Instagram Facebook Twitter Whatsapp
Dólar R$ 5,1592 | Euro R$ 5,9671
Search

Operação Shadowgun mira esquema interestadual de armas impressas em 3D

A operação foi deflagrada com a cooperação de organismos internacionais

relogio min de leitura | Escrito por Redação | 12 de março de 2026 - 08:18
32ª DP (Taquara)
32ª DP (Taquara) -

A Polícia Civil, por meio da 32ª DP (Taquara), o Ministério da Justiça e Segurança Pública (MJSP) e o Grupo de Atuação Especializada no Combate ao Crime Organizado (Gaeco) do Ministério Público realizam a "Operação Shadowgun", uma ofensiva federal que mira um esquema interestadual de venda de material bélico impresso em 3D. Os alvos da ação são investigados por comercializar e produzir carregadores de arma de fogo por meio de impressão 3D. Na ofensiva desta quinta-feira (12/03), os agentes cumprem 4 mandados de prisão, em São Paulo, e 32 mandados de busca e apreensão, em 11 estados do país, em endereços ligados aos vendedores e aos compradores. A operação foi deflagrada com a cooperação de organismos internacionais.

A investigação revelou a atuação de um grupo estruturado dedicado à produção e disseminação de armas de fogo fabricadas por meio de impressão 3D, as chamadas “armas fantasmas”, que não possuem rastreabilidade e podem ser montadas com materiais de fácil acesso. As diligências tiveram início após um órgão internacional compartilhar com o Laboratório de Operações Cibernéticas (CIBERLAB) um alerta sobre um usuário de uma rede social suspeito de desenvolver e comercializar armamentos impressos em 3D.


Leia também: 

Prefeitura de Maricá lança ônibus itinerante para distribuição de hortaliças nos bairros

Mulher é assassinada a facadas no Jardim Catarina, em São Gonçalo, no Dia da Mulher


O trabalho investigativo identificou que o líder da organização criminosa é um engenheiro especializado em controle e automação e foi o principal desenvolvedor técnico do armamento. Sob pseudônimo, ele publicava testes balísticos, atualizações de design e orientações sobre calibração, materiais de impressão e montagem das armas. Ele elaborou e reproduziu um manual com mais de cem páginas, descrevendo detalhadamente todas as etapas necessárias para a fabricação da arma, permitindo que qualquer pessoa com conhecimentos intermediários em impressão 3D pudesse produzir o armamento em poucas semanas, utilizando equipamentos de baixo custo.

As apurações apontaram que o principal produto disseminado pelo grupo é uma arma semiautomática impressa em impressora 3D e componentes não regulamentados. O projeto foi divulgado, acompanhado de um manual técnico detalhado e de um manifesto ideológico defendendo o porte irrestrito de armas. O material circulou amplamente em redes sociais, fóruns e na dark web, criando um verdadeiro ecossistema clandestino voltado à produção e circulação de armamentos não rastreáveis. Além da difusão do projeto, o líder da rede também participava de debates ideológicos, incentivava a produção das armas fantasmas e utilizava criptomoedas para financiar suas atividades.

A liderança do grupo possui mais três comparsas, que são peças importantes na construção e na difusão dos projetos de arma 3D, e alvos dos mandados de prisão. Eles atuam como idealizadores e divulgadores de conhecimento prático no campo da impressão 3D e segurança digital. Cada comparsa possuía uma função específica: o primeiro atuava no fornecimento de suporte técnico direto; o segundo realizava a função de divulgador, analista e articulador filosófico do movimento; e o terceiro assumia a frente da propaganda e da identidade visual.

A estrutura identificada demonstra a existência de uma organização criminosa com divisão clara de funções, combinando conhecimento técnico em engenharia, impressão 3D e segurança digital para viabilizar a produção e disseminação de armamentos clandestinos.

Matérias Relacionadas