Piloto morto em queda de helicóptero é sepultado em São Gonçalo
Alessandro Rocha foi lembrado pela família e amigos como um homem dedicado aos filhos, à esposa e à profissão

O piloto Alessandro Rocha, 51 anos, uma das quatro vítimas da queda de um helicóptero na região da Vista Chinesa, no Rio de Janeiro, foi sepultado no Cemitério Municipal de São Gonçalo na tarde desta segunda-feira (10). Durante a despedida, familiares e amigos destacaram a personalidade do piloto, a relação próxima com os filhos e a trajetória até a realização do sonho de trabalhar na aviação.
Alessandro morreu no último sábado (8), quando o helicóptero que pilotava caiu em uma área de mata de difícil acesso no Alto da Boa Vista. Ele deixou três filhos: Sven Rocha dos Santos, de 23 anos, Maria Antônia, de 2, e Benício José, de apenas 5 meses. Na quinta-feira (6), dois dias antes do acidente, Alessandro e o filho mais velho anteciparam a comemoração do Dia dos Pais com um churrasco em família.
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Durante o sepultamento, o filho mais velho fez um discurso em homenagem ao pai e falou sobre a relação de amor que Alessandro mantinha com a família e os amigos. Em seguida, cantou hinos evangélicos acompanhado pelos presentes. A despedida terminou ao som de aplausos de familiares e amigos em homenagem ao piloto. O filho também gravou um vídeo com as pessoas presentes, registrando o momento em que todos deram adeus ao pai.

Amigo próximo da família, André Severino relembrou a convivência com Alessandro e destacou a forma como o piloto era visto por quem estava ao seu redor.
“Ele era uma pessoa muito boa, humilde, verdadeiro. Uma pessoa sem defeito. Só tem qualidades… Ele não era uma pessoa triste. E ninguém ficava triste ao lado dele.”, afirmou.
André contou que Alessandro morou por um tempo, em Mangaratiba, e que, nesse período, os dois desenvolveram uma relação semelhante à de irmãos. Ele também destacou a proximidade do piloto com a família e o carinho que tinha pelos filhos e pela esposa.
“Um estava ali para o outro. Um vivia pelo outro”, disse.

A relação de Alessandro com os mais jovens da família também foi lembrada durante a despedida. Maria Vitória contou que considerava o piloto como um tio e recordou momentos que passaram juntos, incluindo viagens de avião e passeios em cachoeiras.
“Eu conheci ele como uma pessoa muito especial para mim. Eu considerava ele como meu tio, uma pessoa incrível que ele era. Agora ele me deixa muita saudade”, afirmou.
Amiga da família, Marilene Claro destacou a trajetória de Alessandro até conquistar o sonho de trabalhar como piloto. Segundo ela, a família teve papel importante para que Alessandro pudesse superar as dificuldades e investir na formação profissional.
“Um menino de família pobre, a mãe merendeira. A mãe e a irmã batalharam para que ele pudesse sonhar e ter o sonho de ser piloto”, contou.

Marilene afirmou que Alessandro precisou enfrentar dificuldades para realizar a formação, incluindo os custos do curso e do aprendizado de inglês. Segundo ela, após se consolidar na aviação, Alessandro também fundou a própria escola.
Para a amiga, a trajetória profissional de Alessandro representa um legado para os filhos e para a família.
“Hoje aqui morre um pai de família, um filho, mas também alguém que é de São Gonçalo, que batalhou, que superou desafios e realizou o sonho de ser piloto”, afirmou.
Além da carreira, Marilene ressaltou o perfil familiar de Alessandro. Segundo ela, o piloto era próximo dos filhos, dos sobrinhos e dos demais parentes, além de manter uma relação de solidariedade com pessoas próximas.
“Ele amava os filhos, os sobrinhos e era a tradução de alegria. Onde ele chegasse era uma alegria contagiante”, disse.
Colega de profissão, Ramsés Freitas relembrou a convivência com Alessandro e destacou características que, segundo ele, marcavam a personalidade do piloto.

“Extremamente esforçado, um ser humano muito querido, muito curioso, uma pessoa amável, que chegava a contagiar”, afirmou.
Ramsés contou que os dois voaram juntos diversas vezes e ressaltou a generosidade de Alessandro em compartilhar seus conhecimentos.
“Ele me passou tudo o que podia me passar, muito generoso, e vai fazer muita falta”, disse.
Para Ramsés, a ausência de Alessandro será sentida não apenas pela família, mas também por pessoas ligadas à aviação.
“Eu acredito que vai fazer muita, mas muita falta para as famílias e também para a aviação, porque ele era muito querido no mundo”, afirmou.

Além do piloto, três turistas colombianas da mesma família morreram no acidente. A aeronave pegou fogo após a queda e as quatro vítimas não resistiram.
As circunstâncias do acidente ainda são investigadas pelas autoridades.