Crítica OSG | 'Mandaloriano e Grogu' mostra que Star Wars é uma saga para todos os públicos
Filme será lançado nos cinemas brasileiros nesta quinta-feira (21)

Star Wars volta aos cinemas após sete anos, e a dupla Mandaloriano e Grogu faz a estreia nas telonas após a última aparição, na terceira temporada, em 2023. O retorno de uma das maiores sagas do cinema parece querer fugir da grandiosidade esperada, trazendo uma aventura fechada, nos moldes clássicos.
A direção é de Jon Favreau e o roteiro tem coautoria de Dave Filoni. Ambos criaram o Mandaloriano e são fãs declarados desse universo. O envolvimento pessoal dos dois cineastas com a saga traz refinos e detalhes que apenas olhos treinados podem trazer, ao mesmo tempo que enxergam algo essencial que a saga acabou perdendo com o tempo: o público.
O filme, então, reorganiza a rota da saga e procura trazer um sentimento que apenas a trilogia original conseguiu: que Star Wars é um universo para qualquer pessoa, independente de idade, proximidade ou tema. O longa de 2026 traz uma aventura de começo, meio e fim, antológica, digna de um arco fechado da série televisiva, porém com maior orçamento e duração, o que potencializou o filme.
Leia também
➢ Crítica OSG | 'O Diabo veste Prada 2' mostra como fazer uma sequência sem perder a essência
História
'O Mandaloriano e Grogu' continua sua história pouco tempo após o final da terceira temporada, quando o mandaloriano adota oficialmente o 'bebê Yoda' e se aposenta em Nevarro, vivendo apenas de alguns contratos. É em um desses contratos da Nova República, caçando remanescentes do império, que a história do filme começa.
Depois de uma das suas missões, Din e Grogu recebem a missão de uma aliança entre a Nova República e dos mercenários Hutts. Em troca de resgatar Rotta The Hutt, que está lutando como gladiador no submundo de Shakari, os mafiosos irão entregar o rosto de um comandante desconhecido, um dos últimos líderes do Império.
A história passa a se desenvolver baseada nesta missão e segue seus desenrolares em pequenos capítulos, com marcações que remetem a arcos de episódios da série, levantando o questionamento: o filme é um recorte do que seria a 4ª temporada ou foi escolhida uma estrutura episódica de pequenos arcos para o filme? A resposta depende da perspectiva do público.
O recorte chega a lembrar o formato da trilogia original, da década de 70 e 80, e segue uma aventura que tem suas semelhanças à Uma Nova Esperança que vai escalonando e se desdobrando de acordo com os acontecimentos do enredo.

Esses ciclos de episódio funcionam para dar um respiro no filme, que é repleto de cenas de ação, lutas, perseguições e explosões. O ritmo é frenético e varia entre momentos de exploração e diálogos com os personagens locais de cada planeta, como é o caso da aparição do diretor de cinema, Martin Scorcese, como um alienígena que ajuda os protagonistas a coletarem informações. De certa maneira, até lembra um videogame: recebe uma missão, procura informações com personagens locais, coleta recursos e segue para os momentos de ação.
Apesar de exageros nos cortes em alguns momentos, usam da criatividade nos arsenais do mandaloriano, que variam de lanças-chamas, rifles, facas, explosivos, seu marcante blaster e qualquer outra arma que entre no caminho. O enfrentamento, provavelmente, é o mais variado dos filmes, dentre uma serpente gigante, insectoides, droides, entre outros.
O filme e o universo
Nos 135 minutos de duração, não será vista a mais ambiciosa das histórias do cinema. Também não é algo que te obriga assistir as últimas temporadas da série, a meia temporada de “O Livro de Boba Fett” destinada ao universo mandaloriano, ou as outras séries do universo lançadas nos últimos sete anos.
O Mandaloriano e Grogu não deixa explícito sobre toda a história da dupla, mas segue o que já foi estabelecido na série: que são chamados de 'clã de dois' e também têm uma relação de mestre e aprendiz, e as crenças de Din Djarin (interpretado por Pedro Pascal na voz e alguns movimentos e Brendan Wayne junto ao brasileiro Lateef Crowder para movimentos). Também é mostrado o estado do universo após a queda do Império Galáctico, visto no episódio 6 ‘O Retorno de Jedi’ e antes a da ascensão da Primeira Ordem, do episódio 7, “O Despertar da Força”.
Logo, pela soma de uma história que se sustenta por si só, uma aventura que entretém, com muita ação e cenas de fofura do pequeno protagonista e uma jornada que te leva para lugares inovadores, o filme tem a capacidade para converter novos fãs da saga, apesar de não ter elementos mais chamativos quando se pensa em Star Wars como sabres de luz, jedis ou um vilão imponente como Darth Vader.
Para aqueles que já acompanham o universo, o filme é um deleite. Antigos personagens de séries animadas como Zeb Orrelios, de ‘Star Wars Rebels’, o caçador de recompensas Embo, da série animada ‘Clone Wars’ e a volta de Rotta The Hutt, filho de Jabba, criado no filme animado de 2008 que originou a série de mesmo nome, ‘Clone Wars’, ou A Guerra dos Clones e uma batalha de gladiadores "à lá uma fase" de ‘Jedi Fallen Order’, jogo de 2019.

