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Famílias que perderam pertences após as chuvas fazem apelo por obras de melhoria

Obra de infraestrutura realizada no bairro Luiz Caçador trouxe prejuízos para as famílias do entorno; entenda

relogio min de leitura | Escrito por Renata Sena | 15 de janeiro de 2024 - 14:57
Débora da Silva Souza, dona de casa, também sofre com o problema de enchente após obra no bairro
Débora da Silva Souza, dona de casa, também sofre com o problema de enchente após obra no bairro -

Segundo o dito popular ‘depois da tempestade vem a bonança’, correto? Nem sempre! Pelo menos não para os moradores do Luiz Caçador, em São Gonçalo, que dois dias após as fortes chuvas que caíram na madrugada de sábado (13), estão se despedindo do pouco que possuíam e tentando salvar o que é possível. Por lá, após as tempestades chegaram o medo, a insegurança, a escassez e a incerteza de dias melhores.

Vanessa da Silva Tobias, de 39 anos, trabalha como faxineira e cria oito filhos. Moradora da Rua Diogo Feijó, na Comunidade do Luiz Caçador, a mulher precisou sair de casa com seis dos seus filhos, para buscar abrigo durante a madrugada.


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“Minha casa encheu toda. De madrugada, salvei o que consegui, coloquei o pouco de coisas que ainda tinha para o alto e fui para a casa da minha irmã com as crianças. Até hoje não voltei em casa. Mas sei que ainda tem água lá dentro”, contou a faxineira, que foi informada pelos vizinhos que um de seus colchões foi embora com a chuva.

“Eu já não tenho guarda roupas, móveis, nada. O que tenho são duas camas de ferro, de solteiro, que eu junto e transformo numa cama só. Ali dormem eu e as crianças (com idades de 13, gêmeas de 10, 7, 6 e 4 anos). Meus dois filhos mais velhos, um menino de 19 e a menina de 18 dormem em colchões no chão. Mas, também perdemos um deles”, lamentou.

A realidade de Vanessa não é distante de tantos outros moradores do local, que há anos vivem com medo ao perceber as primeiras gotas de chuva caindo.

Márcia Valéria Conceição Furtado
Márcia Valéria Conceição Furtado |  Foto: Filipe Aguiar

Márcia Valéria Conceição Furtado, de 55 anos, é moradora da Rua Martins Ferreira. Ela vive com seu marido e seu filho, de 16 anos.

“A última chuva assim foi em abril do ano passado. Perdemos tudo. Tudo que tínhamos, né? Porque eu não compro mais móveis. Não tem como ficar comprando se sabemos que vamos perder”, contou.

Na casa dela, a água permanecia acumulada, até a tarde desta segunda-feira (15). Na casa da vizinha, a situação era igual. Rua após rua a realidade no bairro é a mesma: limpeza e tentativa de ‘salvar’ itens básicos.

A situação no Luiz Caçador, segundo moradores do local, nunca foi perfeita, mas há pouco mais de quatro anos, depois de uma obra de infraestrutura realizada pelo Consórcio SAG, formado, na época, pelas empresas Serveng, Acciona Água e Gel Engenharia, contratado para a execução de obras em São Gonçalo, através do Governo do Estado.

Imagem ilustrativa da imagem Famílias que perderam pertences após as chuvas fazem apelo por obras de melhoria

Após as obras, segundo moradores, a água do ‘valão’ que corta o bairro passou a invadir as residências, por não ter mais para onde escoar. Um campinho de futebol que havia no bairro virou um mangue e mesmo em período de seca não pode mais ser utilizado pelas crianças do local.

“Uma obra que seria para nosso bem, só trouxe problema para o bairro. Não tem água, porque cortaram os canos, não tem nada”, finalizou uma moradora.

Imagem ilustrativa da imagem Famílias que perderam pertences após as chuvas fazem apelo por obras de melhoria

Em nota, a Prefeitura de São Gonçalo informou que “a Secretaria de Assistência Social está dando suporte às famílias atingidas pelas chuvas, com pontos de apoio para os moradores, e orientação sobre cadastro para benefícios sociais oferecidos pelos governos estadual e federal.

Já  a Secretaria de Estado do Ambiente e Sustentabilidade, responsável pelas obras do consórcio SAG, informa que trabalha na implementação do Sistema de Esgotamento Sanitário de Alcântara. O escopo do trabalho contempla a construção de uma Estação de Tratamento de Esgoto (ETE); de um tronco coletor; implantação de rede coletora e elevatórias, além das ligações domiciliares das residências no entorno da obra. Como resultado, a estimativa é de que 1.200 litros de esgoto por segundo in natura deixarão de seguir para a Baía de Guanabara. No momento, a execução das obras passa por trâmites administrativos e assim que a questão for sanada, as intervenções retornarão ao seu ritmo normal. As obras encontram-se 44% concluídas.

Cabe ressaltar que as intervenções realizadas não têm relação e não interferem no processo de escoamento da água da chuva. Isso porque as obras abarcam a implantação de rede de esgotamento sanitário (separador absoluto) e troncos coletores de esgoto, sem nenhuma intervenção nas redes de microdrenagem e mesodrenagem e no sistema de macrodrenagem da região.

A pasta ambiental informa ainda que, no decorrer das obras, eventuais rompimentos das tubulações de fornecimento de água sempre eram reestabelecidos garantindo que a execução dos serviços não afetasse o fornecimento para os moradores da região. A secretaria segue acompanhando a situação.

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