Morre Tânia Rodrigues, pioneira na luta pelos direitos das pessoas com deficiência e coordenadora de acessibilidade do município de Niterói
Médica, ex-vereadora e ex-deputada estadual, Tânia deixa um legado de quatro décadas dedicadas à luta pelos direitos das pessoas com deficiência e à construção de políticas públicas inclusivas

Morreu na manhã desta quarta-feira (11), aos 75 anos, Tânia Rodrigues, Coordenadora de Acessibilidade do município de Niterói e uma das maiores lideranças na luta pelos direitos e inclusão das pessoas com deficiência. Tânia teve sua trajetória marcada pela atuação política e pela defesa dos direitos das pessoas com deficiência no Estado do Rio. Ex-vereadora de Niterói e ex-deputada estadual, Tânia é também fundadora da Associação Niteroiense dos Deficientes Físicos (Andef).
Segundo o Conselho Municipal da Pessoa com Deficiência de Niterói, a morte de Tânia deixa um legado, mas também evidencia desafios para a continuidade das políticas de acessibilidade.
A causa da morte não foi divulgada pela família. O velório e sepultamento de Tânia Rodrigues será realizado nesta quinta-feira (12), das 10h às 12h, no cemitério Parque da Colina, em Pendotiba.
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Fundação da Andef
Em 1981, no Ano Internacional das Pessoas com Deficiência, Tânia participou de um congresso em Recife e, diante da necessidade de uma organização voltada à inclusão, fundou com amigos a Associação Niteroiense dos Deficientes Físicos (Andef), em 31 de agosto. A entidade se tornaria uma das maiores organizações de pessoas com deficiência do Brasil, com milhares de beneficiados por programas de emprego e formação profissional em parceria com a Fundação de Apoio à Escola Técnica.
Tânia também integrou conselhos e entidades nacionais ligadas ao tema e participou da consolidação do movimento das pessoas com deficiência no Estado do Rio. À frente da Andef, apoiou iniciativas que fortaleceram o esporte paralímpico, incluindo suporte inicial ao Comitê Paralímpico Brasileiro.
Atuação parlamentar
Na política, Tânia Rodrigues foi vereadora de Niterói entre 1992 e 1994 e deputada estadual de 1995 a 2002. Presidiu a Comissão de Saúde da Assembleia Legislativa do Rio de Janeiro (Alerj) e participou de investigações que resultaram em denúncias sobre irregularidades em bancos de sangue e hemocentros do estado, apontando falhas em testes e riscos de contaminação.
Durante o mandato, apresentou e aprovou leis voltadas à cidadania e à inclusão. Entre elas, a Lei 2.418/1995, que tornou obrigatório o uso do cinto de segurança no Estado do Rio; a Lei 3.364/2000, que instituiu a meia-entrada para jovens até 25 anos; a Lei 4.047/2002, que definiu a pessoa idosa a partir dos 60 anos para efeitos legais; e a criação do Dia Estadual de Luta da Pessoa Portadora de Deficiência.