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Crítica OSG | ‘Hamnet : A Vida Antes de Hamlet’ mostra como o luto pode virar arte, trazendo o melhor filme de 2026

O filme vencedor de dois Globos de Ouro, será lançado nos cinemas brasileiros nesta quinta-feira (14)

relogio min de leitura | Escrito por Enzo Brito com edição de Cyntia Fonseca | 15 de janeiro de 2026 - 14:03
Hamnet  chega aos cinemas brasileiros nesta quinta (15)
Hamnet chega aos cinemas brasileiros nesta quinta (15) -

William Shakespeare é um nome que está no vocabulário popular até hoje. Suas histórias atravessam séculos, com obras que fazem parte do imaginário popular, como “Romeu e Julieta”, “Hamlet”, “Macbeth” e “Sonhos de uma noite de Verão” são alguns dos nomes que são base para a criação de histórias desde o século XVII.

“Hamnet: A Vida Antes de Hamlet”, traz não só os bastidores e o que originou a famosa peça “Hamlet” do autor, mas traz um mergulho na jornada que essa família teve antes de o nome “Shakespeare” ser um dos maiores na história da literatura. Para se diferenciar de uma cinebiografia comum, a história não vem do ponto de vista criativo de William, e sim, focado em sua esposa, Agnes (Ou Anne) Hathaway e o desenvolvimento da relação de ambos e sua família.

O São Gonçalo foi convidado pela Universal Pictures para assistir o novo filme dirigido por Chloé Zhao, de Eternos (2021) e Nomadland (2020); estrelado por Jessie Buckley, de Chernobyl (2019) e Entre Mulheres (2022), e Paul Mescal, de Aftersun (2022) e Pessoas Normais (2020); Além da produção de Steven Spielberg e Sam Mendes. Sua estreia nos cinemas brasileiros está marcada para esta quinta (15).


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Inclusive, o longa foi premiado no último domingo (11) no Globo de Ouro nas categorias ‘Melhor Atriz em Filme de Drama’, pela atuação de Jessie e ‘Melhor Filme de Drama’. A premiação ao filme vem para consagrar a experiência impactante que o filme entrega, com grande parte dos méritos pela atuação da atriz, que brilha trazendo o impacto que vem da dor de uma mãe passando pelo luto.

Shakespeare, chamado na trama de “Will”, não é o centro das atenções aqui. Ele na verdade é afastado de uma boa parte do filme, visto que estava em Londres, criando suas peças nos teatros, enquanto Agnes, e seus filhos; Susanna (Bodhi Rae Breathnach), e os gêmeos Judith (Olivia Lynes) e Hamnet (Jacobi Jupe), viviam a vida na pacata cidade de Stratford. Assim como a família, também somos afastados da figura do escritor, mas sempre focado em seu lado pessoal, sem saber do que se trata a sua escrita especificamente.

Shakespeare e sua família
Shakespeare e sua família |  Foto: Divulgação/ Focus Features

Inspirado no livro de mesmo nome, escrito pela roteirista, Maggie O'Farrell, o filme tem sua narrativa traçada através de capítulos, que registram a passagens de tempo para momentos chaves da construção desse núcleo familiar, do encontro de Will e Agnes até a exibição de Hamlet nos teatros de Londres. Esses capítulos são uma narrativa fechada, auto suficientes para mostrar tudo o que é necessário daquele período. Quando isso não acontece, é usado como artifício de impacto para o capítulo seguinte, como os dois últimos, que abordam principalmente o luto dos pais, depois da morte de Hamnet, por conta da peste bubônica.

Hamnet é construído com calma, longas pausas, em silêncio. A diretora faz diversos takes mostrando as paisagens, as árvores, ambientes os quais os personagens estão habituados, nos aproximando de sua rotina, como membro da família, mas apenas observador. Vemos de perto quem são eles, em sua rotina, as brincadeiras e o que engloba. Vemos também os rituais que são passados de geração em geração, entrando de cabeça nessa cultura familiar.

