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Setembro Amarelo: 'Agir salva vidas'; Saiba como conseguir ajuda!

Os ataques nas redes têm desestabilizado muitas pessoas

relogio min de leitura | Ana Carolina Moraes 01 de setembro de 2021 - 11:06
O Setembro Amarelo ocorrerá neste mês
O Setembro Amarelo ocorrerá neste mês -

Neste dia 1º de setembro também tem início a campanha do Setembro Amarelo, promovida pelo oitavo ano seguido pela Associação Brasileira de Psiquiatria (ABP) em parceria com o Conselho Federal de Medicina (CFM). O tema deste ano é 'Agir salva vidas'. O objetivo desta campanha é dialogar e conscientizar as pessoas sobre o suicídio fazendo, com que, assim, ocorra também o combate aos índices de casos do tipo no país. Um dos temas debatidos nas redes quando se fala em Setembro Amarelo é a questão da saúde mental diante das críticas e da onda de ódio (hate) causadas pelas pessoas nas redes sociais. 

A cantora Luísa Sonza, por exemplo, teve que se afastar das redes sociais por mais de 15 dias este ano para conseguir cuidar de sua saúde mental, segundo informações divulgadas pela própria Luísa. A cantora, dona do EP 'Doce 22' foi atacada após a morte de João Miguel, filho de Whindersson Nunes e Maria Lima. Whindersson é ex-marido de Sonza e muita gente culpou a cantora pela morte da criança, fato no qual Luísa nem esteve envolvida. Na época, Luísa fez um vídeo chorando pedindo "pelo amor de Deus, parem com essa história". Luísa foi atacada também em 2020, quando anunciou, após meses do término de seu casamento, que estava namorando com o cantor Vitão. Os dois terminaram o relacionamento este ano e os fãs especulam que talvez Luísa tenha terminado com o cantor, pois ele estava recebendo muitas mensagens de ódio das pessoas durante o namoro com ela.

Luísa sofreu com discursos de ódio nas redes sociais
Luísa sofreu com discursos de ódio nas redes sociais |  Foto: Divulgação
 

Um outro exemplo de falta de empatia nas redes sociais foi a morte de Lucas Santos, de 16 anos, filho da cantora de forró Walkyria Santos, que ocorreu no início do mês. Lucas se suicidou após receber xingamentos e ofensas em um vídeo que postou no aplicativo Tik Tok. Na ocasião, Walkyria se posicionou sobre o caso e fez um alerta para os internautas:

"Hoje eu perdi meu filho, mas preciso deixar esse sinal de alerta aqui. Tenham cuidado com o que vocês falam, com o que vocês comentam. Vocês podem acabar com a vida de alguém. Hoje sou eu e a minha família quem chora. (...) Ele postou um vídeo no TikTok, uma brincadeira de adolescente com os amigos, e achou que as pessoas fossem achar engraçado, mas não acharam. Como sempre elas destilaram ódio na internet. Como sempre as pessoas deixaram comentários maldosos. Meu filho acabou tirando a vida. Eu estou desolada, acabada, sem chão”, disse ela em um vídeo nas redes sociais.

Lucas sofreu com discursos de ódio nas redes sociais
Lucas sofreu com discursos de ódio nas redes sociais |  Foto: Reprodução/Internet
 

Esses e outros exemplos diários mostram como as redes podem ser uma ferramenta de sucesso, como é o da Mari do VR de 900 reais, noticiado pelo OSG, mas também pode ser uma arma contra a saúde mental das pessoas. 

Trabalhando com dados 

A Organização Mundial da Saúde contabiliza que o suicídio representa 1,4% de todas as mortes do mundo. Em 2012, segundo o boletim epidemiológico do Ministério da Saúde, o suicídio foi a 15°causa de mortalidade da população. O suicídio também é a segunda principal causa de morte entre jovens de 15 e 29 anos, coincidentemente ou não, pessoas da faixa de idade que mais têm acesso às redes sociais. 

A Safernet (uma organização não governamental) recebeu 39,4 mil denúncias de crimes virtuais que ocorreram em páginas da internet e publicações nas redes sociais em 2016. Todas estas mostravam casos de racismo ou violência e são consideradas violações dos direitos humanos. O cyberbullying é crime cibernético e prevê uma pena de 2 anos de detenção para o infrator.

O Stalking, ou seja, o ato de perseguir alguém, seja no meio físico ou online, também se tornou crime no dia 31 de março de 2021, quando a lei 14.132 foi sancionada. Esta passou a incluir, no Código Penal Brasileiro, o artigo 147-A, que diz:  “Perseguir alguém, reiteradamente e por qualquer meio, ameaçando-lhe a integridade física ou psicológica, restringindo-lhe a capacidade de locomoção ou, de qualquer forma, invadindo ou perturbando sua esfera de liberdade ou privacidade. Pena - reclusão, de 6 (seis) meses a 2 (dois) anos, e multa.” A lei entrou em vigor no dia 01 de abril deste ano. Saiba mais conferindo a matéria anterior sobre Direito na página do OSG.

