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Movimento de Mulheres em SG parabeniza a Viradouro pela exaltação à ancestralidade das guerreiras africanas

MMSG completa 34 anos de serviços prestados em São Gonçalo

relogio min de leitura | Escrito por Redação | 17 de fevereiro de 2024 - 12:31
A Viradouro  levou à avenida o enredo ‘Arroboboi Dangbé’, uma exaltação à ancestralidade das mulheres negras
A Viradouro levou à avenida o enredo ‘Arroboboi Dangbé’, uma exaltação à ancestralidade das mulheres negras -

Em ritmo de samba, o Movimento de Mulheres em São Gonçalo (MMSG) saúda à Escola Unidos do Viradouro pela conquista do título no Carnaval de 2024, que levou à avenida o enredo ‘Arroboboi Dangbé’, uma exaltação à ancestralidade das mulheres negras e o mundo místico das guerreiras africanas.

Ao resgatar o culto à serpente da religião vodu, popular na costa oeste da África, especialmente em Benin, a escola niteroiense reforça a importância das mulheres negras naquele contexto social. Contudo, historicamente, o samba remonta ancestralidades africana, negra, feminina e religiosa que construíram parte importante da cultura e da sociedade brasileira.

Fundado e formado, há 34 anos, em sua maioria, por mulheres negras, o MMSG também ‘alafiou’, como brinca o refrão do samba da escola vermelha e branca, ao ver representada, na Marquês de Sapucaí, a força de milhares de ‘guerreiras’ brasileiras, que, no dia-a-dia, são alvos de diversas formas de violência e lutam contra preconceitos, discriminações e intolerâncias religiosas.

A gestora do MMSG, Marisa Chaves, elogiou a magnitude da escolha do enredo e parabenizou a Viradouro por valorizar a luta das mulheres negras brasileiras. Para a professora, o samba exaltou a ancestralidade do povo africano e relembrou as raízes dos negros no Brasil.

"Durante muitos anos os direitos humanos das mulheres negras foram negados e o direito à reivindicação silenciado. Essa é uma das razões que fundamos o Movimento de Mulheres, há 34 anos. Afinal, as mulheres negras são maioria da população brasileira e necessitam de políticas afirmativas que as emancipem em defesa de toda ancestralidade que trazem em si. Aplaudimos a escola pelo lindo enredo e impecável apresentação na Marques de Sapucaí. Tal atitude valorizou a luta das mulheres negras brasileiras. Elas têm o apoio do Movimento de Mulheres em São Gonçalo, pois juntas somos guerreiras e fortes”, ressalta Marisa.


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Ancestralidade reforça as lutas das mulheres negras

Para Luciléia de Souza Baptista, mestranda no Instituto de História Comparada pela UFRJ e coordenadora do projeto NEACA Tecendo Redes (Itaboraí) do MMSG, assim como a temática trazida pela Viradouro, os enredos das escolas de samba têm sido fundamentais para divulgar e  problematizar a história dos povos africanos, afro-brasileiros e indígenas que tanto contribuíram para a formação política, econômica, social e cultural no nosso país.

“A Viradouro nos presenteou com o enredo “Arroboboi, Dangbé", desmistificando o vodun, religião de matriz africana que assim como tantas outras ainda são perseguidas pela intolerância e preconceito religioso em nossa sociedade. Os nossos passos vêm de longe, e é essa ancestralidade que nos fortalece enquanto mulheres negras que resistem, persistem, lutam por dignidade e respeito, uma luta que vibra ao som dos tambores que correm em nossas veias e pulsa os nossos corações cheios de esperança e axé”, ressalta Luciléia Baptista, idealizadora do Grupo Reflexivo com Mulheres em situação de violência de gênero no MMSG.

Já a diretora executiva do MMSG, Oscarina Siqueira, de 77 anos, destaca os avanços das mulheres negras, sobretudo em relação às conquistas de direitos e na luta contra às amarras do preconceito arraigados pelos anos de escravidão.

“Esse samba é lindo, pois mostra a importância do resgate histórico sobre a lutas da mulheres negras. Acredito que nossos ancestrais estejam felizes pelas conquistas e avanços conquistados pelos negros. Nossas lutas nos proporcionaram liberdade. Éramos subjugadas, hoje entendo que somos rainhas”, ressalta Oscarina.

Enfrentamento aos preconceitos e discriminações

Desde 1989, o MMSG se organiza com a missão de enfrentar todas as formas de preconceitos e discriminações de gênero, raça/etnia, orientação sexual, credo, classe social e aspectos geracionais.

O movimento trabalha em defesa dos direitos de crianças, adolescentes, jovens, mulheres e idosas, em especial, àquelas que são vítimas de violência de gênero ou doméstica ou que estejam vivendo com HIV/AIDS. O MMSG conta com apoio de parceiros como a Petrobras, a Fundação para Infância e Adolescência (FIA), a Prefeitura de São Gonçalo, além de entidades privadas e instituições e organizações não governamentais nacionais e estrangeiras.

A entidade possui uma equipe interdisciplinar de psicólogos, assistentes sociais, pedagogos, educadores e advogados, que oferecem atendimento gratuito para atender as diversas demandas apresentadas.

Em parceria com a Petrobras, o MMSG deu início ao projeto NEACA Tecendo Redes. O objetivo é contribuir para a promoção, prevenção e garantia dos direitos humanos de crianças, adolescentes e jovens. As ações do NEACA (Núcleo Especial de Atendimento à Criança e Adolescente Vítimas de Violência Doméstica e/ou Sexual) visam o atendimento às vítimas expostas às diversas formas de violência no âmbito da convivência familiar, priorizando a proteção social especial, através da oferta de um atendimento humanizado, que se baseie na metodologia da escuta ativa e sensível e na realização de um trabalho articulado em redes.

O projeto atenderá os municípios de São Gonçalo, Duque de Caxias, Itaboraí. Em caso de ajuda, o MMSG disponibiliza seus serviços, de segunda à sextafeira, das 9h às 17hs, nos endereços abaixo:

NEACA (SG)- Rua Rodrigues Fonseca, 201, Zé Garoto. (2606-5003/21

98464-2179) NEACA (Itaboraí)- Rua Antônio Pinto, 277, Nova Cidade. (21 98900-4246)

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