Entre a sala de aula e os halteres: professor busca espaço no fisiculturismo
Após estrear em 2025, Pabblo Matheus treina para competição de iniciantes enquanto lida com a perda de seu principal canal de divulgação nas redes sociais

Parece filme, mas é a história real de Pabblo Matheus Oliveira, de 31 anos, professor de História durante as manhãs e atleta de fisiculturismo no restante do dia. Ele estreou na modalidade em novembro de 2025 e agora se prepara para a competição de estreantes da Federação de Fisiculturismo e Fitness do Rio de Janeiro (BRAFF). Às vésperas do torneio, porém, teve sua conta no Instagram, principal meio de divulgação do trabalho como atleta, derrubada das redes sociais. Segundo ele, a remoção ocorreu por causa de conteúdos relacionados ao fisiculturismo, apesar de não violarem as diretrizes da plataforma.
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Com a rede social bloqueada, Pabblo perdeu alcance justamente às vésperas da primeira competição do ano, uma das mais importantes da modalidade. O evento é destinado a competidores que ainda não conquistaram o primeiro lugar em outras disputas. Além da visibilidade esportiva, a rede social também poderia ampliar seu networking, facilitando o contato com possíveis patrocinadores e investidores.
Atualmente, Pabblo conta com a parceria do laboratório Scorpion, que o auxilia com recursos ergonômicos e métodos para melhora de performance, como suporte nutricional, psicológico e farmacológico, além de ajudar a custear competições. No entanto, essa parceria depende diretamente do desenvolvimento e da exposição de sua imagem.
A relação com a musculação começou em 2011. Antes disso, ele já tinha contato com outros esportes, especialmente o judô. No início, o objetivo era apenas melhorar a massa muscular, já que se enxergava como uma pessoa muito magra e buscava um novo desafio.
“Primeiramente não existia um pensamento competitivo, mesmo que eu me identifique com esse tipo de motivação. O que me afastava disso era pensar que eu não seria capaz de ter o tamanho necessário. Com o passar do tempo, comecei a ver uma possibilidade, mas ainda distante, por entender a necessidade de investimento de tempo, dinheiro e também pelo medo do mundo oculto que envolve esse esporte”, explica.
Em 2016, aos 23 anos, Pabblo se mudou para a Argentina, onde estudou jornalismo e desenvolveu o tema de sua monografia em História. Nesse período, acabou se afastando dos treinos. Ao retornar ao Brasil, em 2019, voltou a estudar mais profundamente o esporte e a superar seus receios, passando a considerar a possibilidade de competir.
Formado em 2024, ele conseguiu um emprego fixo como professor no ano seguinte. Foi então que decidiu transformar o antigo desejo em realidade.
“Em 2025, foquei o objetivo em viver a experiência competitiva, mesmo que tivesse que abdicar de muitas situações prazerosas, como datas comemorativas com família e amigos”, conta.
Pabblo também comenta sobre a curiosidade dos alunos ao verem um professor com uma aparência física fora do padrão. Ele leciona para turmas do Ensino Fundamental II e do Ensino Médio.
“Gera muita curiosidade dos meus alunos, porque não costumam ter um professor tão forte ou atlético como eu. É algo curioso e que gosto muito, porque não sou um professor convencional. Prefiro ser mais próximo deles. Acredito em uma didática mais próxima, que possa ajudar além da educação conteudista, algo mais pessoal e menos formal”, afirma o professor-atleta.
Conciliar a rotina de professor com a preparação para competições, no entanto, não é simples. Segundo ele, o impacto é tanto físico quanto emocional.
“Como trabalho com crianças e adolescentes, minha rotina não é leve e exige um equilíbrio emocional muito grande. Não poder comer o que gosto, ter horários regrados, superar medos, seja com medicamentos ou cargas de treino, além de não deixar transparecer sentimentos muito oscilantes. Todos os dias são de aprendizado e amadurecimento, principalmente nesta fase de competição, em que preciso conviver com a fome.”
Os treinos acontecem todos os dias da semana, com uma rotina intensa e uma dieta bastante restrita.
“Costumo treinar um grupo muscular por dia, isolando bem cada região e explorando as contrações para aumentar a densidade muscular e aprimorar as fibras. No momento, faço seis refeições por dia. Apenas o almoço tem 120 gramas de arroz, que é o meu carboidrato do dia. Tenho duas refeições com whey protein, e os vegetais são meus principais aliados na dieta. Também faço dois cardios por dia: um em jejum e outro após o treino. Muitas vezes dou aula pela manhã ainda em jejum, para ajudar na perda de peso depois do cardio.”
Apesar das dificuldades, Pabblo destaca que conta com o apoio dos pais e da namorada, além do acompanhamento profissional de um coach experiente na área.
A estreia nas competições aconteceu em novembro do ano passado, em Cabo Frio, onde terminou em segundo lugar.
Agora, ele já tem um novo desafio marcado: no dia 21 de março, Pabblo competirá no Tijuca Tênis Clube, no Rio de Janeiro. O atleta disputará nas categorias até 75 kg e até 80 kg.