Crítica OSG | 'O Diabo veste Prada 2' mostra como fazer uma sequência sem perder a essência
Para quem assistiu ao primeiro O Diabo Veste Prada em 2006, a experiência de crescer profissionalmente junto com as personagens cria uma conexão emocional que vai além da lembrança

O que garante que um filme continue relevante mesmo após duas décadas desde sua estreia? O Diabo Veste Prada 2 retorna ao cinema de forma descontraída, mas com sutileza ao abordar os medos e as pressões enfrentadas por muitas mulheres no ambiente de trabalho, repleto de elitismo. A direção busca demonstrar que seu projeto vai além da simples nostalgia ao mostrar os bastidores da ascensão e da possível queda da Runway. No Brasil, a estreia acontece nesta quinta-feira (30).
Para quem assistiu ao primeiro O Diabo Veste Prada em 2006, a experiência de crescer profissionalmente junto com as personagens cria uma conexão emocional que vai além da lembrança. Assim como as pessoas mudam, marcas e empresas também evoluem, sendo este um dos principais temas da narrativa.
A revista Runway, por sua vez, necessita se atualizar em um cenário onde a mídia impressa já não tem o mesmo prestígio. A transição para o digital se torna essencial, embora a essência clássica, elegante e quase "old money" deva ser preservada.
Além do desafio de evitar a queda da revista, o longa transmite uma constante sensação de desespero entre os personagens. Essa tensão é proposital, pois o público se identifica genuinamente com a proposta, muito impulsionada pelo elenco com Meryl Streep e Emily Blunt, que se destacam como figuras centrais, navegando entre o humor ácido e um ambiente carregado de toxicidade e até mesmo um desejo oculto de vingança.
A eficácia do filme é, em grande parte, atribuída a este elenco extremamente talentoso. Pois é evidente o carinho e a dedicação na criação de cada personagem. Também é válido destacar que a Anne Hathaway, que, ao lado de Meryl Streep, marcam cenas desconfortáveis, que revelam dilemas profundos sobre ambição e sucesso profissional.
Enquanto o primeiro filme foi realizado com um orçamento restrito e uma visão cuidadosa incluindo vestuário emprestado, esta sequência apresenta uma deslumbrante coleção de temporadas de marcas de grifes. É uma alegria para os fãs de moda, já que os espectadores são apresentados a uma variedade de passarelas de alta-costura e têm a oportunidade de trabalhar temporariamente nesse universo. Sendo assim, a direção faz o público sentir que está participando da semana de moda em Paris.
Se o primeiro longa tinha seus momentos engraçados, a sequência elevou a comédia por várias cenas. Existem muitos momentos leves e cômicos que mostram a alegria de se dedicar a algo que você gosta e de compartilhar isso com pessoas que você ama. Ao mesmo tempo, os protagonistas lidam com situações desafiadoras que também proporcionam boas risadas ao público.
O Diabo Veste Prada 2 é uma fusão equilibrada de moda, comédia e drama, capturando a intensidade de trabalhar em uma revista que já não possui a mesma grandeza pela qual a Miranda lutou tanto. A continuação honra carinhosamente o original e sem dúvida, tocará o coração do público, principalmente daqueles que amaram o primeiro filme.