Viradouro, arrebatadora e Beija Flor, exuberante, se destacam na Sapucaí
Com homenagens à Rita Lee e à Carolina Maria de Jesus, Mocidade e Tijuca também marcaram presença, na segunda noite de desfiles no Grupo Especial

A segundo noite de desfiles do Grupo Especial na Marquês de Sapucaí, no Carnaval 2026 foi marcada por apresentações consistentes, momentos de forte emoção e homenagens que tocaram o público do início ao fim. Entre destaques técnicos e artísticos, Mocidade Independente de Padre Miguel, Beija-Flor de Nilópolis, Unidos do Viradouro e Unidos da Tijuca protagonizaram uma sequência intensa de desfiles.
Mas pode-se dizer, que no conjunto da obra, Viradouro, arrebatadora no desfile em homenagem ao mestre Ciça, e a Beija Flor - exuberante, grandiosa e melhor ainda do que no ano do campeonato - 'carimbararam' o passaporte rumo ao Desfile das campeãs, no próximo sábado (21). Tuiuti, Vila Isabel, Grande Rio e Salgueiro, 'veteranas de Sapucaí', sendo as três últimas com títulos conquistados na elite, prometem grandes apresentações, axrescentando mais emoções ao Carnaval que já apontado como um dos maiores da história no Rio de Janeiro.
Mocidade - Abrindo a noite, a Mocidade apresentou o enredo “Rita Lee – Mania de Você”, em homenagem à cantora Rita Lee. O trabalho desenvolvido pelo carnavalesco Renato Lage trouxe uma leitura clássica e bem estruturada, com destaque especial para a abertura.
Leia também:
Viradouro emociona a Sapucaí com homenagem à lenda viva Mestre Ciça
Carnaval gera intensa movimentação no Parque RJ, no Boavista, em SG

A comissão de frente mergulhou no clima lisérgico das décadas de 1960 e 1970, revisitando o período de Rita nos Os Mutantes. A estética psicodélica deu o tom do início do desfile, que seguiu com bons momentos ao longo da avenida.
Um dos pontos mais altos foi o canto da escola. Mesmo sem um samba que explodisse de imediato na Sapucaí, a Mocidade mostrou sua tradicional força de evolução e empolgação, sustentando o desfile com intensidade do começo ao fim.
Beija Flor - A Beija-Flor apresentou o enredo “O Mercado do Bem-Estar”, desenvolvido pelo carnavalesco João Vitor Araújo. O resultado foi um desfile visualmente impactante, com fantasias e alegorias que chamaram a atenção pelo acabamento e pela imponência.

A escola de Nilópolis entregou um espetáculo considerado por muitos até mais bonito do que o desfile do Carnaval de 2025, quando conquistou o título. A apresentação já a credencia como forte candidata ao bicampeonato.
O samba foi bem defendido por seus intérpretes e sustentado por uma comunidade que cantou com vigor, garantindo unidade e energia ao longo de toda a apresentação.
Viradouro - A passagem da Viradouro com o enredo “Cissa, a Mestra do Samba” foi tão arrebatadora quanto a da Beija-Flor — ou até mais em termos emocionais. A homenagem à mestre Cissa tocou o coração dos sambistas e provocou arrepios na Sapucaí.

A comissão de frente já iniciou em tom impactante, preparando o público para uma sucessão de momentos marcantes. Entre eles, a presença de Dominguinhos do Estácio no “trenzinho caipira”, além de destaques nos carros alegóricos que exaltaram mestres da cultura popular.

O encerramento, com a representação de Cissa regendo sua orquestra, foi um dos ápices da noite. Um desfile belo, bem contado e emocionalmente potente, daqueles que fazem o público esperar o ano inteiro para viver.
Unidos da Tijuca - Encerrar a noite depois de um desfile arrebatador como o da Viradouro não era tarefa simples. Ainda assim, a Unidos da Tijuca conseguiu se impor com o enredo “Carolina Maria de Jesus – Vozes do Brasil Invisível”, exaltando a trajetória da escritora Carolina Maria de Jesus.

A escola entregou uma homenagem respeitosa e grandiosa, consagrando Carolina no maior palco do Carnaval brasileiro. O samba-enredo funcionou muito bem na avenida, especialmente na voz de Marquinho Art'Samba.
Outro grande destaque foi a bateria do mestre Casagrande, a “Pura Cadência”, que teve desempenho seguro e vibrante, sustentando o ritmo e a energia do desfile até o último setor.
A noite reafirmou o alto nível do Carnaval carioca, com escolas apostando em enredos afetivos, crítica social e celebração cultural — combinação que já garante mais emoção e disputa acirrada pelo título.