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Paciente tetraplégico de Itaboraí entra na fila de tratamento revolucionário desenvolvido por cientista da Fiocruz

Anderson teve a medula atingida entre as vértebras C4 e T3

relogio min de leitura | Escrito por Aretha Dossares com edição de Cyntia Fonseca | 06 de fevereiro de 2026 - 13:59
Hoje, mais de um ano após a lesão, Anderson já consegue sentar praticamente sozinho na cama, tem controle de tronco e movimenta alguns dedos dos pés com muito esforço
Hoje, mais de um ano após a lesão, Anderson já consegue sentar praticamente sozinho na cama, tem controle de tronco e movimenta alguns dedos dos pés com muito esforço -

Anderson Albuquerque dos Santos, de 37 anos, vive uma espera que mistura fé, esperança e ciência. Tetraplégico após um grave acidente sofrido em 30 de dezembro de 2024, ele está inscrito como voluntário na fila de um tratamento experimental considerado revolucionário, desenvolvido por uma cientista da Fiocruz e que pode, no futuro, ser oferecido pelo SUS.

Pai de três filhos, de 15, 8 e 4 anos, Anderson teve a medula atingida entre as vértebras C4 e T3. O prognóstico inicial era devastador. “O médico disse que eu ficaria em estado vegetativo, que no máximo mexeria a boca”, relembra. Contra todas as expectativas, ele começou a apresentar movimentos dias depois do acidente.


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Imagem ilustrativa da imagem Paciente tetraplégico de Itaboraí entra na fila de tratamento revolucionário desenvolvido por cientista da Fiocruz

Hoje, mais de um ano após a lesão, Anderson já consegue sentar praticamente sozinho na cama, tem controle de tronco, movimenta alguns dedos dos pés com muito esforço . “São vitórias, vitórias. Primeiramente Deus, porque é um milagre”, afirma.

A esperança agora está depositada na polilaminina, uma proteína extraída da placenta, estudada há mais de 20 anos pela pesquisadora Tatiana Coelho de Sampaio, professora do Instituto de Ciências Biomédicas da Universidade Federal do Rio de Janeiro (UFRJ), em parceria com a farmacêutica Cristália. A substância atua na recondução das conexões da medula espinhal rompidas após o trauma, estimulando a regeneração neural.

O tratamento, ainda em fase de estudo clínico, é atualmente indicado para pacientes em fase aguda, inicialmente até 72 horas após o acidente, prazo que foi ampliado para até 90 dias. Anderson, no entanto, está fora desse perfil, já que sua lesão é considerada crônica.

Imagem ilustrativa da imagem Paciente tetraplégico de Itaboraí entra na fila de tratamento revolucionário desenvolvido por cientista da Fiocruz

“Mesmo assim, ele apresenta evolução acima do esperado. A lesão dele é incompleta, o que pode torná-lo elegível para o tratamento em uma próxima fase”, explica um dos representantes que acompanham o caso. Testes recentes em animais e os primeiros estudos com pacientes crônicos reacenderam a esperança de quem, como Anderson, aguarda uma chance.

Enquanto isso, ele segue cadastrado como voluntário, acompanhando cada novidade da pesquisa. “A gente não quer passar na frente de ninguém. Só quer uma oportunidade”, diz.

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