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Mulher trans esfaqueada em Teresópolis: cinco são denunciados por tentativa de feminicídio

O MPRJ pediu que os acusados sejam submetidos a julgamento pelo Tribunal do Júri

relogio min de leitura | Redação
Cinco homens costumavam se apresentar como integrantes de um movimento de ideologia nazista ou neonazista
Cinco homens costumavam se apresentar como integrantes de um movimento de ideologia nazista ou neonazista -

Cinco homens foram denunciados pelo Ministério Público do Estado do Rio de Janeiro (MPRJ) por tentativa de feminicídio contra uma mulher trans em Teresópolis, na Região Serrana do Rio. O crime aconteceu na noite de 28 de agosto, durante uma roda de slam realizada nas proximidades da Casa de Cultura, no bairro de Fátima. O MPRJ pediu que os acusados sejam submetidos a julgamento pelo Tribunal do Júri.

Segundo a denúncia apresentada pela 1ª Promotoria de Justiça Criminal de Teresópolis, os cinco homens, que costumavam se apresentar como integrantes de um movimento de ideologia nazista ou neonazista, se aproximaram do grupo do qual fazia parte a vítima e iniciaram uma discussão. Durante a confusão, um dos acusados teria atacado a mulher com uma faca, atingindo a região das costelas.

Os outros quatro denunciados, de acordo com o Ministério Público, teriam participado da ação, dando apoio e incentivando o ataque. A vítima foi socorrida por pessoas que estavam no local e encaminhada para atendimento médico.


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A vítima é Roque Marciano, de 32 anos, integrante de um coletivo sociocultural e organizadora do slam há cerca de quatro anos. Ela sofreu uma perfuração no pulmão e permaneceu internada no Hospital das Clínicas de Teresópolis. Roque recebeu alta no dia 31 de agosto. Após receber alta, ela relatou que já havia denúncias anteriores envolvendo os suspeitos.

“É de conhecimento das autoridades que eles estão circulando e fazendo ações há muito tempo. Tiveram algumas denúncias e é lamentável que eu tenha tido que levar duas facadas para que tenha acontecido alguma medida”, afirmou Roque.

Cinco foram presos após o ataque

Os denunciados são Paulo Ricardo do Vale Almeida, Daniel Portela Esteves, Matheus Maia Lopes de Souza, Wesley de Souza Pimentel e Emanuel Moura Cordeiro Boaventura. Segundo a investigação policial, Emanuel é apontado como o responsável por desferir as facadas contra Roque.

Os cinco foram localizados por policiais nas proximidades da Feirarte, na Praça Higino da Silveira, no bairro do Alto, e presos em flagrante. Durante a abordagem, uma faca com manchas de sangue foi apreendida com Emanuel. Segundo o registro policial, havia também sangue nas mãos dele. Com Wesley, os agentes encontraram uma segunda faca, além de uma balaclava e um par de luvas.

As prisões em flagrante foram convertidas em preventivas após audiência de custódia. Os cinco permanecem presos enquanto respondem ao processo.

De acordo com a Polícia Civil, os suspeitos já eram acompanhados havia cerca de dois anos após denúncias relacionadas à disseminação de discursos de ódio e conteúdo transfóbico em Teresópolis. A corporação também investigava a possível atuação do grupo e sua identificação com ideologia neonazista.

A polícia entende que os cinco agiram em conjunto e que a condição da vítima como mulher trans está relacionada à possível motivação do crime. Além do caso de Roque, a Polícia Civil já havia instaurado investigação sobre denúncias de apologia ao nazismo e discursos de ódio atribuídos a integrantes do grupo. Segundo o delegado titular da 110ª DP, Márcio Dubugras, um dos homens presos, apontado como autor das facadas, já havia sido investigado anteriormente.

MPRJ pede julgamento pelo Tribunal do Júri

Com a apresentação da denúncia, o caso avançou para a esfera judicial. A 1ª Promotoria de Justiça Criminal de Teresópolis denunciou os cinco homens por tentativa de feminicídio e requereu que eles sejam submetidos ao Tribunal do Júri.

Na avaliação do Ministério Público, a participação conjunta dos acusados e as circunstâncias do ataque justificam a responsabilização dos cinco pelo crime.

O processo seguirá agora na Justiça. Os acusados permanecem presos preventivamente e ainda terão direito à defesa durante a tramitação da ação penal.

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