Crime muda de perfil: golpes virtuais ultrapassam roubos em São Gonçalo; entenda!
Delegado alerta para aumento dos golpes após estelionatos superarem roubos no município

O crime mudou de endereço. Se antes o medo era encontrar um assaltante na esquina, hoje ele pode chegar por mensagem no celular, em um anúncio falso na internet ou até por uma ligação. Dados da 72ª DP mostram que os estelionatos já superam, há pelo menos dois anos consecutivos, todos os registros de roubo na área atendida pela delegacia, que inclui o Mutuá, a região central da cidade e bairros vizinhos de São Gonçalo.
De acordo com Mário Lamblet, delegado titular da 72ª DP (Mutuá), essa atitude do crime passou a ser consolidada após o período de pandemia, onde os criminosos buscaram novas formas de lucrar com o crime. “Na pandemia eles foram aumentando a forma de enganar e cometer crimes virtuais. Isso se intensificou no estado todo’, contou Mario.
Entre dezembro de 2025 e maio de 2026, foram registrados 1.193 casos de estelionato, contra 1.069 ocorrências de roubo. Na comparação foram considerados roubos a transeunte, de celular, de veículo, de motocicleta e a estabelecimentos comerciais. Os números apontam para uma mudança no perfil da criminalidade, cada vez mais concentrada em golpes aplicados no ambiente digital.
A mudança fica evidente quando os registros são analisados mês a mês. Em dezembro de 2025, a delegacia contabilizou 144 estelionatos e 207 roubos nas modalidades analisadas. A partir de janeiro, porém, os golpes passaram a liderar as estatísticas e permaneceram à frente nos cinco meses seguintes.
Em janeiro, foram 207 casos de estelionato, contra 114 roubos. Em fevereiro, 195 estelionatos e 119 roubos. Em março, 203 contra 119. Abril registrou a maior diferença do período: 242 golpes e 147 roubos. Já em maio, foram 202 estelionatos, enquanto os roubos somaram 82 ocorrências.
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Os dados também mostram que essa não é uma mudança recente. No mesmo período analisado entre 2024 e 2025, a área da 72ª DP já registrava mais estelionatos do que roubos. Foram 1.141 casos de estelionato, contra 634 registros de roubo.
“O crime de estelionato segue entre os mais registrados, por isso é necessário que todos estejam muito atentos. Todos são passíveis de virar vítimas na internet, mas os idosos precisam de cuidados ainda maiores. É preciso ter atenção com grupo de compras, com valores apresentados como imperdíveis, com tentativas de pagamento de resgates e oferta de empréstimos. Ao menor sinal de envolvimento financeiro é necessário sair da rede e pedir orientação de outra pessoa”, explicou o delegado.

Quando o recorte considera apenas os crimes mais comuns contra pedestres, roubos a transeunte e de celular, a diferença é ainda mais expressiva. Nos seis meses analisados, foram 327 ocorrências dessas duas modalidades, enquanto os estelionatos chegaram a 1.193 registros. Na prática, houve mais de três golpes para cada assalto de rua registrado na região.
A tendência acompanha uma transformação observada em todo o país. Com menos exposição física e menor risco de confronto, criminosos têm investido cada vez mais em fraudes bancárias, falsas vendas pela internet, clonagem de aplicativos de mensagens e outros golpes virtuais, que podem fazer vítimas sem que o autor precise sair de trás de uma tela.

“É preciso que a população saiba que internet não é um lugar sem lei. O crime está se aprimorando, mas a polícia também está. Temos, cada vez mais, identificado responsáveis por estelionato, por golpes financeiros. Estamos realizando prisões, apreensões e investigações ligadas a esses tipos de crime. Em caso de perceber que virou vítima de um estelionatário, caiu em algum golpe de pix, de falsa venda, de empréstimo, é necessário procurar uma delegacia e registrar o caso’, finalizou Mário Lamblet.