Corpo de pedreiro morto pela PM é sepultado em São Gonçalo em meio a protestos de familiares e amigos
Sepultamento aconteceu nessa sexta (29), no Cemitério São Miguel

O corpo de Edvan Felipe de Assis, de 46 anos, foi sepultado na tarde dessa sexta-feira (29), no cemitério São Miguel, no bairro de mesmo nome, em São Gonçalo. Edvan e Marcelo da Cruz Silva, foram mortos a tiros por policiais militares, na última quarta-feira (27), no Jardim Catarina, após os agentes confundirem um tripé de medição, que estava com os trabalhadores, com um fuzil. Após o caso, três policiais envolvidos foram afastados das ruas.
Em meio a grande tristeza durante o sepultamento, familiares e amigos protestaram bastante com gritos e cartazes pedindo justiça pelos dois homens.

Erika Silva, vizinha e amiga de longa data falou sobre o sentimento da perda: "Edvan era uma pessoa maravilhosa, extraordinária, assim sem palavras. A comunidade toda sentiu, estamos sentindo tanto ele quanto o Marcelo, que foi enterrado ontem. Mas Edvan era um amigo da família como se fosse família mesmo, meu pai trabalhava com ele. Então, assim, é sem palavras, sem palavras mesmo. É uma pessoa extraordinária, vai deixar muita saudade essa perda".
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Tarcísio Andrade Oliveira, presidente da Associação de Moradores do Jardim Catarina, também falou sobre a trágica situação. "Então, naquele dia, um dia normal para qualquer trabalhador, né? E os dois camaradas foram trabalhar, nada mais. Aí levaram os materiais na moto, pô, foi levar essa régua e não tinha operação, não tinha nada. Tinha uma equipe da Polícia Militar fazendo só o patrulhamento pela região, acompanhando uma equipe telefônica nessas coisas. Aí quando se depararam com os dois trabalhadores de régua, acharam que era uma arma de fogo e metralharam. Não teve um tiro de advertência, desse um tiro de advertência para averiguar. Mas não, foram mais de 40 tiros em cima de dois trabalhadores e é revoltante".

"A gente está ali agora, dentro do velório, ali, vê uma filha chorando. Eu perdi meu pai, eu sinto a dor dela, mas a dor dela eu sei que é maior, porque perdeu um pai. Dessa forma, um pai novo, um camarada que honrou a família até o último momento da sua vida. Camarada guerreiro, trabalhador. E queria agradecer também, cara, toda a equipe de reportagem. Cara, se não fosse a equipe de reportagem, as armas dos policiais não teriam sido apreendidas, nada disso teria acontecido. Por isso que eu dou o meu maior apoio à equipe de reportagem", completou.









