Ídolo do Flamengo, Leandro é homenageado com lançamento de biografia no Museu do Flamengo
Evento reuniu o ex-lateral, familiares, os autores Marcos Vinicius Cabral e Sergio Pugliese e torcedores para uma noite de autógrafos

O ex-lateral Leandro, um dos maiores ídolos da história do Flamengo, participou na noite desta terça-feira (21) do lançamento da sua biografia ‘Meu manto, primeiro e único’, no Museu do Flamengo, na Gávea, Zona Sul do Rio. O evento, iniciado às 18h30, reuniu o ex-jogador, familiares, os autores Marcos Vinicius Cabral e Sergio Pugliese, além de convidados e torcedores que participaram de uma visita ao museu, coquetel e uma sessão de autógrafos.
A noite foi marcada pelo reencontro de Leandro com torcedores de diferentes gerações. Além de autografar exemplares da obra, o ex-lateral conversou com admiradores, posou para fotografias e relembrou momentos da carreira em um ambiente de celebração à sua trajetória no clube.
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O lançamento coroou um projeto iniciado há mais de uma década e que quase não chegou ao fim. Apesar do carinho recebido dos torcedores, Leandro revelou que, durante muito tempo, resistiu à ideia de transformar sua história em livro.

"Eu já tinha até desistido disso. O Marcos Vinicius insistiu muito e o Sergio Pugliese entrou na parada também. Depois de muita insistência, eu cedi, porque achei que seria legal. Nós deixamos uma história muito bonita no Flamengo, momentos maravilhosos que deveriam ser contados. Vai ficar para as pessoas que não conheceram a gente, principalmente os mais jovens, saberem da nossa história", afirmou.
Convencido da importância de registrar sua trajetória, Leandro viu nascer uma obra construída a partir de uma extensa pesquisa. Publicada pela Rebento Editora, a biografia reúne 135 entrevistas distribuídas em 14 capítulos, com depoimentos de familiares, ex-companheiros, jornalistas e personagens que acompanharam sua carreira desde as categorias de base até a consolidação como um dos maiores ídolos rubro-negros.
Leandro destacou ainda o trabalho realizado pelos autores durante a produção da biografia.
"O Marcos Vinicius pesquisou muito, fez um trabalho maravilhoso. Tem muitas coisas que as pessoas não sabem e, ditas por mim agora, tornam o livro muito verdadeiro."
O convencimento de Leandro foi resultado de um trabalho iniciado muito antes do lançamento. Idealizador da obra, Marcos Vinicius Cabral contou que o projeto nasceu há 13 anos e enfrentou uma série de obstáculos até chegar às livrarias.
"É um projeto que nasceu há 13 anos, parou dois anos por perdas durante o processo e eu estou muito feliz em poder contar a história de um jogador que acho muito subestimado no futebol brasileiro e que merece um reconhecimento muito maior do que nós, flamenguistas e amantes do futebol, sabemos que ele tem."

Natural de Niterói, Marcos relembrou que a admiração por Leandro começou ainda na infância, quando morava no Barreto.
"Enquanto todo mundo queria ser o Zico, eu queria ser o Leandro. Eu pegava uma camisa 10, colocava uma fita isolante fazendo o número 2 nas costas e ia jogar de lateral-direito."
A admiração de infância acabou se transformando em realidade anos depois. Em 2012, Marcos visitou a pousada de Leandro levando uma caricatura feita por ele e apresentou o desejo de escrever a biografia do ex-lateral. Cerca de um ano depois, o projeto começou a sair do papel.
Quando a pesquisa avançava, porém, o projeto sofreu seu maior revés. Durante a pandemia, o jornalista Gustavo Roman, que dividia a autoria do livro com Marcos Vinicius Cabral, faleceu vítima da Covid-19 enquanto morava nos Estados Unidos. Com ele, perdeu-se também todo o material já produzido, obrigando os autores a praticamente recomeçar a obra.
"Uma semana antes ele me mandou três capítulos para ler. Depois ele faleceu e o livro todo estava no notebook dele, que acabou sendo perdido. Tivemos praticamente que recomeçar o livro", relembrou Marcos.
O próprio Leandro admitiu que chegou a acreditar que o projeto seria abandonado.
"Nós perdemos todo o material. Eu já tinha até desistido disso."
Foi a partir desse recomeço que Sergio Pugliese passou a integrar a equipe responsável pela biografia.
"Eu falei para o Marcos: 'Começa tudo de novo. Vamos começar do zero, eu te ajudo'. E a gente recontou essa história", contou.
A nova parceria reuniu dois profissionais com ampla experiência no jornalismo esportivo e na preservação da memória do futebol. Marcos Vinicius Cabral construiu carreira como jornalista, chargista, cartunista e caricaturista, com passagens por veículos como Jornal dos Sports, Jornal do Brasil, Fluminense, Jornal O Itaboraí e Jornal O São Gonçalo. Já Sergio Pugliese atuou por 15 anos em redações como O Globo, O Dia e Jornal do Brasil antes de fundar o Museu da Pelada.

Ao longo da pesquisa, os autores reuniram depoimentos de grandes nomes do futebol brasileiro, entre eles Zico, Júnior, Andrade, Falcão, Éder, Paulo Isidoro e Adílio, um dos últimos entrevistados antes de morrer.
Para Sergio Pugliese, a convivência com Leandro durante a produção da obra revelou um homem ainda maior do que o ídolo conhecido pelos torcedores.
"Depois que eu conheci o Leandro verdadeiramente, a família dele toda, os amigos de infância, vi que ele é um cara excepcional. É uma pessoa verdadeira, não faz fantasia. É um ídolo de carne e osso."
Entre os episódios mais marcantes da pesquisa, Pugliese recorda uma surpresa preparada para o ex-lateral. Os autores reuniram cinco pessoas que receberam o nome Leandro em homenagem ao ídolo rubro-negro. Sem saber do motivo da visita, ele acreditava que encontraria apenas torcedores.
"Ele achava que eram torcedores comuns. Quando cada um dizia o nome, 'Leandro', ele se emocionou muito. Acho que não existe homenagem maior do que um pai ou uma mãe dar ao filho o nome de um ídolo."

Para Pugliese, a biografia vai além da carreira de um dos maiores laterais da história do futebol.
"É a história de uma pessoa comum que sofreu muito fisicamente para estar em campo. O Leandro passou por diversas cirurgias, jogou com dor e infiltrações porque queria ajudar o Flamengo e estar junto da torcida. Isso precisa ser exaltado."
Revelado pelo Flamengo, Leandro defendeu exclusivamente o clube entre 1978 e 1990, período em que conquistou a Libertadores e o Mundial de 1981, quatro Campeonatos Brasileiros e diversos títulos estaduais. Mais do que registrar a carreira de um dos maiores laterais da história do futebol brasileiro, "Meu manto, primeiro e único" busca preservar para as novas gerações o legado de um jogador que construiu toda a carreira profissional vestindo a camisa do Flamengo e ajudou a formar uma das equipes mais vitoriosas da história do clube.