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'Mãos que Cuidam': oficina transforma maternidade em poesia e afeto em projeto socioesportivo

Conheça o projeto que acontece no Craque do Amanhã, na unidade Neves, em São Gonçalo

relogio min de leitura | Escrito por Redação | 08 de maio de 2026 - 15:14
A oficina de literatura e poesia “Mãos que Cuidam” nasceu como um desdobramento da oficina de crochê e hoje estimula a criação poética por meio de leituras
A oficina de literatura e poesia “Mãos que Cuidam” nasceu como um desdobramento da oficina de crochê e hoje estimula a criação poética por meio de leituras -

O Dia das Mães no projeto socioesportivo Craque do Amanhã ganha, na unidade Neves, um significado ainda mais profundo: o do acolhimento, da escuta e da redescoberta de si. Entre cafés compartilhados, rodas de conversa, crochê e poesia, mães e responsáveis encontram um espaço para respirar, criar vínculos e transformar vivências em palavras.

A oficina de literatura e poesia “Mãos que Cuidam” nasceu como um desdobramento da oficina de crochê e hoje estimula a criação poética por meio de leituras, estudos dos elementos básicos da escrita e análise de textos produzidos semanalmente pelas participantes. Além do desenvolvimento da escrita e da criatividade, as mulheres encontram ali um espaço seguro para falar de sentimentos, dores, memórias e sonhos.

À frente da atividade está a coordenadora pedagógica Brenda Moura, professora de português e literatura, que utiliza a escrita como ferramenta de pertencimento e identidade. "Ajudo na revisão e escrita das poesias, trago outras autoras negras e textos de autoria feminina, que também falam da vivência de mulheres negras, de periferia, como Conceição Evaristo, Carolina Maria de Jesus e Lélia Gonzalez", explica.

Imagem ilustrativa da imagem 'Mãos que Cuidam': oficina transforma maternidade em poesia e afeto em projeto socioesportivo

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Foi nesse ambiente de acolhimento que a moradora de Neves, Lídia Carvalho, de 47 anos, reencontrou uma antiga paixão. Mãe de Daniel Victor, de 18 anos, João Miguel, de 10, e Alef, de 8 anos, todos participantes do projeto, ela começou a frequentar a oficina após o Carnaval e, desde então, já escreveu mais de 30 poesias.

Segundo a psicóloga Juliana Teixeira, a oficina foi criada justamente para oferecer às mulheres um momento de cuidado consigo mesmas. "A gente inicia com um café da manhã, um momento de integração e troca. Conversamos sobre a semana, sobre sentimentos, sobre aquilo que elas deixaram para trás ao longo da vida por conta das responsabilidades", conta.

Imagem ilustrativa da imagem 'Mãos que Cuidam': oficina transforma maternidade em poesia e afeto em projeto socioesportivo

Foi em uma dessas conversas que Lídia revelou que gostava de escrever poesia, mas havia abandonado esse hábito com o passar dos anos. "Ali mesmo, durante a oficina, todas começaram a incentivá-la a voltar a escrever. Foi muito bonito perceber esse apoio coletivo", relembra Juliana.

A partir desse reencontro com a escrita, Lídia passou a transformar sua história, suas dores e sua maternidade em versos. Mãe atípica e marcada por diferentes experiências ao longo da vida, ela encontrou na poesia uma forma de elaborar sentimentos profundos e ressignificar a própria trajetória. "Estou me descobrindo como pessoa, como alguém que pensa e escreve. Através da poesia eu me encontro, revivo emoções e percebo que tudo aquilo que coloco no papel faz sentido”, afirma. “A maternidade me trouxe sensibilidade. Consigo enxergar o invisível, captar emoções que antes eu não conseguia expressar", explica.

Inspirada especialmente pelo filho Alef, Lídia também escreve sobre os desafios da maternidade atípica e dá voz às vivências de outras mulheres. "É a voz das mães atípicas, das dores, dos medos e das frustrações. Mas também é uma escrita cheia de amor", conta. Para ela, a oficina representou um verdadeiro recomeço. "Foi libertador. Eu me encontrei, me achei e me libertei. Quero convidar outras mães a viverem isso também, a encontrarem um espaço onde possam se expressar sem medo."

Para o coordenador geral do projeto, Felipe Espose, incluir as famílias no cotidiano das atividades é fundamental para fortalecer vínculos e ampliar o impacto social do Craque do Amanhã. "Quando acolhemos as famílias, fortalecemos também as crianças e adolescentes. O projeto entende que cuidar dos responsáveis é parte essencial do desenvolvimento dos nossos alunos. Essas oficinas criam pertencimento, escuta e transformação."

O Craque do Amanhã

 Executado desde 2012, o projeto utiliza o futebol como ferramenta de inclusão e transformação social, trabalhando o esporte concomitante com ações educacionais, culturais e socioassistenciais, beneficiando mensalmente cerca de 5 mil pessoas e conta com cinco unidades: Arsenal e Neves, em São Gonçalo; Saracuruna, Barra Mansa e Santa Izabel, em São Paulo. O projeto tem como padrinhos a atriz Juliana Paes e os jogadores de futebol Éverton Ribeiro, Paulo Henrique Ganso, Rayan, Ibson e Vagner Love.

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