Os personagens secundários têm pouco tempo de tela e alguns diálogos que pouco aprofundam os personagens. Inclusive, são poucos os diálogos para desenvolvimento, especialmente dos dois protagonistas. Só aprofundamento nas questões da figura que Rotta cria como gladiador e a desassociação que fez em relação a figura de seu pai, criminoso que acorrentou Leia no episódio 6, para quem não está lembrado.
Quem rouba a cena é a dinâmica entre Grogu e os Anzellanos, pequenas criaturas engenheiras, que são o grande ponto humorístico do filme, perfeito pra vender bonecos e cativar a atenção das crianças que vão assistir o filme. O ponto mais abaixo dentre os personagens, fica para os antagonistas, que são o estereótipo do vilão que é mau, sem uma ameaça física ou intelectual e a personagem original do filme, Coronel Ward, interpretado pela veterana Sigourney Weaver, conhecida por 'Alien: O Oitavo Passageiro', que entrega suas falas de maneira meio jogada, sem vontade.
Ambientação
O filme também conta com a marcante trilha sonora da série, e outras músicas do compositor, Ludwig Göransson, mas com um toque: uma adaptação da trilha para cada planeta sendo visitado, passeando por uma versão eletrônica, e outra mais “tribal”, refletindo a natureza de cada lugar.

Nessa brincadeira de adaptações, a assinatura da fotografia é de David Klein, que se aproveita do orçamento estimado em 160 milhões de dólares. Existem cenas em que é colocado dentro do capacete com diversas tecnologias do mandaloriano, na perspectiva dos poucos centímetros de altura de Grogu, ou apenas observando o caçador de recompensas pilotando sua nave enquanto o público observa as estrelas. A ambientação de cada planeta também passa por isso, na base praiana da Nova República, o submundo do crime em Shakari ou os pântanos de Nal Hutta.
'O Mandaloriano e Grogu' é um prato cheio para quem é fã da franquia e sente falta de assistir esse universo nas telonas. A experiência, que está disponível em IMAX em algumas salas no Brasil, abrange ainda mais a capacidade visual e sonora da adaptação, que é um arco da série potencializada à décima potência. Para aqueles que veem o burburinho envolvendo Star Wars e sentem curiosidade, tem uma das melhores portas de entrada para essa franquia em uma aventura digna de sessão da tarde.
"Posso levar você quente… ou posso levar você frio."
NOTA : ★★★★☆ (8/10)

FICHA TÉCNICA :
DURAÇÃO : 135 minutos
DIREÇÃO : Jon Favreau
ROTEIRO : Dave Filoni, Jon Favreau e Noah Kloor,
PRODUÇÃO : LucasFilm
ELENCO : Jeremy Allen White, Pedro Pascal, Sigourney Weaver, Martin Scorsese
Lançamento : 21/05/2026
Distribuição : Walt Disney Studios Motion Pictures







