Gradim F.C. completa 107 anos entre memórias e resistência no futebol gonçalense
Clube centenário mantém viva a tradição do futebol em São Gonçalo e sonha com novo espaço para formar jovens atletas

Fundado em 29 de junho de 1919, o Gradim Futebol Clube chega aos 107 anos carregando uma das histórias mais tradicionais do esporte em São Gonçalo. Gerações de jogadores passaram pelo clube, tradição que passou de pai para filho.
Entre festas que reuniam multidões e personagens marcantes, o clube segue vivo graças ao empenho de pessoas que lutam para preservar essa história.
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À frente da instituição desde 1992, o presidente Ricardo Maurício da Silva Pereira, conhecido como Saíra, resume bem o sentimento de quem cresceu dentro do clube.
"É uma grande honra dirigir um clube com essa história. O Gradim está fazendo 107 anos e a gente nunca pode perder essa essência, principalmente em São Gonçalo”, comentou.

Hoje, o Gradim realiza suas atividades em um campo de grama sintética no Porto Novo. A mudança aconteceu depois que o antigo terreno do clube foi vendido. Como compensação, foi doada uma nova área para a construção de outro campo, porém, a obra acabou sendo interditada por questões ambientais, permanecendo sem previsão de retomada.
Enquanto aguarda a liberação, o clube encontrou uma forma de manter viva sua rotina. "Essa praticamente é a nova casa do Gradim. Trouxemos o clube para cá enquanto nosso campo está parado”, disse Saíra.

A ligação de Saíra com o Gradim começou ainda na infância. Aos 13 anos, ele já defendia o clube nas categorias de base como ponta-direita e guarda lembranças que atravessaram mais de cinco décadas.

Uma delas aconteceu em um amistoso contra o Pau Grande, cidade natal de Garrincha. O estádio municipal de São Gonçalo ficou completamente lotado depois da divulgação de que o eterno camisa sete do Botafogo estaria presente.
"O campo estava cheio. Todo mundo gritando 'Garrincha, Garrincha'. Depois os dirigentes falaram que ele não pôde ir. Foi uma decepção para todo mundo."
Apesar da ausência do ídolo, aquele dia acabou sendo inesquecível para Saíra. Reserva, entrou no segundo tempo e marcou o gol da vitória do Gradim. "Ficou na minha mente para sempre."

Segundo ele, durante décadas, os aniversários do clube movimentavam São Gonçalo, com grandes equipes convidadas e arquibancadas lotadas.
Para o presidente, preservar o Gradim é também preservar parte da história esportiva da cidade. Ele lamenta que muitos campos tradicionais tenham desaparecido ao longo dos anos, contribuindo para reduzir a formação de novos jogadores. "Os campos foram acabando e isso foi diminuindo o futebol em São Gonçalo.”
O presidente lembra que o clube está entre os pioneiros da Liga Gonçalense de Desportos e revelou atletas que chegaram ao cenário nacional, como João Daniel, nos anos 70, que passou por Flamengo, Cruzeiro e Bahia.

Mesmo enfrentando dificuldades, o Gradim já pensa no futuro. O projeto é transformar o novo campo, quando for liberado, em um centro de formação de atletas, em parceria com a Portuguesa-RJ. A ideia é oferecer treinamentos gratuitos para crianças e adolescentes da cidade.
"Hoje é muito difícil para um garoto sair daqui e treinar no Rio. Queremos ajudar na formação de novos atletas. São Gonçalo é um celeiro de jogadores”, afirmou.
Depois de mais de três décadas como presidente, Saíra admite que a dedicação ao Gradim ocupa boa parte da sua vida. Mesmo assim, não pensa em desistir.
"Minha esposa até briga comigo porque meu tempo maior é o Gradim. Mas está no meu sangue. Eu não posso deixar morrer essa história."

A Comemoração dos 107 anos do Gradim F.C. acontece neste sábado (4), a partir das 7h e será aberta ao público. O evento contará com partidas, churrasco, mocotó e venda de bebidas no local. O endereço fica na antiga Arena Profit (anexo ao colégio C.E.J.O.P.), na rua Maria Rita, em Porto Novo.

*Sob supervisão de Cyntia Fonseca