Jovem entra em coma após aplicação de ácido durante hemodiálise em clínica de São Gonçalo
Ele segue internado em estado gravíssimo

Um jovem de 29 anos está internado em estado grave, em coma, após um erro durante uma sessão de hemodiálise em uma clínica de São Gonçalo. A vítima é Bruno Rodrigues Ventura dos Santos, morador de Maricá, que há cerca de um ano descobriu uma doença renal e, desde então, realiza o tratamento três vezes por semana na unidade.
O caso aconteceu na última quarta-feira (20), numa clínica localizada no bairro São Miguel. Segundo familiares, durante o procedimento teria sido injetada no organismo do paciente uma grande quantidade de ácido usado na limpeza da máquina.
O pai de Bruno, Márcio Luiz Alves dos Santos, contou que foi informado do ocorrido pelo médico da própria clínica. “O Bruno entrou para fazer o tratamento e em menos de 30 minutos a gente viu a confusão, o corre-corre, até que chegou uma ambulância e o carro de bombeiros. Foi aí que a mãe viu que era o Bruno que estava sendo socorrido. A gente não sabia de nada. Depois que ele foi levado para o hospital, o médico da clínica me falou que ele teve contato com um ácido da máquina”, contou Márcio.
Contudo, embora o médico da clínica tenha falado sobre o ácido, o real perigo da situação só foi informado aos pais do jovem no Pronto Socorro Central de São Gonçalo, onde Bruno está entubado e lutando pela vida. “Tem médico com 30 anos de medicina atendendo o Bruno e eles não sabem quais serão as consequências, pois eles me informaram que esse ácido é para a limpeza da máquina de hemodiálise e que nenhum paciente pode ter contato com esse produto. Fui informado ainda que essa limpeza não pode nem ser feita no mesmo local onde a hemodiálise é aplicada nos pacientes”, explicou, emocionado, sem saber como será a recuperação do filho.
De acordo com especialistas, o dialisador, que é uma espécie de rim artificial, fica acoplado na máquina de diálise e cada paciente tem o seu equipamento exclusivo, com uma duração estimada em pelo menos 20 sessões do tratamento. Quando não utilizado, o dialisador fica preenchido com ácido diluído em água tratada, justamente para manter a higiene do rim artificial.
Antes de o paciente iniciar a hemodiálise, o dialisador é submetido a um processo de retirada do ácido, onde ocorre uma série de lavagens até ser retirado todo o produto corrosivo. É importante mencionar que, antes do equipamento ser utilizado é necessário uma checagem, ou seja, nessa etapa do processo, é aplicado um produto químico no dialisador para averiguar se o ácido foi completamente removido. Caso a análise aponte que ainda há vestígios do produto é preciso realizar as etapas de lavagem novamente até a retirada completa.
Segundo a Secretaria Municipal de Saúde e Defesa Civil de São Gonçalo, o paciente está em estado gravíssimo. A família pede que o caso seja investigado e teme que outras pessoas passem pelo mesmo risco. Para cobrar justiça, os pais do jovem registraram o caso na 72ªDP (Mutuá), onde um inquérito será instaurado para apurar o caso.
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