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Tetraplégico, morador de Itaboraí enfrenta dificuldades para receber benefícios e materiais básicos pelo SUS

Além da luta diária pela recuperação, Anderson enfrenta uma batalha burocrática para ter acesso a benefícios sociais e a materiais essenciais pelo SUS

relogio min de leitura | Escrito por Aretha Dossares com edição de Sérgio Soares | 08 de fevereiro de 2026 - 15:28
Hoje, mais de um ano após a lesão, Anderson já consegue sentar praticamente sozinho na cama, tem controle de tronco, movimenta alguns dedos dos pés com muito esforço
Hoje, mais de um ano após a lesão, Anderson já consegue sentar praticamente sozinho na cama, tem controle de tronco, movimenta alguns dedos dos pés com muito esforço -

Tetraplégico após um grave acidente em dezembro de 2025, Anderson Albuquerque dos Santos, 37, enfrenta uma sequência de perdas e dificuldades desde então. Depois de meses internado em hospitais de Maricá e do Rio de Janeiro, ele só recebeu alta neste mês de fevereiro. Sem condições de trabalhar, antes sustentava-se com um depósito de água e gás, perdeu a casa alugada onde morava em Maricá e precisou se mudar para a residência da mãe, em Itaboraí. Mesmo assim, o pedido do Benefício de Prestação Continuada (BPC/Loas), feito por meio de seu advogado, foi negado, já que Anderson não compareceu à perícia médica por ainda estar internado em estado grave.


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Mesmo com acompanhamento médico domiciliar oferecido pela prefeitura, o atendimento é incompleto. “O médico vem, troca a sonda, faz o atendimento. Isso eu não posso negar. Mas os materiais básicos não têm. Se eu não comprar, não tem curativo, não tem tratamento”, relata.

“O médico vem, troca a sonda, faz o atendimento. Isso eu não posso negar. Mas os materiais básicos não têm. Se eu não comprar, não tem curativo, não tem tratamento”
“O médico vem, troca a sonda, faz o atendimento. Isso eu não posso negar. Mas os materiais básicos não têm. Se eu não comprar, não tem curativo, não tem tratamento” |  Foto: Layla Mussi

Itens indispensáveis, como o PHMB, usado na prevenção de infecções, geram custos elevados. “Gastei mais de 200 reais só com esse produto. E isso é toda semana”, afirma Anderson, que não tem renda fixa.

Benefício negado por exigência de perícia presencial

Diante da impossibilidade de trabalhar, Anderson solicitou o Benefício de Prestação Continuada (BPC/Loas), por meio de seu advogado Márcio Vieira. No entanto, o pedido vem sendo negado, porque o órgão responsável exige que ele compareça presencialmente ao local da perícia, apesar de sua condição de tetraplegia.

A situação se agravou porque, quando Anderson foi convocado para a avaliação, ele estava internado em estado grave no hospital, sem condições clínicas de locomoção. Mesmo assim, a ausência foi registrada e utilizada como justificativa para o indeferimento do benefício.

O advogado de Anderson solicitou formalmente que a perícia seja realizada em domicílio, como previsto em casos de pacientes acamados ou com limitações severas de mobilidade, mas até o momento o pedido não foi atendido.
O advogado de Anderson solicitou formalmente que a perícia seja realizada em domicílio, como previsto em casos de pacientes acamados ou com limitações severas de mobilidade, mas até o momento o pedido não foi atendido. |  Foto: Layla Mussi

O advogado de Anderson solicitou formalmente que a perícia seja realizada em domicílio, como previsto em casos de pacientes acamados ou com limitações severas de mobilidade, mas até o momento o pedido não foi atendido.

“A gente não está pedindo privilégio. Está pedindo o mínimo. Eu sou tetraplégico, não consigo sair de casa. Querem que eu vá até lá para provar que eu não ando”, desabafa.

Rotina pesada e desgaste familiar

A mãe de Anderson, Joana, de 64 anos, é quem cuida dele diariamente. Ela relata o desgaste físico e emocional. “Tenho que trocar, limpar, virar ele na cama, puxar o lençol. Meus braços doem. É muito pesado”, conta.

Imagem ilustrativa da imagem Tetraplégico, morador de Itaboraí enfrenta dificuldades para receber benefícios e materiais básicos pelo SUS

Além da sobrecarga física, a família enfrenta dificuldades financeiras. “Tudo é gasto. Fralda, material, remédio, transporte. E a ajuda não chega”, diz Joana, emocionada. “Foi o pior ano da minha vida. Eu sinto como se ele tivesse nascido de novo.”

Enquanto aguarda uma resposta do poder público, Anderson segue dependendo da mãe e de doações para manter o tratamento. “O básico para eu sobreviver hoje é caro. E o básico deveria ser garantido”, conclui.

Em nota, o Instituto Nacional do Seguro Social (INSS) esclareceu que, para a realização de atendimento domiciliar ou hospitalar:

" O INSS informa que para que o atendimento domiciliar ou hospitalar de Avaliação Social ou de Perícia Médica seja realizado, é necessário que um familiar ou o representante legal compareça à agência, na data agendada, com a documentação médica que comprove a impossibilidade de locomoção do cidadão. Em consulta ao sistema, não foi identificado o comparecimento de nenhum familiar e nem do representante legal do senhor Anderson Albuquerque dos Santos para a entrega da documentação médica no dia da avaliação social. Assim, diante dessa ausência, o sistema indefere automaticamente o benefício por não comparecimento."

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