Após anúncio de indenização, famílias de pedreiros mortos por PMs reafirmam desejo por justiça
'Nada paga a vida dele', desabafou irmão de Marcelo da Cruz Silva

Famílias dos pedreiros Marcelo da Cruz Silva, de 41 anos anos, e Edivan Felipe de Assis, 46, mortos por policiais militares em São Gonçalo, consideram que a indenização oferecido pelo Governo do Estado, não substitui o desejo por justiça. As vítimas foram mortas após os PMs confundirem uma régua usava em obras com um fuzil.
Inaldo Vicente da Silva, irmão de Marcelo, contou em entrevista que irá se reunir com advogados e a Defensoria Pública do Estado do Rio, para entender os procedimentos da indenização, porém, isso não muda o fato dele desejar a prisão dos PMs envolvidos.
"Nada paga a vida dele, nem uma indenização. Nada vai trazer ele de volta. Quero que a justiça seja feita. Hoje, vou ter uma reunião com o pessoal da Defensoria Pública, que vão me explicar melhor. Quero que a justiça seja feita e que os culpados sejam punidos para que não aconteça mais isso. Vamos fazer os procedimentos para ver o que o governo pode fazer com a família", comentou.
Leia também:
Declaração do IR pode passar a ser automática em até três anos
Maraisa para show para chamar atenção de fã que apontou um laser no rosto das cantoras
Luciene dos Santos, cunhada de Edivan, explicou que o Governo já procurou a família para indenizá-los, mas esse não é o foco dos parentes.
"Minha irmã e a nossa família não estão pensando nisso. A gente quer justiça e que todos os envolvidos sejam presos. Não só afastados. Creio que estão agilizando as coisas assim porque repercutiu no país inteiro. Não acredito muito que terá uma punição do jeito que a gente quer, que seria a prisão dos envolvidos", afirmou.
No último dia 30, o governador em exercício do Rio de Janeiro, desembargador Ricardo Couto, determinou que a Procuradoria Geral do Estado inicie os trâmites legais para viabilizar o pagamento de indenização as famílias dos pedreiros.
Em nota, o Governo do Rio ainda reforçou que as investigações devem ser conduzidas com "absoluto rigor e transparência" pelas polícias Civil e Militar para esclarecer todas as circunstâncias do caso, garantindo a devida responsabilização.
Os agentes envolvidos na ocorrência foram afastados do serviço nas ruas e um procedimento apuratório interno segue em curso na Corregedoria Geral. O caso é investigado pela Delegacia de Homicídios de Niterói, São Gonçalo e Itaboraí.