A diretora Chloé Zhao com o casal principal
A diretora Chloé Zhao com o casal principal |  Foto: Divulgação/ Agata Grzybowska/ Focus Features

O primeiro take do filme é o de Agnes, em posição fetal na floresta, mostrado em poucos minutos muito sobre o que a personagem é, e também sobre o foco do longa: a conexão dela com o natural, reclusa, e sem trilha sonora, apenas o som dos animais e das folhas balançando com o vento.

A personagem é vista como uma bruxa na cidade, apontada como uma pessoa estranha, afastada por todos, mas convicta de suas vontades e personalidade, algo que se perdura por todo o filme. É entendido o que ela passa, somos aproximados à personagem e construímos indiretamente e até de maneira despercebida esse relacionamento, que só se intensifica quando os outros personagens da trama vão aparecendo.

Toda essa complexidade da personagem é reforçado pela atuação forte de Jessie, que encarna a dor da personagem, mas também traz toda uma sutileza e compaixão com apenas um sorriso. São diversos os momentos em que a atriz brilha, mas especialmente quando o desespero bate, como em uma cena de parto e no desespero de salvar o filho.

Shakespeare aqui é frustrado por não conseguir seguir o caminho ao que parece destinado, preso pela cidade, pela família. Seu sonho é fazer arte, usar do criativo, mas sente que está desperdiçando, o casco é pequeno demais para ele. É explorado pelo pai psicologicamente, além de ser usado para pagar as dívidas da família dando aulas de inglês, visto que a alfabetização era precária na época e fazia também trabalhos artesanais, bem longe de onde gostaria de estar.

Paul Mescal e Jessie Buckley
Paul Mescal e Jessie Buckley |  Foto: Divulgação/Agata Grzybowska/ Focus Features

Paul Mescal é um catalisador da história, quase que incompreensível em muitos momentos por estar distante, tudo minuciosamente planejado para o clímax do filme na conclusão. Apesar de ser um filme que atravessa algumas fases diferentes do personagem, não se apega à mostrar tudo o que ele faz, escreve e sente, mas quando faz, mostra a paixão que ele tem nisso e o apego à família, apesar da distância.

O elenco mirim também brilha, principalmente Jacobi Jupe, o menino de 12 anos que interpreta o corajoso Hamnet. Ele é curioso, sensível e carinhoso, com um senso de companheirismo próximo ao de que ‘Hamlet’ viria a se tornar na literatura. A atuação de Jacobi, diferente da maioria dos elencos infantis, não destoa, o ator consegue entregar a variedade de emoções que o personagem requer, levando a inocência que Hamnet precisa, entregando uma performance que vai fazer muita gente chorar nas salas de cinema.

O filme tem um ritmo moderado, para não dizer lento. Toda essa atmosfera construída envolta do filme faz esse tempo de 125 minutos parecerem maior do que são, muito por não passar um pouco despercebido a transição entre começo, meio e fim, o que acaba causando o sentimento de surpresa quando se chega ao final do filme, que por sinal é um grande soco na barriga.

Hamnet é uma grande carta de amor à arte, é mostrar como ela pode ser um fator crucial em diversos momentos da vida, especialmente nos de dor. É também mostrado como esse luto pode ser sentido de diversas maneiras, e como pode ser lutado, sendo fator crucial para canalizar os sentimentos e externá-los para outras pessoas, funcionando como um fio condutor da humanidade. Não seria exagero dizer que o filme é um dos, se não o melhor filme do ano, pela sua capacidade de se conectar com o que é mostrado.

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“Tudo o que vive há de morrer, passando da natureza para a eternidade."

“Ser ou não ser, eis a questão”.

“O resto é silêncio”.

NOTA : ★★★★★ (10/10)

Imagem ilustrativa da imagem Crítica OSG | ‘Hamnet : A Vida Antes de Hamlet’ mostra como o luto pode virar arte, trazendo o melhor filme de 2026

FICHA TÉCNICA : 

DURAÇÃO :

125 minutos

DIREÇÃO :

CHLOÉ ZHAO

ROTEIRO :

CHLOÉ ZHAO

MAGGIE O'FARRELL,

PRODUÇÃO :

STEVEN SPIELBERG

SAM MENDES

ELENCO :

JESSIE BUCKLEY

PAUL MESCAL

JACOBI JUPE

Lançamento : 15/01/2026

Distribuição : Universal Pictures

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