Reaberto há 6 anos, frequentadores reafirmam importância do Restaurante Popular de Niterói
De 2017 para cá, o local já serviu mais de 2,9 milhões de refeições, entre cafés-da-manhã e almoços

Servindo uma média de 2 mil refeições ao dia, o Restaurante Cidadão Jorge Amado completou, na última quarta-feira (4), seis anos de reabertura pela Prefeitura de Niterói. O polo de alimentação popular era de responsabilidade do governo estadual, e existe há mais de 20 anos, porém recentemente seu funcionamento é mantido pela administração niteroiense.
De 2017 para cá, o equipamento já serviu mais de 2,9 milhões de refeições, entre cafés-da-manhã e almoços. O restaurante é uma opção econômica, custando R$ 2 o almoço e R$0,50 o desjejum, se tornando uma opção boa e barata para a população e ajudando a promover a segurança alimenta. Pensando nisso, O SÃO GONÇALO ouviu frequentadores para entender a importância do local para eles.
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O aposentado José Silva, de 73 anos, mora em São Gonçalo e escolhe se alimentar no restaurante por considerar o lugar com um preço justo e boa comida.
"Eu frequento aqui há muitos anos. Posso dizer que melhorou muito depois da reabertura. Acho extremamente importante esse local, e sei que ele ajuda muita gente", diz.

Seu José é um dos tantos exemplos que confirmam a informação de que o restaurante beneficia não só a população de Niterói, mas também a de outros municípios.
Uma pesquisa realizada com frequentadores, em 2021, revela que 47,7% são moradores de outros municípios, sendo 31,8% dos usuários entrevistados moradores de São Gonçalo, seguidos de 4,7% da cidade do Rio de Janeiro, 3,7% do município de Itaboraí e 3,7% também de Maricá. Também apareceram no estudo moradores de Mesquita, São Fidélis, Quissamã e até de São Paulo. Outro dado significativo está no número de desempregados, que somam 40,2% dos usuários.
"O que me faz vir aqui é o preço. Em outros lugares está muito caro comer. Porém eu acho que ainda tem coisa para melhorar", revela Antonio Santos, de 67 anos.
Os números também mostram um crescimento na procura pelo serviço. Comparado ao mesmo período de 2019, antes da pandemia, o espaço teve um aumento de quase 6% na busca por refeições. Com cardápio variado, preparado por nutricionista, o restaurante funciona de segunda a sexta-feira, de 6h às 9h, para o café da manhã e, de 10h às 15h, para o almoço.
"Eu me alimento aqui até antes da reinauguração. Estou sempre por aqui. Acho o preço bom e a comida ficou bem melhor", conta Glauco Gonçalves, de 45 anos.
Contra a insegurança alimentar
Segundo pesquisa realizada pela Rede Brasileira de Pesquisa em Soberania e Segurança Alimentar e Nutricional (Rede PENSSAN), cerca de 33,1 milhões de pessoas no Brasil não têm comida na mesa. A Escala Brasileira de Insegurança Alimentar (Ebia) também indica que mais da metade (58,7%) do povo brasileiro vive a insegurança alimentar em grau leve, moderado ou grave (fome).
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O investimento anual que a prefeitura faz no restaurante popular é de cerca de R$ 3 milhões. O secretário da pasta, Elton Teixeira, alerta para o número crescente de pessoas que estão em vulnerabilidade social no país.

“O Restaurante Cidadão forneceu mais de 440 mil almoços e 72 mil cafés-da-manhã apenas em 2022. O equipamento é uma prova da preocupação da gestão com o aumento da fome no Brasil, que é latente. Por estar localizado no Centro, ele atende inúmeras pessoas de São Gonçalo, Itaboraí e mesmo do Rio de Janeiro. Em breve, teremos mais um equipamento como esse na Zona Norte. Aqui em Niterói, a segurança alimentar e nutricional é levada a sério", destaca o secretário.
Nova unidade na Zona Norte
Para 2023, a Prefeitura de Niterói se prepara para inaugurar uma nova unidade no Fonseca. O prefeito Axel Grael deu, em setembro do ano passado, a ordem de início das obras no imóvel, que terá almoço e café-da-manhã com o mesmo preço do cobrado na unidade do Centro.
O restaurante vai funcionar na Alameda São Boaventura com capacidade para servir 2 mil refeições diárias. O local também vai abrigar a Escola de Formação em Gastronomia Popular, onde jovens e adultos poderão obter qualificação profissional para o mercado de trabalho e para o empreendedorismo com diversos cursos na área de gastronomia, padaria e serviços para bares e restaurantes.
O investimento anual no equipamento vai girar em torno de R$ 5 milhões.