Motorista em tratamento é liberado pelo INSS para trabalhar

Homem tem laudos que provam sua incapacidade

Enviado Direto da Redação
Com a carteira de habilitação retida pelo Detran, Jorge Luiz está catando latinhas para sobreviver

Com a carteira de habilitação retida pelo Detran, Jorge Luiz está catando latinhas para sobreviver

Foto: Leonardo Ferraz

Por Marcela Freitas

Em 1982, Jorge Luiz de Freitas Nogueira, de 59 anos, começou a trabalhar como motorista de ônibus. Foram 33 anos de serviços prestados ao transporte público até que, em 2015, ele acabou sendo levado pelo estresse diário a um surto enquanto dirigia. Por conta deste evento, ele acabou sendo orientado a buscar auxílio médico e ficou segurado pelo auxílio-doença do Instituto Nacional do Seguro Social (INSS).

Ainda em tratamento, Jorge Luiz precisou realizar nova perícia em janeiro deste ano e, para sua surpresa, mesmo com laudos médicos da empresa em que trabalhava e também do Departamento de Trânsito (Detran), no qual passou por avaliação, que comprovam sua incapacidade, ele foi orientado a retomar às atividades laborais.

“O perito do INSS não me olhou durante o atendimento. Mostrei minhas receitas e laudos e ele falou que nada impedia meu trabalho. Questionei se ele deixaria a família dele viajar comigo em um coletivo, e a resposta foi que a família dele não utiliza ônibus”, contou Jorge.

Ainda segundo Jorge Luiz, que faz uso de medicamentos controlados, ele tentou retornar ao trabalho, mas uma junta médica da empresa, após avaliá-lo, viu que não há condições de que ele exerça qualquer atividade. O médico escreveu: paciente com humor depressivo, ansiedade generalizada, instabilidade emocional que trazem prejuízo a sua qualidade de vida.

“Eu não estou me negando a trabalhar. O que acontece é que não tenho condições emocionais para isso. Sem os remédios, fico muito nervoso e, quando os tomo, perco reflexo e tenho tonturas. Isso afeta também minha vida pessoal. Estou longe dos meus dois filhos pequenos (9 e 10 anos) por conta dessa variação de humor. Para me manter financeiramente, tenho catado latinhas. O que esse INSS está fazendo comigo é uma covardia. Infelizmente terei que buscar apoio na Justiça”, afirmou.

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