Conheça o jogador de São Gonçalo, ídolo de Curaçao, estreante na Copa do Mundo
Paulinho das Arábias brilhou no futebol da ilha caribenha na década de 1980 e até hoje é reverenciado

Começou a maior Copa do Mundo da história! Pela primeira vez, 48 seleções vão disputar o principal título mundial. Entre campeãs carimbadas e surpresas inéditas, histórias marcantes e emocionantes já estão sendo escritas nos Estados Unidos, México e Canadá, sedes do torneio.
E dentro dos mais belos roteiros, está o da Seleção de Curaçao. Classificada de maneira invicta para o mundial pelas eliminatórias da Concacaf, a seleção curaçauense chega à sua primeira Copa do Mundo da história. A ilha no Caribe, de aproximadamente 180 mil habitantes, fez parte das Antilhas Holandesas de 1954 até 2010. Com sua 'independência', Curaçao passou a ter representação própria na FIFA e a seleção do país foi oficialmente criada em 2011. Por possuir uma liga de futebol local semiprofissional, a equipe de Curaçao conta com um elenco recheado de jogadores com algum tipo de ligação com os colonizadores holandeses.
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Dos 26 convocados para a Copa do Mundo de 2026, apenas um nasceu na ilha caribenha. Diante disso, a Federação de futebol local sempre utilizou uma estratégia focada em vínculos familiares, dupla cidadania garantida por lei, além de um projeto técnico ambicioso para convencer jogadores que possuam raízes caribenhas a defenderem a Seleção de Curaçao.
Apesar de um desenvolvimento profissional tardio no futebol, o esporte sempre foi praticado e amado pelos curaçauenses. E foi no século passado, na década de 1980, que um craque brasileiro surgiu e encantou quem assistia às partidas de futebol em Curaçao: o gonçalense Paulo Roberto da Silva, o Paulinho das Arábias, apelido recebido por ter sido um dos pioneiros em trocar o futebol brasileiro pelo da Arábia Saudita.

Nascido em São Gonçalo, no Rio de Janeiro, Paulinho se profissionalizou no Brasil, onde passou por CRB, de Alagoas; Corinthians, onde jogou com Roberto Rivellino; Athletico Paranaense, entre outros clubes. Foi em 1984 que recebeu um convite do treinador Jair Pereira. ''Eu voltei para o Rio de Janeiro e aí o Jair Pereira me deu essa oportunidade de eu ir para Curaçao... lá era um país onde o futebol ainda engatinhava, um futebol semi profissional... era uma oportunidade de fazer uma independência financeira'', conta Paulinho.
E por lá, foram dois anos e meio de muitas glórias, gols, títulos e idolatria. Paulinho virou referência no futebol de Curaçao. Um verdadeiro ídolo máximo. Atuando pelo Sport Unie Brion-Trappers, o SUBT, o brasileiro, que atuava pela ponta esquerda, conquistou três títulos e marcou mais de 80 gols, sendo um deles na final do Campeonato Antilhano, torneio que reunia os melhores clubes das ilhas do Caribe, em que se sagrou campeão.

''Lá fui abraçado como se fosse um filho da terra, entendeu? Eles me deram todo o apoio, a amizade, o carinho... A torcida, onde eu andava, eu entrava numa loja, o cara vinha com um sapato, o outro vinha com uma camisa... até cordão de ouro me deram lá... eu me sentia um popstar', relembra'.
E depois de muitos anos, Paulinho retornou aos campos e ao país em que brilhou. ''Eu voltei em 2019 e foi maravilhoso, foi muito bom... foi o mesmo carinho, sabe? Foi contagiante. A própria torcida, os amigos que conheci, até o pessoal do comércio... foi muito legal. Curaçao é a minha segunda pátria'', garante.
E agora, 40 anos após a passagem de Paulinho pelo futebol da ilha caribenha, Curaçao chegou à sua primeira Copa do Mundo. E o gonçalense não esconde a expectativa pela participação da seleção na competição. ''Eu acho que não vai fazer feio. Vai sair bem... Curaçao na Copa, o país vai ser festa total... é um povo que é 'Curaçalenho', mas são brasileiros. É festa a todo momento.

Qualquer hora é um churrasco, qualquer hora é uma dança, é muito bom'', disse. Paulinho ainda destacou que o povo de Curaçao vai torcer pela seleção brasileira na Copa. ''Curaçao em peso vai torcer para o Brasil, não é para a Holanda. Eles são fanáticos, apaixonados pelo futebol brasileiro'', garante.
E apesar de todo o carinho com Curaçao, a torcida do Paulinho das Arábias para a Copa fica com o Brasil. ''Vou torcer para o Brasil. O pessoal de Curaçao vai me entender, vocês são minha segunda pátria, mas a primeira é o Brasil'', afirma.
Curaçao começa sua jornada na Copa do Mundo neste domingo, às 14 horas, contra a Alemanha. A ilha caribenha está no grupo E, junto também de Costa do Marfim e Equador.





