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Milei recusa convite para integrar o BRICS; ‘’Zero surpresa’’ reage Brasília

O presidente argentino havia se comprometido em campanha a negar a entrada no bloco

relogio min de leitura | Escrito por Redação | 29 de dezembro de 2023 - 13:52
Javier Milei, presidente da Argentina
Javier Milei, presidente da Argentina -

Em uma carta direcionada ao Brasil, o presidente argentino, Javier Milei, manifestou a decisão de rejeitar a participação de seu país no Brics (grupo de países emergentes). No conteúdo do documento, ao qual a GloboNews teve acesso, Milei afirmou que não considera "oportuna" a adesão ao bloco composto por países emergentes, no qual já figuram Brasil, Rússia, Índia, China e África do Sul.

Em agosto deste ano, a Argentina e outros cinco países foram convidados a ingressar no Brics. Caso aceitasse o convite, a formalização da adesão da Argentina ocorreria a partir de 1º de janeiro de 2024. A carta chegou a Brasília em 22 de dezembro e foi enviada também aos líderes dos outros membros do Brics.

Carta resposta enviada ao governo brasileiro
Carta resposta enviada ao governo brasileiro |  Foto: Reprodução

Fontes do governo brasileiro, ouvidas pela GloboNews, afirmaram que a posição de Buenos Aires não causou surpresa em Brasília. Em novembro, a ministra das Relações Exteriores da Argentina, Diana Mondino, já havia indicado que o país não pretendia aderir ao bloco.


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Em agosto, quando ainda era candidato à presidência da Argentina, Milei expressou sua oposição à entrada do país no Brics, justificando que o "alinhamento geopolítico" da Argentina é com os Estados Unidos e Israel, e que não pretendiam se alinhar com ''os comunistas''.

Durante a última cúpula do Brics, em agosto de 2023, os membros do grupo decidiram expandir o bloco, um tema que já estava em discussão. O grupo formalizou o convite a seis países para se tornarem novos membros, conforme anunciou o presidente sul-africano Cyril Ramaphosa: Argentina, Egito, Irã, Etiópia, Arábia Saudita e Emirados Árabes Unidos.

A recusa de Milei ocorre em um momento em que o presidente argentino enfrenta desafios para aprovar dois pacotes de reformas anunciados recentemente. Esses pacotes, o Decreto de Necessidade e Urgência e a "Lei Ómnibus", totalizam mais de mil artigos, incluindo medidas como a dispensa de mais de 5 mil funcionários públicos e a ampliação dos poderes presidenciais ao declarar estado de emergência em várias áreas do país.

Entretanto, Milei enfrenta resistência no Legislativo, onde seu partido é minoritário, contando apenas com 37 dos 257 deputados e sete dos 72 senadores. Ele tem buscado pressionar aliados e chegou a ameaçar realizar uma consulta pública para tentar aprovar os decretos.

Segundo a imprensa argentina, a carta recusando a integração ao Brics é interpretada como uma estratégia de Milei para focalizar na crise interna.

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