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Projeto Orla discute futuro de Charitas com foco em turismo, esporte e preservação

A programação incluiu visita técnica à praia, dividida em quatro setores para análise detalhada de desafios e oportunidades

relogio min de leitura | Escrito por Redação | 28 de março de 2026 - 15:09
A proposta ganha relevância diante da construção de um bicicletário ao lado da estação aquaviária
A proposta ganha relevância diante da construção de um bicicletário ao lado da estação aquaviária -

O ordenamento da orla, aliado à exploração turística e esportiva das potencialidades de Charitas, marcou o tom das oficinas do Projeto Orla realizadas na praia. Durante dois dias, técnicos, moradores, síndicos, esportistas e comerciantes elaboraram um diagnóstico dos principais problemas e apresentaram propostas para valorizar a beleza cênica da região, com participação conjunta da sociedade civil e dos governos municipal, estadual e federal, este último responsável pelo programa.

A programação incluiu visita técnica à praia, dividida em quatro setores para análise detalhada de desafios e oportunidades. Representantes da Secretaria do Patrimônio da União (SPU) e do INEA acompanharam integralmente as atividades. Charitas havia sido excluída do Projeto Orla devido a uma ação judicial envolvendo os 20 quiosques instalados na faixa de areia, sob gestão da SPU. Após mobilização de síndicos da região, o prefeito Rodrigo Neves articulou, junto ao Ministério da Gestão e da Inovação em Serviços Públicos, a reinclusão da praia no programa.


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A participação da sociedade civil superou a de outras oficinas que discutiram simultaneamente todas as praias de Niterói. Charitas tem problemas que exigem ajustes, mas também apresenta grande potencial e uma beleza cênica extraordinária, destacou Ricardo Haponiuk, especialista em gerenciamento costeiro e coordenador das oficinas. Durante o percurso pela orla, os grupos observaram a situação dos quiosques, muitos transformados em guarderias para os 15 clubes que consolidaram Charitas como um dos principais polos de canoagem do país. Representantes do setor defenderam a criação de uma guarderia coletiva, nos moldes de cidades como Vitória. Também foi sugerida a substituição gradual das amendoeiras por espécies nativas da Mata Atlântica.

O chamado “gramadão de Charitas” recebeu atenção especial. O espaço concentra atividades como parapente, aeromodelismo, futebol, canoagem, piqueniques e contemplação do pôr do sol, mas apresenta sinais de degradação, com erosão, mato alto e iluminação precária. Foram propostas ações para conter o avanço do mar e revitalizar a área, bastante frequentada por moradores e turistas. Da garagem subterrânea até o catamarã, não encontrei sequer uma lixeira para descartar uma garrafa de água, criticou Haponiuk.

Outro problema recorrente foi identificado no trecho próximo ao Preventório, onde cavalos circulam livremente a poucos metros da Avenida Sílvio Picanço. Já nas imediações da estação aquaviária, técnicos da SPU registraram a desorganização causada pela presença de canoas, caiaques e embarcações de pesca, algumas abandonadas há anos.

O presidente da Associação dos Clubes de Niterói, Fernando Tinoco, defendeu a preservação do Aeroclube de Charitas, com mais de 80 anos, atualmente ameaçado por um projeto imobiliário. Representantes da União dos Síndicos reforçaram a posição. Também foi sugerida a reformulação da ciclovia da orla, considerada insegura por ter sido construída no sentido contrário ao fluxo adequado, levando ciclistas a utilizarem a calçada. A proposta ganha relevância diante da construção de um bicicletário ao lado da estação aquaviária.

A ausência de representantes da Secretaria Municipal de Esportes na visita de campo foi apontada como uma lacuna nas discussões. Assessor da Secretaria de Governo, Sérgio Marcolino prometeu levar as reivindicações mais urgentes para o secretário Felipe Peixoto.

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