Com desfiles de encher os olhos, Vila entra na briga pelo título com Viradouro e Beija Flor
Apuração começa daqui a pouco, às 16h, com transmissão ao Vivo. Mangueira e Grande Rio também sonham com Desfile das Campeãs

Em matéria de Carnaval no Grupo Especial do Rio de Janeiro, a edição de 2026 promete entrar para a história como uma das mais acirradas pelo título, nos últimos tempos, na Marquês de Sapucaí. Após três noites de espetáculo intenso, a sensação é de que o título está aberto — mas com claras projeções para a Unidos de Vila Isabel, no terceiro dia, e Viradouro e Beija-Flor, no segundo. aS Três elevaram o sarrafo, com apresentações arrebatadoras, visualmente impactantes e tecnicamente seguras. Completam o chamado “G-5” a Mangueira e Acadêmicos do Grande Rio, também bastante elogiadas pela crítica especializada.

Nos dois primeiros dias de desfiles, o público assistiu a uma sequência de apresentações de alto nível técnico e artístico. A Imperatriz Leopoldinense apostou na sofisticação plástica e em um desfile de leitura clara, enquanto a Portela reafirmou sua tradição com forte presença musical, mas esbarrou em problemas provocados por um problema na estrutura de locomoção do último carro.

A Mangueira emocionou com enredo de apelo popular, sustentado por um samba potente. Já a Viradouro confirmou o favoritismo construído no pré-Carnaval com acabamento luxuoso e evolução precisa. A Beija-Flor mostrou a força de sua comunidade e um conjunto impactante, enquanto a Mocidade Independente de Padre Miguel levou inovação estética à Avenida.
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A Unidos da Tijuca manteve seu padrão de criatividade cênica, e a Acadêmicos de Niterói defendeu seu projeto com garra, compondo um cenário de equilíbrio, mas não se pode dizer que sua presença no Grupo Especial é certa, já que trouxe uma estutura menor do que as co-irmãs, acostumadas a desfilarem na chamada 'elite'.
Análise do terceiro dia de desfiles
Paraíso do Tuiuti - Abrindo a terceira e última noite, o Tuiuti entrou na Avenida sonhando com o retorno ao Desfile das Campeãs, repetindo o feito histórico de 2018. Com orçamento visivelmente inferior ao de boa parte das coirmãs — perceptível sobretudo no acabamento do conjunto plástico — a escola passou sem sobressaltos e defendeu com categoria um belo enredo e um samba de fácil assimilação. O grande destaque foi o intérprete Pixule, confirmando por que é considerado um dos melhores do Grupo Especial. Coesa e consciente de seus limites, a agremiação fez um desfile digno e competitivo.

Vila Isabel - Colorida, rica e vibrante, a azul e branca de Noel confirmou o favoritismo do pré-Carnaval com uma das maiores exibições de sua história recente. Alto investimento, carnavalescos em plena sintonia — Leonardo Bora e Gabriel Haddad — setores sólidos na defesa dos quesitos, bateria pulsante e um dos sambas mais aclamados do ano. A Vila apresentou um espetáculo do início ao fim, combinando impacto visual, narrativa clara e forte adesão popular. É, sem dúvida, uma das candidatas mais consistentes ao título de 2026.

Grande Rio - Ainda engasgada com o vice-campeonato do ano passado, a Grande Rio foi a penúltima a desfilar. A “revolução” anunciada não se concretizou plenamente. Apesar de uma abertura de forte impacto visual, a escola não empolgou como se esperava na noite decisiva. Apostando no Manguebeat — movimento cultural surgido em Recife há cerca de 25 anos — construiu uma narrativa baseada na metáfora do mangue como espaço de resistência e fertilidade criativa. As fantasias dialogaram com a estética da lama e da efervescência cultural nordestina. Houve coerência conceitual e bom acabamento, mas faltou aquele arrebatamento que costuma decidir campeonatos.

Salgueiro - Fechando o Carnaval 2026 na Sapucaí, o Salgueiro chegou cercado por expectativas de um dos desfiles mais luxuosos dos últimos anos, impulsionado por investimentos robustos de seu patrono. E correspondeu. Sob a assinatura do carnavalesco Jorge Silveira, a vermelho e branco apresentou o enredo “A delirante jornada carnavalesca da professora que não tinha medo de bruxa, de bacalhau e nem do pirata da pena-de-pau”, homenagem à inesquecível Rosa Magalhães. O desfile foi vibrante, teatral e visualmente exuberante, combinando irreverência e emoção. Encerramento à altura da tradição salgueirense e da grandiosidade do Grupo Especial.
