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Polícia prende suspeitos de integrar rede de exploração sexual de adolescentes em São Gonçalo e região

Operação da 74ª DP investiga estupros individuais e coletivos, tortura e produção de vídeos de violência sexual; oito homens aparecem na relação de presos divulgada pela Polícia Civil

relogio min de leitura | Redação
De acordo com os investigadores, o esquema envolvia relações de dominação e submissão, além de episódios de estupro individual e coletivo
De acordo com os investigadores, o esquema envolvia relações de dominação e submissão, além de episódios de estupro individual e coletivo -

Oito homens foram presos pela Polícia Civil durante a Operação NXIVM, deflagrada na manhã desta quarta-feira (28) para desarticular uma suposta rede de exploração sexual de adolescentes em Niterói, São Gonçalo e Maricá. A investigação apura crimes como estupro, estupro coletivo, tortura e produção e comercialização de vídeos com cenas de violência sexual.

Coordenada pela 74ª Delegacia de Polícia (Alcântara), a operação tem como objetivo cumprir 10 mandados de prisão preventiva e 18 de busca e apreensão. A ação mobilizou cerca de 90 policiais e 30 viaturas, com apoio de diversas delegacias da região e de unidades de corregedoria das polícias Civil e Militar.

Entre os oito homens relacionados pela corporação está um investigado que já se encontrava preso desde o fim de julho deste ano. Ele havia sido detido em flagrante, acusado de estuprar uma adolescente de 16 anos. A prisão deu origem à investigação que levou à operação desta quarta-feira.


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Investigação começou após denúncia de estupro

Segundo a Polícia Civil, a investigação começou há cerca de três meses, após a prisão em flagrante do investigado em Icaraí, na Zona Sul de Niterói. Durante a ocorrência, os agentes apreenderam dois notebooks e dois telefones celulares na residência dele.

A análise do material eletrônico e de imagens de câmeras de segurança da Prefeitura de Niterói e de residências permitiu identificar indícios de uma rede de produção de vídeos pornográficos envolvendo adolescentes.

De acordo com os investigadores, o esquema envolvia relações de dominação e submissão, além de episódios de estupro individual e coletivo. A adolescente também teria sido submetida a torturas, ameaças e chantagens para impedir que denunciasse os abusos ou rompesse o vínculo com os suspeitos.

A polícia afirma que os investigados utilizavam a ameaça de divulgação das gravações para manter o controle sobre a vítima e forçá-la a continuar se submetendo às exigências do grupo.

Adolescente procurou a polícia acompanhada dos pais

De acordo com a Polícia Civil, a adolescente procurou a 74ª DP acompanhada dos pais após não suportar mais as humilhações e os abusos que sofria.

O relato aponta que a vítima apresentava sinais de intenso sofrimento psicológico e chegou a pensar em tirar a própria vida.

Após a denúncia, foram acionados o Conselho Tutelar de São Gonçalo, o Ministério Público e o Poder Judiciário de Niterói. A adolescente foi incluída no Programa de Proteção a Crianças e Adolescentes Ameaçados de Morte (PPCAAM), com o objetivo de garantir sua segurança.

Crimes investigados

Entre os delitos apurados estão estupro, estupro de vulnerável, corrupção de menores, exploração sexual de adolescente, gravação e divulgação de cenas de estupro, comercialização de vídeos contendo violência sexual contra adolescente, associação criminosa e tortura.

Segundo a Polícia Civil, cada um responderá apenas pelos crimes que lhe forem imputados, conforme os elementos reunidos durante a investigação.

A operação foi coordenada pelo delegado Antonio Silvino Teixeira, titular da 74ª DP, e contou com o apoio de unidades policiais de São Gonçalo, Niterói, Itaboraí, Tanguá, Maricá, Rio Bonito, Araruama, Saquarema, São Pedro da Aldeia e Cabo Frio, entre outras.

Origem do nome da operação

O nome NXIVM faz referência a uma organização criada nos Estados Unidos que se apresentava como um programa de desenvolvimento pessoal, mas mantinha um grupo secreto estruturado em relações de submissão e controle. Integrantes eram submetidas a chantagens envolvendo imagens íntimas e informações pessoais.

O líder da organização, Keith Raniere, foi condenado em 2020 a 120 anos de prisão por crimes relacionados às atividades do grupo.

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