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Morte de padeiro tem protesto com comércio fechado e dois presos

O corpo foi sepultado ontem à tarde

relogio min de leitura | Escrito por Redação | 01 de setembro de 2017 - 07:30
Amigos carregavam cartazes de protesto durante o enterro
Amigos carregavam cartazes de protesto durante o enterro -

"Se meu filho fosse bandido eu virava as costas, mas era um trabalhador. Ele foi morto trabalhando, sempre foi honesto. Eu quero justiça". Esse foi o desabafo do taxista Jeferson Paula de Souza, 56, pai do padeiro Felipe Silva de Souza, mais conhecido como Dilon, de 34 anos, morto, no final da tarde de quarta-feira, durante troca de tiros entre policiais da 75ªDP (Rio do Ouro) e traficantes da favela do Campo Novo, em Maria Paula, São Gonçalo. 

Na manhã de ontem, familiares e amigos fizeram uma manifestação na Estrada Velha de Maricá (RJ 100), principal via do bairro, para protestar pela morte do padeiro, que foi atingido por um disparo de fuzil calibre 5.56 no peito. Com cartazes e bolas brancas, cerca de 50 manifestantes clamavam por justiça e chegaram a fazer um minuto de silêncio e uma salva de palmas em homenagem à Dilon. 

Segundo os moradores da comunidade, o tiroteio começou por volta das 17h, na quarta-feira, quando os policiais incursionaram no Campo Novo e foram recebidos a tiros pelos criminosos. Dilon foi baleado em frente a sua casa, quando vendia pães. Ele chegou a ser socorrido por familiares, mas morreu a caminho do hospital. 

"Ele trabalhava há 15 anos na mesma padaria e depois que o estabelecimento fechava ele, revendia os pães lá em frente de casa. Tudo com a autorização do patrão dele. Meu marido acordava 4h todo dia para ir trabalhar e só parava às 20h. Eu perdi o amor da minha vida, meu companheiro, não sei o que vou fazer a partir de agora. Como vou ter forças para criar a nossa filha?", lamentou Juliana Ribeiro Januário, 30, esposa da vítima. 

A mulher do padeiro ainda contou que assim que começaram os tiros, Dilon mandou um áudio para ela, falando para ela voltar para casa rápido e ter cuidado com a filha do casal, de apenas dois anos. 

Ao receberem a notícia do falecimento do rapaz, um grupo de pessoas incendiaram dois ônibus, no bairro, na noite de quarta-feira. Na manhã de ontem, no início das manifestações, dois homens foram detidos por PMs do 7ºBPM (São Gonçalo), quando tentavam atear fogo em um coletivo. 

O caso está sendo investigado pela Divisão de Homicídios de Niterói, Itaboraí e São Gonçalo. "O que posso afirmar até o momento é que a operação era da 75ªDP, mas ainda não conversei com os policiais para saber o que foram fazer na comunidade e como se deu a dinâmica do fato. Não tenho como dizer de onde partiu o disparo que atingiu a vítima, ainda não fizemos perícia no local, mas será feita uma reprodução simulada", esclareceu o delegado Marcus Vinicius Amim. 

O pai de Dilon garante que não vai deixar que o crime fique impune. "Só Deus sabe como está o meu coração. Meus filhos que tinham que me enterrar, não era eu que tinha que enterrar um filho meu, ainda mais que era honesto e foi morto trabalhando. Se fosse filho do governador, do prefeito, não fariam pouco caso, mas foi o meu filho, né. Ele era muito querido e por isso que fizeram manifestações, todo mundo gostava dele porque sabia quem ele era". 

Dilon era casado e pai de três filhas, com idades de 14, 8 e 2 anos. 

Entenda o caso:

Manifestantes colocam fogo em ônibus em Maria PaulaPadeiro é morto durante operação policial em Maria Paula

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