“Não deu tempo de reagir”, diz marido de ambulante morta após queda de andaime em Copacabana
Venezuelana trabalhava no momento do acidente; tragédia ocorreu em uma das áreas mais movimentadas da Zona Sul

A ambulante venezuelana Betty Louella Ford Moreno morreu após ser atingida pela queda de um andaime na manhã deste sábado, em Copacabana, Zona Sul do Rio. Ela trabalhava no local quando a estrutura metálica desabou repentinamente. O marido da vítima, Abraham Diaz, estava ao lado dela no momento do acidente e relatou que conseguiu sair a tempo, mas Betty não teve chance de escapar.
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“Foi tudo muito rápido. Eu estava ao lado dela quando percebi que o andaime estava caindo. Consegui sair, mas ela não”, contou o viúvo, visivelmente abalado. Ele descreveu a esposa como uma mulher alegre, solidária e muito querida por quem a conhecia. “Ela sempre gostou de ajudar as pessoas, resolver problemas, estava sempre sorrindo”, disse.
Abraham esteve com familiares no Instituto Médico Legal (IML) do Centro do Rio, na manhã deste domingo (8), para a liberação do corpo. No local, ele explicou que a barraca onde o casal vendia souvenirs, cangas e outros produtos costuma ficar cheia, especialmente por conta do movimento intenso do período de Carnaval. Segundo ele, por sorte, não havia clientes no momento da queda.
“Pouco antes, a gente estava atendendo um turista colombiano. Eram três mulheres e um menino. Depois que eles foram embora, aconteceu o acidente. Se tivesse sido naquele momento, não seria só ela. Poderia ter atingido turistas também”, afirmou.
De acordo com o viúvo, o andaime estava montado na calçada havia cerca de quatro meses. Ele relatou que chegou a questionar os responsáveis pela obra sobre a retirada da estrutura. “Disseram que iriam desmontar apenas uma parte, perto da banca de jornal, e que a obra continuaria na frente da rua. O andaime ficou ali”, contou.
Ainda segundo Abraham, Betty chegou a comentar que a retirada da estrutura facilitaria a passagem de pedestres. “Ela dizia que atrapalhava muito, ficava muito perto da barraca”, relatou.
Um amigo da família, André Oliveira, de 46 anos, afirmou que conhece o casal desde que eles chegaram ao Brasil, há cerca de oito anos. “Ela tinha uma alegria contagiante. Todo mundo gostava dela. Estamos muito chocados com o que aconteceu”, disse. Para ele, o acidente poderia ter tido proporções ainda maiores. “Copacabana é sempre cheia. Poderia ter machucado muitas pessoas”, completou.
André também relatou que Betty estava sentada no momento da queda. “O andaime caiu de uma vez. O marido conseguiu correr, mas ela estava mais baixa e não teve como se levantar. A estrutura caiu toda em cima dela”, afirmou.
A família agora tenta viabilizar os trâmites para a cremação. Até o momento, não há informações sobre velório. Na manhã deste domingo (8), a esquina da Rua Constante Ramos com a Avenida Nossa Senhora de Copacabana, que chegou a ser interditada, foi liberada, e não há mais andaimes no local.
Relembre o caso
O Corpo de Bombeiros foi acionado por volta das 10h40. Além da morte de Betty, um homem ficou ferido e foi encaminhado ao Hospital Municipal Miguel Couto, na Gávea, onde recebeu atendimento e teve alta ainda no domingo. Imagens que circulam nas redes sociais mostram os destroços deixados pela queda da estrutura metálica, que estaria ligada a uma obra em uma unidade da rede Drogasmil localizada na esquina das vias.