Setembro Amarelo segundo informações da Associação Brasileira de Psiquiatria 

De acordo com a Organização Mundial de Saúde (OMS), a cada 40 segundos, uma pessoa morre por suicídio no mundo. Já ao que se refere às tentativas, uma pessoa atenta contra a própria vida a cada três segundos. Em termos de numéricos, calcula-se que aproximadamente um milhão de casos de óbitos por suicídio são registrados por ano em todo o mundo.

No Brasil, os casos passam de 12 mil, mas sabe-se que esse número é bem maior devido à subnotificação, que ainda é uma realidade. Desse total, cerca de 96,8% estão relacionados a transtornos mentais, como por exemplo, depressão e transtorno bipolar. Esse cenário preocupante serve de alerta para que a saúde mental seja um tema importante para a saúde pública.

Ao longo de todo o mês a ABP desenvolverá uma série de ações voltadas para o tema. Eventos online, palestras, iluminação em amarelo de espaços públicos e monumentos e presença nas mídias sociais terão como objetivo fomentar a ação efetiva para a prevenção de doenças mentais e ajudar na desmistificação do tema. Combater o estigma é salvar vidas e auxiliar a sociedade a compreender e identificar casos é a principal forma de ajudar os profissionais da área de saúde, familiares e amigos, principalmente no que se refere à busca por tratamento e instrução da população.

Para mais informações sobre a campanha Setembro Amarelo® em 2020, acesse o site oficial: www.setembroamarelo.com e saiba como participar!

É importante prevenir! 

Segundo a ABP, algumas medidas eficazes para a prevenção são: o treinamento de médicos para identificar e encaminhar corretamente episódios de depressão, a restrição ao acesso e o tratamento/acompanhamento de paciente após alta hospitalar de internação ou atendimento em posto de saúde devido a tentativa de suicídio.

Sobre o Centro de Valorização da Vida em São Gonçalo (CVV-SG)

CVV atende 24 horas por dia
CVV atende 24 horas por dia |  Foto: Arquivo OSG/Luiz Nicolella
 

As pessoas que cometem uma tentativa de suicídio devem ser socorridas e passar por todo o tipo de atendimento médico necessário para o caso dela. Mas, o suicídio pode ser evitado antes. Com relação às redes, a dica é simples: evitar perfis de pessoas que o usuário não goste. Vale lembrar também que por trás de todo perfil na rede existe uma outra pessoa com sentimentos e emoções.

O CVV São Gonçalo atua há 19 anos fornecendo apoio emocional e prevenção do suicídio para as pessoas de forma gratuita. Para aqueles que precisarem, basta ligar para eles que você será ouvido e atendido em qualquer horário do dia. 

O CVV realizou 3 milhões de atendimentos, sendo que, destes, 94% é por telefone (através do número 188), 4,5% é por e-mail, 1% é pelo chat 24 horas e 0,5% ocorreu pessoalmente. O CVV possui, ao todo, 120 postos de atendimento pelo país e 4 milhões de voluntários. 

Para quem quiser falar com o CVV, basta entrar em contato com ele pelos seguintes canais:  telefone 188, e-mail , chat https://www.cvv.org.br/. 

Itaboraí - Com o objetivo de alertar sobre a importância de cuidar da saúde mental e as formas de prevenção ao suicídio, a Prefeitura de Itaboraí, por meio da Secretaria Municipal de Saúde (SEMSA), iniciou a programação do Setembro Amarelo, com uma atividade itinerante que percorrerá as unidades básicas de saúde do município durante todo o mês. A primeira ação foi realizada na manhã desta quarta-feira (1º), na Unidade de Saúde da Família Maria Ferreira dos Santos, em Nova Cidade.

Coordenada pela Rede de Atenção Psicossocial (RAPS) com apoio das equipes das unidades, a atividade consiste em uma roda de conversa e dinâmicas com usuários dos postos, com informações sobre os grupos de riscos ao suicídio, as formas de identificar os principais sinais e como procurar suporte na rede municipal de Saúde.

A ação inaugural na USF de Nova Cidade contou com a presença do secretário municipal de Saúde, Sandro Ronquetti; da subsecretária de Saúde, Analice Ferreira; e do coordenador do RAPS, Guilherme Manhães. A palestra foi ministrada pela psicóloga Sabrina Amaral e pela enfermeira Jaqueline Costa. Neste ano, a campanha do Setembro Amarelo carrega o tema: “Suicídio, é possível prevenir!”.

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