Final feliz: Danillo Félix é absolvido por falta de provas e poderá comemorar seu aniversário com a família

O jovem foi preso sem provas suficientes para incriminá-lo

Enviado Direto da Redação
O jovem vai comemorar seus 25 anos em liberdade

O jovem vai comemorar seus 25 anos em liberdade

Foto: Arquivo pessoal

Por Ana Carolina Moraes*


Terça-feira, dia 29 de setembro de 2020, um dia comum para muitas pessoas, mas, além de ser o dia em que Danillo Félix comemora seus 25 anos, também é a data que marca o fim de um ciclo conturbado e perturbador para a família do jovem que foi preso sem provas ao ser acusado de um roubo. Isso porque, após quase dois meses, Danillo foi absolvido do crime do crime em um audiência que ocorreu na última segunda-feira (28). Agora, ele poderá comemorar seu aniversário fora da prisão, sentindo o tão doce e justo gosto da liberdade. Danillo foi acusado de ter cometido um roubo com o porte de arma de fogo, no entanto, nunca houve provas para condená-lo. Ele estava preso desde o dia 6 de agosto. 


Na audiência em questão, a vítima do roubo pelo qual Danillo foi acusado não o reconheceu como o criminoso que a assaltou. Por falta de provas, ele foi absolvido. 


"Ontem (28), por volta das 18h, ocorreu a audiência. Eu fui a testemunha, assim como outras pessoas que Danillo trabalhou junto. Na audiência, a vítima do crime que Danillo era acusado não o reconheceu como o criminoso que cometeu o roubo, por isso, ele foi absolvido", contou Ana Beatriz Sobral Faria, de 21 anos, a companheira de Danillo. 


Agora, além de comemorar seus 25 anos, Danillo celebra sua inocência e vence mais um caso de injustiça social. "Eu fiquei muito feliz. Hoje vou lá buscá-lo no Presídio Evaristo de Moraes e vamos comemorar o aniversário dele em família", disse Ana Beatriz emocionada. 


No mesmo momento em que ocorria a audiência que inocentou Danillo, um grupo de pessoas protestavam contra a prisão do jovem negro morador de comunidade em um ato cultural e totalmente pacífico. "Juntamos várias pessoas na frente do Fórum no Centro de Niterói para protestar contra a prisão de Danillo. Reunimos artistas e diversas pessoas importantes que se mobilizaram com a causa. Deu tudo certo e todos comemoraram a absolvição de Danillo", contou Ana Beatriz que disse que o protesto tem que continuar pelo caso Jefferson e o caso Carlos Henrique, que também são jovens negros de comunidade que foram presos injustamente e sem provas, como Danillo. 


Danillo é companheiro de Ana Beatriz e os dois são pais de um menino de um ano
Danillo é companheiro de Ana Beatriz e os dois são pais de um menino de um ano | Foto: Arquivo pessoal


Relembre o caso de Danillo 


Danillo Félix foi preso no dia 6 de agosto, ao ser acusado de ter cometido um roubo com o uso de arma de fogo. O suposto crime teria ocorrido no dia 2 de julho. O caso gerou repercussão na internet, já que Danillo foi preso sem provas. A advogada Cristiane Lemos, de 31 anos, que defendeu Danillo, afirmou inúmeras vezes que os agentes da polícia mostraram fotos antigas do Facebook de Danillo para a vítima incriminá-lo. Na época, ela também disse que o assaltante do roubo em questão não se parecia fisicamente com Danillo.


"Dois dias após a ocorrência, a vítima foi até a delegacia para reconhecer o suspeito do caso através de uma fotografia. Chegando lá, ela reconheceu o criminoso que fez o assalto nas fotos de registro da delegacia, ela reconheceu uma outra pessoa como o assaltante e não Danillo. Mas, depois os agentes pegaram uma foto do Facebook de Danillo de 2017 e mostraram para a vítima, que mudou seu depoimento e afirmou que Danillo era o culpado, sendo que ela já tinha reconhecido outra pessoa nos registros da delegacia. Danillo nunca teve ficha criminal, por isso, os agentes pegaram a foto do Facebook dele para incriminá-lo", disse a advogada do caso com exclusividade para O SÃO GONÇALO. 


"Ele foi acusado de roubo a mão armada, sendo que as característica do assaltante eram as de um rapaz pardo de bigode fino, mas o Danillo é um rapaz negro com dreads", disse a companheira de Danillo, Ana Beatriz, também sobre o tema na época. 


Em outra matéria, o jornal O SÃO GONÇALO relatou como estava sendo difícil para a defesa do jovem conseguir as câmeras de segurança do local do crime. A família de Danillo e a advogada buscavam, com essas imagens, provar que ele não cometeu o crime e que ele nem estava no local no momento do roubo.


"O oficial de Justiça foi no prédio, onde ocorreu o roubo, mas as imagens do prédio, que fica de frente para onde ocorreu o crime, somem após 30 dias e já sumiram. O agente da Justiça foi então até a Prefeitura, pois lá as imagens não somem assim. Mas, ele pediu as imagens erradas, pois o crime ocorreu no dia 2 de julho e o agente pediu as imagens de 2 de junho, o mesmo erro estava em um documento do Ministério Público sobre o caso. Pedimos a correção, mas o erro se repetiu nessa situação das câmeras. Ele pediu depois da fachada do prédio, mas o crime não ocorreu na fachada do prédio e sim na parte de trás do prédio", contou a companheira de Danillo na época. 


A família de Danillo e a advogada do jovem acreditam que o caso foi sim de racismo. "Deve haver o reconhecimento de falha da delegacia, da falta de cuidados nos registros das câmeras e a ideia de um racismo social", disse Cristiane sobre a situação em matérias anteriores.


Confira a história completa de Danillo clicando aqui, aqui e aqui. 


*Estagiária sob supervisão de Marcela Freitas 

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