'Tampinhas que Movem': projeto que recolhe material reciclável para comprar cadeiras de rodas completa um ano
Ong de Maricá conta com a ajuda de voluntários, amigos e comerciantes

Um projeto socioambiental que ao mesmo tempo leva inclusão e mobilidade para pessoas que vivem em vulnerabilidade social. É assim como Fabrícia Ribeiro, 52, define o projeto “Tampinhas que Movem”, uma organização não governamental (Ong) de Maricá que recolhe tampinhas plásticas e lacres de alumínio e, através da venda deste material, compra cadeiras de rodas.
O projeto conta com a ajuda de voluntários, entre amigos, familiares e comerciantes, que reúnem as tampinhas e lacres nos mais de 60 coletores produzidos pela Ong, distribuídos por diversos pontos de Maricá e em outros municípios, como Niterói, onde o projeto tem parceria com o Programa Niterói Inclusivo, iniciativa que se propõe a levar esporte, lazer e cultura para pessoas com deficiência.
A ideia do projeto nasceu após a participação de Fabrícia como voluntária na Ong One by One, que trocava tampinhas por cadeiras de roda. “Aquilo tocou meu coração e eu pensei: porque não levar esse projeto para Maricá?”.
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A Ong, que completa um ano em maio, já entregou cerca de 15 cadeiras para moradores de Itaboraí, São Gonçalo, Maricá e Niterói. Mas a história de Fabrícia com o voluntariado começou há quase 28 anos, quando sua filha recém nascida foi diagnosticada com uma doença rara que a deixou internada por um longo período no Hemorio. Foi no momento de maior dificuldade em sua vida que ela enxergou o valor do voluntariado, recebendo o apoio e carinho de pessoas que até então não conhecia.
No final de 2025, a Ong contava com uma fila de espera de aproximadamente sete pessoas, número que varia bastante pela alta procura. “Acabamos tendo uma lista bem grande de pedidos de cadeiras de rodas ou cadeiras de banho, todo esse material que faz com que as pessoas tenham uma melhor mobilidade. A cada dia aumenta a procura e tentamos ajudar vendendo este material”, comentou.
Para participar da fila de espera é necessário entrar em contato através do perfil do instagram, telefone ou Whatsapp da Ong. “Mas essa fila não demora tanto. Às vezes pessoas se oferecem para serem colaboradores, comprando cadeiras e doando”, disse.

Além de Fabrícia, o projeto conta com a participação da amiga Michelle Coutinho, 49 anos, com a filha Maitê Coutinho, 11 anos. “Eu vi uma postagem da Fabrícia sobre a coleta de tampinhas, me interessei e perguntei para ela como funciona”, comentou Michele.

E veio da jovem Maitê a ideia de produzir o livro “Maitê, a menina das Tampinhas”, sobre o projeto, lançado na Festa Literária Internacional de Maricá (FLIM). “O livro conta como começou, o que juntamos e como trocamos o dinheiro arrecadado com a venda desse material pelas cadeiras, ajudando pessoas que precisam", disse Maitê.
Além disso, o projeto realiza um trabalho de educação socioambiental em escolas, levando o livro escrito por Maitê. “Eu levo para apresentar às crianças, para mostrar que desde pequeno é bom ajudar o planeta".
As pessoas podem apadrinhar o projeto através do contato disponibilizado no Instagram da Ong: @tampinhasquemovem.
