Polícia Civil deflagra operação contra grupo responsável por desviar armas para organizações criminosas
Até o momento, quatro pessoas foram presas

Policiais civis da Delegacia de Repressão às Ações Criminosas Organizadas e Inquéritos Especiais (Draco) e da Delegacia Especializada em Armas, Munições e Explosivos (Desarme), em ação conjunta com a Polícia Civil da Bahia, realizam, nesta segunda-feira (28/09), a Operação Mercador que mira o desvio de armamentos para bandidos em diferentes estados do país.
A ação teve como objetivo desarticular uma organização criminosa investigada pelo comércio ilegal de armas e munições, falsificação documental, fraudes na obtenção de registros de Colecionadores, Atiradores e Caçadores (CAC) e lavagem de dinheiro. Os agentes cumprem mandados de prisão e busca e apreensão em 56 ligados aos investigados. No Rio de Janeiro, os agentes atuam na Barra da Tijuca, Niterói, São Gonçalo e São João de Meriti. Até o momento, quatro pessoas foram presas.
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As investigações apontaram que o grupo utilizava documentos falsos, laudos psicológicos fraudulentos, comprovantes de residência e vínculos de trabalho fictícios. Intermediários também atuavam em procedimentos relacionados à obtenção de Certificados de Registro (CR) de Colecionadores, Atiradores e Caçadores (CAC).
Após a aquisição formal, as armas eram desviadas para o mercado clandestino. De acordo com os elementos reunidos no inquérito, os armamentos obtidos por meio do esquema foram posteriormente localizados com integrantes de organizações criminosas, incluindo membros do Bonde do Maluco (BDM) e do Comando Vermelho (CV). Entre as armas identificadas estão fuzis, carabinas e pistolas de diferentes calibres.
A estrutura também envolvia a movimentação dos recursos obtidos com as transações. Empresas relacionadas aos alvos apresentavam características incompatíveis com as atividades econômicas declaradas, além de alterações societárias e movimentações financeiras consideradas atípicas. Os agentes analisaram relatórios financeiros e constataram movimentações superiores a R$ 100 milhões.
Um dos principais alvos da operação possui endereço em condomínio residencial na Barra da Tijuca. Ele é apontado pelas investigações como um dos principais articuladores da organização criminosa, com atuação nas funções de comando e coordenação da estrutura voltada ao comércio ilegal de armas de fogo.
A organização possuía atuação interestadual, com ramificações identificadas na Bahia, Rio de Janeiro, Ceará e Rio Grande do Sul, além de outros endereços relacionados aos bandidos.