Família pede soltura de jovem identificado por foto 3x4
Julgamento de Jorge Luiz Souza Filho acontece nesta terça-feira. Ele foi reconhecido após vítima de assalto olhar foto 3x4

A mãe, a irmã e os amigos de Jorge Luiz Souza Filho fizeram um protesto nesta terça-feira (22) em frente ao Fórum de Itaboraí, no bairro Sossego, para pedir pela soltura do rapaz que será julgado hoje. Jorge está preso desde 15 de fevereiro após ter uma foto sua utilizada para reconhecimento de criminosos. Desde então, a família está aflita com a prisão do rapaz, que tem deficiência visual parcial e outros problemas graves de saúde.
Cerca de 15 pessoas compareceram no ato com faixas e cartazes pedindo a soltura de Jorge e frases de protesto contra o método de reconhecimento de criminosos por meio fotográfico.
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"A expectativa com o nosso protesto é de que o juiz pelo menos se comova com a nossa presença, que ele veja as provas, que veja meu irmão, que acredite na palavra dos laudos, acredite em tudo e solte o meu irmão o mais rápido possível, porque é isso que tem que ser feito, porque ele é inocente.", disse a irmã, Ana Clara Campos, que completou dizendo que sente falta do irmão e que tem medo dele não estar recebendo a assistência que precisa por conta de sua saúde.

"Eu me sinto muito mal, sinto muita falta dele, eu imagino que esteja muito ruim para ele lá [no presídio]. Eu não sei como eles tratam o meu irmão. Ele precisa de ajuda e eu não sei se estão ajudando ele. Tem um mês e eles não deixam a gente visitar, é horrível", completou Ana Clara, que falou em nome da mãe, que estava muito abalada e preferiu não falar com a imprensa.

"A gente espera que realmente vejam os laudos dele, que vejam que ele tem um tumor, cegueira, má coordenação motora, não tem como ser aquela pessoa que descreveram que cometeu o crime. Ele tem todos esses problemas, minha mãe foi cuidadora dele, eu trabalhei com a mãe dele muitos anos. Então, eu acompanhei ele dos cinco anos até agora. Eles precisam ter mais empatia porque quando olharem para ele vão ver que não tem condições desse menino ter feito isso e que não deveria estar onde ele está. O Jorginho é inocente. Essa tristeza toda acontecendo com ele, isso é injusto! A gente tem que lutar por isso", disse a tia do rapaz, Keili Coutinho.

A irmã e a família de Jorge também lutam para que o reconhecimento por foto seja pelo menos revisto e não seja utilizado como prova definitiva para a prisão de alguém. Ela lembrou de casos similares, de jovens presos por crimes que não teriam cometido, como o do jovem Caio Telles Guimarães, do Laranjal, que está preso desde 22 de fevereiro, acusado de roubar uma moto, apesar de imagens de câmeras de segurança mostrarem que ele estava em casa no momento do assalto.
Outro caso semelhante é o do jovem Yago Correa, de 21 anos, que foi preso por policiais militares no Jacarezinho, na Zona Norte do Rio, também em fevereiro, enquanto saía para comprar pão para fazer pão de alho em um churrasco com amigos. Na ocasião, os policiais prenderam o jovem pois acreditavam que ele estava junto com um suspeito detido com drogas.
"Eu espero que o caso ganhe visibilidade e que pelo menos mudem um pouco essa lei para que o reconhecimento por foto não seja dado como 100% motivo de prisão. Nem intimaram ele para saber se era ele de verdade, porque eu tenho certeza que se tivesse intimado, meu irmão iria e já teria resolvido tudo, mas eles preferem prender, preferem deixar um mês preso sendo tratado igual bicho do que realmente resolver do jeito que deveria ser feito. E não é o primeiro caso, tem vários outros, como o do Caio e um outro menino de São Gonçalo que está preso há dois meses mesmo tendo provas. São situações que se repetem todo dia e ninguém está fazendo nada, se a gente não fizer uma manifestação não vai mobilizar ninguém e vão continuar prendendo mais pessoas.", finalizou Ana Clara.
Relembrando
Jorge Luiz de Sousa Filho, de 28 anos, foi preso no dia 15 de fevereiro, após comprar um celular de um conhecido sem saber que se tratava de um aparelho roubado. A polícia rastreou o aparelho, encontrou seus dados no sistema do Detran e apresentou uma foto 3x4 dele a uma das vítimas de assalto. A vítima disse que Jorge teria sido o assaltante. Logo, foi expedido um mandado de prisão contra ele.
A polícia foi em seu local de trabalho, no polo de Niterói da Universidade Salgado de Oliveira (Universo), mas ele não estava no local, pois foi afastado por conta da pandemia. Sabendo que a polícia o procurava, Jorge foi sozinho à delegacia, onde foi imediatamente preso.
O rapaz foi preso apesar de muitas de suas características não estarem de acordo com as descritas pelas vítimas, principalmente a altura, uma vez que Jorge Luiz tem 1,62 de altura, e as vítimas disseram que o assaltante tem mais ou menos 1,80. Ainda segundo as vítimas, o criminoso estava em uma moto, já os familiares contam que Jorge nem ao menos sabe andar de bicicleta. A única característica em comum com o assaltante é a cor de pele.
Uma das maiores revoltas da mãe é que o filho que precisa de tratamento especial por conta das deficiências e do problema de saúde está sendo tratado como um criminoso comum e que não estão levando em conta os laudos apontando sua condição de saúde.