Jovem é preso por engano após reconhecimento fotográfico em Itaboraí; família protesta pela soltura
Jorge Filho foi preso após comprar um celular sem saber que era roubado

Familiares e amigos de Jorge Luiz de Souza Filho organizam um protesto na tarde da próxima terça-feira (22), em Itaboraí, para pedir a soltura do rapaz que teria sido preso injustamente após, sem saber, comprar um celular roubado. Preso desde o dia 15 de fevereiro, a família tem lutado para provar a inocência de Jorge e procurado maneiras de chamar atenção para mais um caso de um jovem reconhecido como criminoso através de um banco de dados e uma foto 3x4.
A família pede a soltura de Jorge Luiz para que ele possa pelo menos responder em liberdade. O jovem, que trabalha na Universo Salgado de Oliveira (Universo), em Niterói, tem deficiência motora e visual, além de dores crônicas de cabeça por conta de uma hipertensão intracraniana. Preocupada, a mãe dele, Eliane de Oliveira Campos, teme pela saúde do filho deficiente no ambiente da prisão onde está, o presídio Tiago Teles, em Santa Luzia, São Gonçalo, aguardando o julgamento no próxima dia 22.
"Esperamos a justiça por Jorginho e esperamos que mobilize a sociedade para que essa Lei seja mudada e para que profissionais incompetentes trabalhem direito não visando lucro e sim eficiência, eles não tem um pingo de humanidade e ética social, pois está condenando inocentes e que fique bem claro que meu filho é inocente, meu filho não se enquadra em nada descrito pelas vítimas, apenas com o laudo da cegueira progressiva dele já descarta todas as descrições dadas.", disse a mãe. "Eu gostaria de mobilizar o país inteiro, porque eu e minha filha iremos lutar muito para que esse método de identificação precário, que é por fotografia de identidade 3x4 que prende somente inocentes, acabe.", completou Eliane.
O caso
Jorge Luiz de Sousa Filho, de 28 anos, foi preso no dia 15 de fevereiro, após comprar um celular de um conhecido sem saber que se tratava de um aparelho roubado. O trabalhador se tornou mais um dos vários casos recentes de pessoas que foram presas após reconhecimento fotográfico. No caso de Jorge, três vítimas o reconheceram como assaltante e o jovem acabou preso, mesmo sem ter várias características descritas pela vítima.
Ele está preso desde o dia 15/02. "Tinha um mandado de prisão preventiva contra o nome dele, porque quebraram o sigilo com a operadora e rastrearam tudo do aparelho. Chegaram até o trabalho dele, na Universo de Niterói, mas ele não estava porque está afastado por conta da pandemia, então uma amiga avisou a ele e, assim que ele ouviu, ele foi até a 71ª DP perguntar o que estava acontecendo, pois ele nada temia. E ele acabou sendo preso, e desde então todo pedido de revogação da prisão e também habeas corpus está sendo negado pois ele está sendo considerado um bandido de alta periculosidade por um crime que ele não cometeu. Ele comprou celular de um conhecido que o prometeu dar nota fiscal, ele ficou com o aparelho por menos de um mês.", explicou Eliane.
A família e a defesa de Jorge apontam inconsistências e alguns erros grotescos que aumentam ainda mais a indignação pelo fato de o rapaz, que tem deficiência e outros problemas de saúde, estar preso diante das provas e dos laudos médicos.
Segundo Eliane, no processo consta que as vítimas relataram que foram roubadas e agredidas por um homem branco, com cerca de 1,80 de altura, que dirigia uma moto. Para a família, apenas estas informações já são suficientes para descartar a participação de Jorge do caso, uma vez que a única característica que o trabalhador tem em comum com o bandido é a cor da pele.
"O meu filho está sendo acusado de roubo em Itaboraí, esse suposto assalto foi com duas vítimas e elas no depoimento disseram que o assaltante estava de capacete de moto, pilotando uma Yamaha 250 azul, máscara anti-covid e tendo por volta de 1,80 e sendo branco. De todas as descrições só bate uma: meu filho também é branco. Mas tem 1,62, tem dificuldade para enxergar por conta de sua cegueira progressiva, tornando o incapaz de pilotar uma moto, uma bicicleta. Ele em pé não consegue enxergar, como seria capaz dele fazer isso? Tal assaltante era agressivo, deu tapa na cara das vítimas, mostrou arma, meu filho não tem coordenação motora para fazer tudo isso ao mesmo tempo, ele não tem condições mentais, psicológicas e principalmente físicas de fazer isso.", alegou a mãe.
Uma das maiores revoltas da mãe é que o filho que precisa de tratamento especial por conta das deficiências e do problema de saúde está sendo tratado como um criminoso comum e que não estão levando em conta os laudos apontando sua condição de saúde.

"Além dele ser especial, os laudos estão no processo, porque não transferem ele para pelo menos uma cela especial, ele tem um tumor benigno no cérebro, um câncer, e mesmo assim está sendo considerado um bandido de alta periculosidade? Não faz sentido.", indagou.
Faltando apenas um dia para completar um mês sem ver o filho, Eliane e a filha Ana Clara, continuam lutando para provar a inocência de Jorge, mas com aperto no coração, já que estão há vários dias sem saber como ele está na cadeia e como está sua saúde física e mental.

"Amanhã irá fazer um mês que estou sem meu filho e está sendo uma luta provar a inocência dele, mesmo eu tendo laudos provando que não tem condições dele fazer isso, não posso vê-lo para acalma-lo, abraçá-lo. A dor tá sendo imensa não só pra gente, pros nosso bichinhos, minha cachorra Sarrinha, tá dormindo todos os dias debaixo da cama dele e fica chorando, e eu durmo em cima, pois minha filha que divide quarto com ele não consegue entrar no quarto sem o irmão e está dormindo no meu quarto, todos estamos muito tristes.", concluiu a mãe emocionada.