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Um ano após morte de nutricionista em Itaguaí, família ainda busca respostas sobre execução

Para a família, o caso ainda está longe de ser totalmente elucidado

relogio min de leitura | Escrito por Renata Sena | 31 de março de 2026 - 11:51
Empresário André Phellype Cabral Monteiro Charret, filho da vítima, pede esclarecimentos sobre a motivação do crime
Empresário André Phellype Cabral Monteiro Charret, filho da vítima, pede esclarecimentos sobre a motivação do crime -

“Ela era uma mulher forte, guerreira e que sempre batalhou pelo espaço dela. Criou eu e meu irmão ensinando a respeitar as mulheres e mostrando que elas poderiam fazer tudo o que quisessem. Minha mãe ocupou espaços que muitos diziam que não eram para ela, que não eram para mulher, e ela fazia muito melhor do que muita gente. Minha mãe era uma fortaleza e nunca abaixou a cabeça para ninguém. Por isso, tenho certeza de que ela lutou até o fim antes de ser executada.”

O desabafo é do empresário André Phellype Cabral Monteiro Charret, de 31 anos, filho da nutricionista Andrea Cabral Monteiro Charret, de 54 anos, executada a tiros na manhã do dia 31 de março do ano passado, em Itaguaí, logo após sair da casa do namorado.


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Mesmo após um ano do assassinato, a família ainda convive com a dor da perda e com perguntas que seguem sem resposta. Embora as investigações tenham avançado e apontem um responsável direto pelo crime, a dinâmica da execução e a possível participação de outras pessoas ainda não foram completamente esclarecidas.

O principal acusado é Matheus Pareto da Silva, de 24 anos, que confessou o crime ao ser preso. Ele era genro do namorado de Andrea e foi apontado como autor do crime. Matheus foi preso em Minas Gerais 16 dias após a morte da vítima. Segundo a Polícia Civil, ele foi identificado após análise de imagens e outros elementos reunidos ao longo do inquérito. Apesar disso, para a família, o caso ainda está longe de ser totalmente elucidado.

De acordo com o advogado criminalista Marco Antônio Faria de Souza, que atua como assistente de acusação, não há dúvidas quanto à autoria do crime, mas ainda existem lacunas importantes sobre como tudo aconteceu e se houve participação de outras pessoas. Um dos pontos levantados é a sequência de fatos após o crime, que levanta questionamentos sobre a possibilidade de atuação conjunta. A análise de deslocamentos e comunicações feitas no período indica que a ação pode não ter sido isolada.

Imagem ilustrativa da imagem Um ano após morte de nutricionista em Itaguaí, família ainda busca respostas sobre execução

“Não há dúvida quanto à autoria, isso é muito claro, mas a dinâmica levanta questões sobre a participação de outras pessoas no crime. Presumindo que o autor não vá citar nomes, me causa estranheza terem limitado a ação como autor e executor e não termos, ainda, respostas quanto à coparticipação no crime”, explicou o advogado da família.



Outro aspecto que ainda gera questionamentos é a ausência, até o momento, de esclarecimentos completos sobre a motivação do crime e a dinâmica em que tudo aconteceu.

“Fala-se de uma discussão, mas só se ele fosse uma pessoa muito ruim, mas muito mesmo, para cometer o crime com o nível de crueldade que ele cometeu por causa de uma resposta atravessada. Eu não acredito nisso. E também não acredito quando ele aponta que ela entregou os pertences e depois ele atirou. Por que ele tiraria a vida dela, então? Minha mãe era uma pessoa que iria lutar, resistir, não iria entregar tudo e ser executada depois. Além disso, ainda há questões de perícia que precisam esclarecer pontos importantes”, lembrou Phellype.

O laudo pericial citado pelo filho pode ajudar a esclarecer o caso, conforme explica o advogado da família. “Uma camisa suja de sangue e com marcas de tiros estava dentro da bolsa dela. Como essa camisa estava suja se a vítima não estava vestida com ela? Essa perícia foi juntada ao processo neste mês, quase um ano após o crime, mas ainda falta o laudo da perícia do veículo da Andrea. São documentos que vão ajudar a entender a dinâmica do que aconteceu”, explicou Marco.

A defesa da família também chama atenção para o fato de que algumas testemunhas ouvidas na fase inicial da investigação ainda não tenham sido chamadas para prestar depoimento em juízo, o que pode ser determinante para a reconstrução detalhada do caso.

Enquanto o processo segue em andamento, com a segunda parte da audiência de instrução e julgamento marcada para o próximo dia 1º de abril, a família tenta lidar com a ausência e com a dificuldade de encerrar esse ciclo.

“Ainda estamos tentando entender tudo o que aconteceu. Ele não acabou só com a vida da minha mãe, ele mudou a vida de uma família inteira, de dois filhos, dos pais dela. Todo mundo teve a vida mudada com a morte dela”, disse Phellype.

Ele lembra que, pouco antes do crime, vivia uma fase de proximidade ainda maior com a mãe.

“A gente estava numa fase muito amiga, conversando muito. Tem meu irmão, que perdeu a oportunidade de conviver com a nossa mãe no dia a dia. Ele vai amadurecer sem a mãe ao lado. Tão novo… Você perder uma mãe aos 31 anos já é muito pouco tempo de convívio. Imagina ele, que perdeu com 17 anos. É muito cedo. Deixa de viver muita coisa.”

Os últimos dias antes da morte de Andrea também ficaram marcados na memória do filho.

“Dois dias antes de ser executada, ela postou no Instagram falando que amava a família. Na noite anterior à sua morte, mandou uma mensagem para o meu irmão dizendo: ‘aconteça o que acontecer, você sempre será o amor da minha vida’. Às vezes, a gente sente quando está chegando a hora", conta Phellype.

Apesar da dor sentida todos os dias ao longo desse primeiro ano sem a mãe, o primogênito de Andrea afirma que consegue perdoar quem matou sua mãe. “Sentir ódio só faz mal para quem sente. Eu perdoo ele, o que não significa que eu não queira justiça. Ele tem que pagar pelo que fez, cumprir a pena, mas eu libero o perdão”, finalizou o filho.

A família agora aguarda o julgamento para encerrar um capítulo desse caso, sabendo que ainda há muito a ser esclarecido.

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