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Rompendo o silêncio: mulheres denunciam estupros sofridos há mais de 10 anos em Niterói

Moradoras da Engenhoca, elas foram vítimas do mesmo maníaco quando tinham 14 anos

relogio min de leitura | Escrito por Felipe Galeno | 05 de junho de 2024 - 20:12
Após mais de uma década, as duas tomaram a decisão de transformar os traumas em motivação para lutar
Após mais de uma década, as duas tomaram a decisão de transformar os traumas em motivação para lutar -

Quando o assunto é abuso sexual, o som de uma voz pode ajudar a romper um longo ciclo de silenciamento. Após ler a reportagem de O SÃO GONÇALO sobre um caso de importunação sexual sofrido pela empresária niteroiense Fernanda Alves, uma moradora de Niterói, de 27 anos, tomou coragem para quebrar o silêncio e denunciar um crime de violência sexual sofrido por ela há 14 anos, cujo acusado seria o mesmo que atacou Fernanda. Outra jovem, também quebrou o silêncio e também procurou a Polícia para denunciar. Os dois casos foram registrados na Delegacia Especial de Atendimento à Mulher (Deam) como estupro e o acusado será intimado a depor.

Uma das mulheres, que prefere não ser identificada, contou à reportagem de OSG, que o crime aconteceu quando ela tinha apenas 14 anos, no bairro da Engenhoca. Na época, ela só teve coragem de relatar o episódio a uma outra amiga, que também foi vítima de violência sexual poucos meses depois, praticada pelo mesmo acusado. Passada mais de uma década, as duas tomaram a decisão de transformar os traumas em motivação para lutar.

Imagem ilustrativa da imagem Rompendo o silêncio: mulheres denunciam estupros sofridos há mais de 10 anos em Niterói

O primeiro dos casos aconteceu próximo a uma lan house, onde a jovem costumava passar o tempo. O suspeito, adulto, estava parado na entrada do estabelecimento quando a então adolescente saiu. "Quando eu saí da lan house, ele me falou umas gracinhas e eu não entendi muito. Aí daqui a pouco ele puxou pelo braço, me agarrou e me beijou à força. Eu [fiquei] tentando sair. Peguei no rosto dele para tentar sair e consegui. Depois que ele me soltou, ele falou mais gracinhas para mim e eu consegui correr", narra a vítima.


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Com medo e raiva, ela decidiu manter a história em segredo para a família e contou o episódio apenas para sua melhor amiga. Alguns meses depois, foi sua amiga quem passou por um episódio de violência sexual cometido pelo mesmo homem. "A gente tinha ido lanchar e eu tava indo na frente. Foi nessa hora que ele apareceu, pegou na mão dela e agarrou ela também. Ele então tirou as calças e queria que ela botasse a mão. Ela saiu correndo. A gente foi para casa e ela falou comigo, assustada", relembra a moradora de Niterói.

Nenhuma das duas jovens fazia ideia que os dois episódios sofridos por elas se configurava como um crime grave. "Naquela época, eu não entendia muito. Não sabia que isso era um crime pesado. Não é normal, mas a gente achava que era normal. Foi por isso que a gente deixou para lá", explica. Só agora, mais de treze depois, é que as duas mulheres descobriram que foram vítimas de estupro, por conta do comportamento violento do criminoso.

Imagem ilustrativa da imagem Rompendo o silêncio: mulheres denunciam estupros sofridos há mais de 10 anos em Niterói

O estopim para lançar luz sob essas trágicas memórias das duas mulheres foi uma reportagem especial publicada por O SÃO GONÇALO e exibida na TV Universo exibida no último dia 15 de maio, onde a empresária Fernanda Alves denunciava ter sido atacada pelo mesmo maníaco. Amiga de Fernanda, uma das vítima se emocionou ao assistir a história da empresária, que decidiu transformar a dor de um episódio de  importunação sexual em motivação para ajudar outras mulheres vítimas de crimes do tipo. "Quando eu vi a coragem da Fernanda, na mesma hora eu resolvi contar para ela que havia acontecido a mesma coisa com a gente há 14 anos, e com o mesmo agressor", destaca a jovem.

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A empresária, que é idealizadora do perfil @ehoradefalar no Instagram, recebeu as amigas e levou as duas para a Delegacia Especial de Atendimento às Mulheres (Deam), que registrou o caso. Fernanda destaca que se emocionou ao saber que sua história ajudou outras mulheres a quebrar um ciclo de silenciamento de crimes sexuais. "Mesmo diante do ato sujo e covarde que eu sofri, eu me sinto recompensada em, através da minha denúncia, aparecerem outras vítimas. Essas mulheres, adultas hoje, eram adolescentes na época que aconteceu esse crime. Nós não podemos mais aceitar isso caladas", enfatiza a empresária.

Agora, as vítimas dos crimes na Engenhoca esperam que a ação da Polícia e do Ministério Público, que já denunciou os episódios, garantam que o criminoso responda pelas violência cometida contra as três mulheres. "Espero que haja justiça, que apareçam outras mulheres para denunciar ele e contar o que aconteceu com elas. Vai aparecer mais gente, com certeza. Espero que ele seja responsabilizado e julgado pelos atos criminosos que cometeu, para que isso não aconteça com mais ninguém", afirma a jovem.

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Além da responsabilização, ela e Fernanda também acreditam que a denúncia pode servir para ajudar mais vítimas a enfrentar traumas e a denunciar episódios semelhantes. "Eu acredito na Justiça e que esses crimes não vão ficar impunes. E nós estamos dando o recado de que a gente não vai aceitar. Nós não vamos mais aceitar nenhum tipo de abuso. Nós precisamos começar a falar. Denunciem! Não fiquem caladas. Já chega de silenciar, chegou a hora de falar!", reforça Fernanda.

Assista a reportagem audiovisual completa no Boletim da TV Universo, 05/06:



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