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Testemunhas relatam desespero e descaso em morte de jovem na BR-101

Alan de Souza Nascimento, de 32 anos, foi baleado durante arrastão na BR-101

relogio min de leitura | Escrito por Cristine Oliveira | 24 de fevereiro de 2026 - 12:16
Familiares e testemunhas relatam confusão, falha no socorro e demora no atendimento que resultou em sua morte
Familiares e testemunhas relatam confusão, falha no socorro e demora no atendimento que resultou em sua morte -

A família de Alan de Souza Nascimento, de 32 anos, esteve nesta terça-feira (24) na Delegacia de Homicídios de São Gonçalo e Niterói (DHSG) para relatar os detalhes do assassinato do homem, ocorrido no fim de semana. Novas testemunhas também prestaram depoimento, descrevendo perseguição por criminosos e a sequência de confusão que impediu o socorro imediato à vítima.

Além das testemunhas que estavam com Alan no momento do crime, a polícia ainda espera ouvir outras duas pessoas na próxima quinta-feira.

Alan de Souza Nascimento
Alan de Souza Nascimento |  Foto: Divulgação

Uma das testemunhas contou que eles foram abordados por criminosos que praticavam assaltos na região.

"O que aconteceu é que a gente estava vindo de Trindade, por volta de 1h15. Saímos da Trindade, pegamos a BR-101 e, passando na altura da Central, há uma subida. Quando fomos descer, vimos que estava acontecendo um arrastão e já havia duas motos paradas. Quando chegamos lá, os bandidos mandaram a gente colocar o carro atravessado. Nessa hora, alguém já tinha informado os bandidos; tinha um olheiro falando 'a Recom, a Recom'. Eles saíram correndo e logo em seguida a Recom chegou e começou o tiroteio" relatou a testemunha.


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Segundo o depoimento, ao ouvir os disparos, os ocupantes do carro tentaram se proteger, mas Alan já havia sido atingido.

"Eu sei que Alan não morreu nos primeiros tiros, porque ouvimos os disparos dentro do carro. Falamos 'vamos sair e deitar no chão'. Eu saí e deitei no chão, ele veio e deitou ao meu lado. Depois, só ouvimos ele gritando 'fui baleado, fui baleado, socorro'. Os policiais foram chegando próximo porque estavam do outro lado da rua, e quando se aproximaram, gritamos: 'ajuda ele, ajuda ele, somos trabalhadores'" contou a testemunha.

Apesar de Alan estar ferido, os policiais chegaram a questionar se as vítimas poderiam ser criminosos e realizaram revista nos envolvidos.

"O policial falou: 'trabalhador nada, vocês são vagabundos, fica deitado'. Nos revistaram, enquanto o Alan pedia ajuda. A todo momento afirmávamos que éramos inocentes, e depois eles perceberam, e nos liberaram para tentar ajudar o Alan" acrescentou.

Testemunhas afirmaram que os agentes da Recom tentaram prestar os primeiros socorros e retirar Alan do local, mas sem sucesso.

"O policial viu meu desespero e tentou ajudar com o kit médico. Ele ficou nervoso porque não tinha preparo. Disseram 'vamos colocar dentro da viatura e levar para o hospital', mas, quando chegamos lá, não conseguiram" relatou a testemunha.

Alan foi colocado em uma maca e tentaram transportá-lo em uma viatura e em um segundo carro, mas somente na viatura da Recom ele foi acomodado.

"Botamos o Alan no banco de trás da Recom, que seguiu em direção a Niterói. Depois de uns 10 minutos, voltaram na contramão, dizendo que não sabiam onde era o pronto-socorro. Na Central, encontraram uma ambulância, colocaram Alan no chão, e ali ele permaneceu" detalhou.

A ambulância estava em outro atendimento, e o corpo de Alan permaneceu no local até às 5h, sem ser levado ao Hospital Estadual Alberto Torres, no Colubandê, em São Gonçalo.

No início, as testemunhas acreditaram que Alan havia recebido socorro, mas motociclistas que passaram pelo local confirmaram a presença de um corpo.

"Ligamos para a loja e pedimos que procurassem ele no pronto-socorro. Depois, um motoboy disse que havia um corpo na Central. Só então descobri que era o corpo de Alan" relatou.

As testemunhas ainda estão sendo ouvidas pela polícia. Amigos e familiares lembram de Alan como um homem trabalhador e de família, que há quase um ano trabalhava em uma pizzaria.

Homenagem para Alan

Alan foi homenageado por amigos com uma pintura na Rua Amazonas
Alan foi homenageado por amigos com uma pintura na Rua Amazonas |  Foto: Reprodução/Redes Sociais

Alan foi homenageado por amigos com uma pintura na Rua Amazonas, número 45, no Gradim, São Gonçalo. A obra eterniza o rosto do jovem, permitindo que vizinhos e conhecidos mantenham viva sua memória.

Sob supervisão de Marcela Freitas 

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