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Mais do que arte, 'válvula de escape': conheça os benefícios da música para a saúde do corpo e da mente

Segundo especialistas ouvidas por OSG, a música ajuda o cérebro a se regular, aliviar tensões e diminuir o estresse

relogio min de leitura | Escrito por Lívia Mendonça | 26 de janeiro de 2026 - 17:50
No Brasil, a educação musical é uma política pública regulamentada pela Lei 11.769 de 2008
No Brasil, a educação musical é uma política pública regulamentada pela Lei 11.769 de 2008 -

"Além de proporcionar diversão e prazer, a música tem a vantagem de melhorar a saúde de uma forma segura e econômica", diz um trecho de um relatório de 2020 intitulado Música em nossas mentes: O grande potencial da música para promover a saúde cerebral e o bem-estar mental, feito pelo Conselho Global de Saúde Cerebral (GCBH, na sigla em inglês).

Se antes as melodias só embalavam momentos de descontração, hoje o indivíduo já se acostumou a dar trilha sonora de sua própria rotina. Há músicas para todas as horas, e não é à toa que, para muitos, a música pode funcionar como um estímulo a mais no desempenho das atividades, ou mesmo como uma "válvula de escape" para abrandar ocasiões de estresse.

Seja na ida e na volta para o trabalho, no transporte público, no carro, no banho, em confraternizações, em momentos solitários, o fato é que ouvir música pode trazer muitos benefícios, como no exercício da concentração, sendo capaz de eliminar tensões e contribuir no progresso de atividades, despertando ainda as mais variadas formas de emoções. Mas, de acordo com estudos feitos ao longo dos anos, para além de um prazer momentâneo, melodias também têm efeitos positivos sobre a saúde do cérebro.


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Em 2020, o GCBH reuniu um grupo de especialistas para examinar as evidências sobre a influência da música na saúde cerebral. A conclusão foi que a música tem a capacidade de estimular diferentes áreas do cérebro de uma forma coordenada e em tempo real.

De acordo com a publicação, ouvir, tocar ou compor uma melodia pode gerar uma sensação de bem-estar, reduzir o estresse, facilitar as relações interpessoais, modular o sistema cardiovascular, melhorar o equilíbrio e fortalecer o sistema imunológico sem nenhum efeito adverso. Ainda segundo o documento, esses benefícios podem ser observados em pessoas de diferentes idades e estados de saúde.

O documento reconhece que "há evidências convincentes de que o tratamento especializado baseado em música (musicoterapia) pode melhorar o movimento em pacientes com doenças como Parkinson, incluindo melhorias em sua capacidade de andar e falar", e também relata que há evidências de que a música contribui para a recuperação de pacientes pós-acidente vascular cerebral (AVC), e o canto, especificamente, tem sido usado para ajudar as pessoas a recuperar funções de linguagem.

Em entrevista a O SÃO GONÇALO, a psicopedagoga Valquíria Bessa e a psicóloga Tânia Devillart explicaram sobre os benefícios proporcionados pela música na vida de um indivíduo.

"A música é vital para o cérebro, ela ativa várias áreas, melhora a memória, humor e até mesmo a saúde física ao liberar a dopamina e endorfina. Ela fortalece as conexões cerebrais, além de ter extrema importância para o bem estar do indivíduo, pois como ela atua no desenvolvimento emocional, social e cognitivo, também melhora a concentração, criatividade, e de fato proporciona um grande alívio para o estresse, sendo uma ferramenta muito eficaz, e até mesmo terapêutica [...] quem ouve música diariamente tem maior leveza e parece estar sempre de bem com a vida, porque realmente sente esse alívio do estresse diário. Eu sempre oriento meus pacientes à ouvirem músicas que gostem e também indico que façam como atividade física aulas de dança, dependendo do gosto de cada um, porque realmente acredito que a música seja extremamente saudável e terapêutica", afirmou a psicóloga Tânia Devillart.

No Brasil, a educação musical é uma política pública regulamentada pela Lei 11.769 de 2008
No Brasil, a educação musical é uma política pública regulamentada pela Lei 11.769 de 2008 |  Foto: Reprodução/Pixabay

No Brasil, a educação musical é uma política pública regulamentada pela Lei 11.769 de 2008, que traz a música como conteúdo obrigatório para a educação básica. Mas, para além da legislação, ações que tornem a música mais presente na rotina de crianças, jovens e adultos, são sempre bem vindas.

"Costumo falar para as famílias que atendo que a gente tem três facilitadores da aprendizagem: emoção, motivação e repetição, porque a memória está muito ligada às emoções. A memória é feita de emoção, a gente não guarda exatamente o que aconteceu, e sim como aquilo fez a gente se sentir. E é por isso que a música e o entretenimento tem impactos tão profundos no nosso cérebro. Quando uma música começa a tocar, de repente vem uma lembrança, uma imagem, uma sensação no corpo. E as vezes nem é uma memória muito clara, mas é um sentimento que retorna com muita força. E isso acontece porque no cérebro a emoção e a memória estão profundamente conectadas [...] Quando essas memórias emocionais são acessadas, o humor também muda", explicou a psicopedagoga Valquíria Bessa.

"A música, as histórias e os momentos de entretenimento ajudam o cérebro a se regular, aliviar tensões, diminuir o estresse. É como se por alguns instantes tudo ficasse mais organizado por dentro, e essa conexão com o mundo, quando nos emocionamos com uma música, a gente acaba se reconhecendo naquela experiência, e a partir daí o cérebro cria a empatia, o vínculo e sensação de pertencimento. Do ponto de vista da neurociência, música não é algo superficial. Ela ajuda o cérebro a lembrar, sentir e realmente se reconectar com a vida, então no final das contas, ela nos aproxima de nós mesmos e do mundo ao nosso redor, uma ligação totalmente conectada dentro desse ciclo", completou a profissional. 

Em um  artigo da revista Literartes, Mauro Muszkat, pesquisador da Unifesp  explica que as crianças normalmente se expressam melhor pelo som e pela música do que pelas palavras, verificando-se que aquela pode ser uma ferramenta única para crianças com déficit de atenção, dislexia, autismo, depressão, esquizofrenia e outras disfunções cerebrais. Mas transtornos como a demência, por exemplo, não afetam os talentos musicais, e até contribuem para suavizar o problema.

Segundo Muszkat, os tratamentos realizados tendo como instrumento principal a música são conhecidos e utilizados há séculos. O estímulo ao cérebro musical aumenta a flexibilidade mental e a coesão social, e, para isso, são utilizados recursos como a dança e jogos musicais, potencializando-se as técnicas de restabelecimento físico e cognitivo. E não são apenas as crianças que se beneficiam com a música. Os adolescentes e adultos também, tornando essa arte um fator de auxílio ao jovem na difícil fase de transição, e ao indivíduo na fase adulta nos mais diferentes tipos de adversidades e ações que fujam seu controle.

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