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Entenda o que está acontecendo na França: protestos reúnem estudantes e trabalhadores

Manifestações reúnem estudantes, sindicatos e agricultores em meio à alta dos combustíveis, à crise no ensino e à insatisfação com o governo de Emmanuel Macron

relogio min de leitura | Redação
A mobilização ganhou força no último sábado (17), quando cerca de 500 mil pessoas participaram de aproximadamente 110 manifestações em diferentes regiões do país
A mobilização ganhou força no último sábado (17), quando cerca de 500 mil pessoas participaram de aproximadamente 110 manifestações em diferentes regiões do país -

A França enfrenta uma onda de manifestações que reúne estudantes, sindicatos, agricultores e outros grupos sociais. Os protestos, iniciados há algumas semanas, têm motivações distintas, mas convergem na insatisfação com as condições de ensino, o aumento do custo de vida e a alta dos combustíveis, agravada pela guerra no Oriente Médio.

A mobilização ganhou força no último sábado (17), quando cerca de 500 mil pessoas participaram de aproximadamente 110 manifestações em diferentes regiões do país. Foi a maior concentração de manifestantes desde o início dos atos, cerca de um mês antes. A França possui a segunda maior economia da União Europeia.

Após a adoção de um toque de recolher no último domingo (18), os episódios de violência começaram a diminuir. Enquanto isso, representantes políticos divergem sobre a responsabilidade pela crise de segurança e pelas dificuldades de conter os distúrbios.

Durante os protestos, aproximadamente 1.500 estabelecimentos foram danificados, e símbolos nacionais também se tornaram alvos de atos de vandalismo. Cerca de 2 mil pessoas foram detidas.

Um incêndio destruiu grande parte da prefeitura de Limoges, no centro da França. Em Marselha, indivíduos mascarados invadiram um prédio público e derrubaram um busto de Marianne, figura que simboliza a República Francesa.


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Estudantes protestam contra condições de ensino

Os estudantes do ensino médio estão entre os principais participantes das manifestações. Eles reivindicam melhorias na infraestrutura das escolas, redução da superlotação nas salas de aula, revisão da carga horária e contratação de professores e funcionários. A insuficiência de recursos destinados às instituições de ensino também está entre as reclamações.

Outra pauta envolve os mecanismos de seleção para o ensino superior. Parte dos estudantes considera injustos os critérios utilizados para o ingresso nas universidades e defende mudanças nas plataformas e nos procedimentos adotados pelo Estado.

Em meio à mobilização, algumas escolas foram bloqueadas, enquanto cerca de 24 instituições teriam sido incendiadas ou danificadas. Desde setembro, milhares de pessoas foram presas, e mais de mil policiais, estudantes e funcionários de escolas ficaram feridos.

A atuação das forças de segurança também se tornou motivo de revolta entre os manifestantes. As respostas policiais aos protestos estão sob investigação em cerca de 34 casos de possível conduta violenta.

Entre os episódios relatados estão o de um adolescente de 15 anos que perdeu a mão esquerda e o de um menino de 14 anos que sofreu ferimentos graves após ser atingido por uma granada de gás lacrimogêneo supostamente disparada de maneira imprudente.

Os casos intensificaram as críticas à atuação policial e ampliaram a pressão por esclarecimentos sobre o uso da força durante as manifestações.

Sindicatos e agricultores ampliam mobilização

A onda de protestos também passou a reunir sindicatos e outros movimentos sociais, que organizaram atos de maior dimensão em solidariedade aos estudantes e para reivindicar mudanças em outras áreas.

O aumento do custo de vida e dos preços dos combustíveis está entre os principais fatores de mobilização desses grupos. Agricultores também aderiram aos atos, pressionados pela elevação dos custos de produção e pela dificuldade de manter suas atividades.

Integrantes e simpatizantes do movimento dos Coletes Amarelos, que ganhou projeção na França em 2018 com protestos contra o aumento dos combustíveis e outras medidas econômicas, também voltaram a se mobilizar.

Partidos de esquerda aproveitaram o cenário para intensificar as críticas ao presidente Emmanuel Macron, cujo mandato se aproxima do fim. 

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