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Liga RJ faz denuncias contra Liesa na Alerj e promete ir também ao MP

O foco, segundo os denunciantes, estaria no atual modelo de organização do Carnaval 2026, que envolveria desde a venda casada de camarotes até restrições de acesso ao Sambódromo, entre outras arbitrariedades

relogio min de leitura | Escrito por Redação | 27 de janeiro de 2026 - 18:43
Representantes das ligas fizeram protesto e Alerj irá investigar denúncias
Representantes das ligas fizeram protesto e Alerj irá investigar denúncias -

Faltando pouco mais de duas semanas para o Carnaval 2026, 'azedou de vez' o clima entre as ligas que coordenam e administram os desfiles das escolas de samba nos Grupo Especial e na Série Ouro. A direção da Liga RJ, entidade que representa as escolas de samba da Série Ouro e do Grupo de Acesso, decidiu formalizar uma denúncia na Comissão de Defesa do Consumidor da Assembleia Legislativa do Rio (Alerj).

O foco, segundo os denunciantes, estaria no atual modelo de organização do Carnaval 2026, que envolveria desde a venda casada de camarotes até restrições de acesso ao Sambódromo e a exclusividade para comercialização de uma única marca de cerveja dentro de um espaço público.

A denúncia foi recebida pelo deputado estadual Dionísio Lins, vice-presidente da comissão, que anunciou a intenção de ouvir tanto a Liesa quanto a Riotur sobre os critérios adotados para a operação dos desfiles. Segundo o parlamentar, a proximidade do Carnaval amplia a gravidade do cenário. Para ele, a falta de clareza sobre credenciamento e circulação na Sapucaí gera insegurança não apenas para as escolas da Série Ouro, mas para todo o universo do samba.


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Dionísio Lins defende que a Riotur cobre da Liesa explicações, sobretudo diante de um modelo que, segundo ele, passou a credenciar pessoas sem qualquer vínculo com o desfile, enquanto afasta quem efetivamente trabalha na construção do espetáculo.

O descontentamento da Liga RJ não se limita ao acesso ao Sambódromo. As escolas também apontam ausência de garantias para a realização dos ensaios técnicos, o que comprometeria a preparação das agremiações, além da exploração de camarotes e espaços publicitários sem repasse proporcional de recursos às escolas da Série Ouro. O parlamentar afirmou ainda que, caso as respostas não sejam satisfatórias, pretende levar o caso ao Ministério Público.  

Alerj vai avaliar situação, mas não descarta levar o caso ao MP
Alerj vai avaliar situação, mas não descarta levar o caso ao MP |  Foto: Divulgação

Segundo dirigentes da Liga, os conflitos com a organização do Carnaval vêm se acumulando ao longo dos últimos anos. Um dos episódios citados envolve o início de um desfile da Série Ouro sem que os coletes de identificação tivessem sido entregues às pessoas credenciadas. Outro caso emblemático diz respeito à Unidos do Porto da Pedra, que solicitou formalmente a compra de um camarote no Sambódromo e teve o pedido negado sem justificativa. Para Hugo Junior, presidente da Liga RJ, o cenário chegou ao limite e passou a comprometer o próprio espetáculo, reforçando a sensação de tratamento desigual entre as agremiações.

A Liga defende que o credenciamento seja feito de forma independente por cada liga, restrito aos dias de seus respectivos desfiles, garantindo acesso legítimo a quem atua diretamente na festa. No texto, a entidade reforçou que a Marquês de Sapucaí é um bem público e que o Carnaval não pode ser tratado como um evento seletivo ou guiado exclusivamente por interesses comerciais. Apesar das críticas, a Liga RJ afirma manter confiança institucional na Riotur e aposta na intervenção do órgão para corrigir distorções. 

A falta de diálogo entre as ligas chegou a limites inimagináveis. Ao longo dos anos, a leitura dos envelopes com as notas dadas pelos jurados para as escolas filiadas ao Grupo Especial e à Série Ouro eram feitas no mesmo local. No Carnaval de 2025, pela primeira vez, cada uma das ligas organizou em locais e dias diferentes se conhecer a pontuação dada a cada escola.  

"A Liga RJ esclarece que sempre buscou o diálogo institucional com a atual diretoria da Liesa, com o objetivo de construir soluções consensuais e preservar a harmonia entre as entidades envolvidas."

A Liga RJ reforçou que sua iniciativa não tem caráter de confronto, mas sim de busca por mediação institucional, legalidade e equilíbrio, para preservar o Carnaval, suas escolas, suas comunidades e o interesse público.

Em nota, a Liesa afirmou atuar "sem fins lucrativos, com transparência, legalidade e isonomia, e que permanece aberta ao diálogo institucional".

A Riotur, por sua vez, informou que o presidente Bernardo Fellows recebeu os representantes da Liga RJ na tarde desta quinta-feira. Após ouvir os pleitos apresentados, convocou ambas as ligas para uma reunião conjunta.

Em nota, afirmou que a convocação tem "o objetivo de tratar os temas em parceria, prezando pelo bom andamento do Carnaval 2026, com equilíbrio, legalidade e respeito às escolas de samba e às suas comunidades".

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