de Bangu: Sendo a 4ª escola da noite a desfilar na primeira noite de desfiles da Série Ouro, a Unidos de Bangu, com o enredo “As coisas que mamãe me ensinou”, homenageou a trajetória de Leci Brandão na música, na política, na Mangueira e no ativismo. Com uma comissão didática e segura e um casal tecnicamente consistente e elegante, a Bangu deixa a Sapucaí com credenciais para pleitear boa colocação na apuração de quinta-feira. A escola terminou o esfile com 56 minutos, 1 minuto além do máximo permitido, e, será penalizada na apuração.
Botafogo Samba Clube: Abrir a noite na Sapucaí é assumir o peso da primeira impressão. A Botafogo Samba Clube, em seu segundo ano na Avenida, encarou a responsabilidade com um desfile plasticamente exuberante e uma comissão de frente surpreendente. Com o enredo “O Brasil que floresceu em arte”, de autoria dos carnavalescos Raphael Torres e Alexandre Rangel, a escola alvinegra apresentou uma homenagem ao paisagista, autor da clássica calçada da Avenida Atlântica, em Copacabana.

Jacarezinho: No reencontro com a Marquês de Sapucaí, após 13 anos longe, a Unidos do Jacarezinho abriu os trabalhos nesta sexta-feira de desfiles da Série Ouro. Com uma comissão de frente modesta, mas competente, e um casal bem aguerrido, a Rosa e Branco encontrou dificuldades nos demais quesitos. O desfile terminou com 57 minutos, dois além do tempo permitido e a escola sofrerá penalização.