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Pais buscam justiça pelo assassinato da filha há 13 anos: "é uma revolta diária"

Viviane foi assassinada com um tiro na cabeça em 2007

relogio min de leitura | Redação 21 de agosto de 2020 - 09:03
Viviane tinha 24 anos quando foi assassinada e tinha acabado de se formar na faculdade de psicologia
Viviane tinha 24 anos quando foi assassinada e tinha acabado de se formar na faculdade de psicologia -

"Com a pandemia e os meus problemas de saúde, fico pensando que pode acontecer algo comigo e eu não verei a Justiça sendo feita no caso do assassinato da minha filha. Sei que a minha filha não vai voltar e a dor não vai aliviar. Toda vida importa! E só queremos que o culpado desse crime pague na Justiça e tenha tempo para pensar, numa cela, o que ele fez com a minha filha e com a nossa família". O relato emocionado é de Lúcia Helena de Castro Miranda, de 61 anos, que teve a filha Viviane de Castro Miranda, assassinada em 4 de abril de 2007. Há cerca de 13 anos, Lúcia Helena e seu marido Vanderlei Miranda, de 69 anos, pai de Viviane, vivem na angústia de esperar que a Justiça seja feita e que o culpado pela morte da filha deles seja finalmente preso. Viviane foi supostamente assassinada por um ex-namorado. 

O crime aconteceu em 2007. Na época, Viviane tinha 24 anos e estava trabalhando há poucos meses como psicóloga voluntária na Matriz Sagrados Corações, na Vila Pereira Carneiro, no bairro Ponta d’Areia, em Niterói. A jovem teve seus sonhos interrompidos ao ser assassinada com um tiro na cabeça na sacristia do local. Segundo informações, ninguém ouviu nenhum barulho de tiro no local e, por isso, todos se assustaram quando acharam o corpo de Viviane. O principal suspeito do crime é o ex-namorado da jovem Felipe Motta Pereira Natal, que hoje está com 34/35 anos, e não teria aceitado bem o término do namoro deles. Felipe chegou a ser preso por 55 dias pelo crime, mas, logo depois, foi liberado e hoje segue aguardando o processo em liberdade. 

"Ela tinha acabado de se formar na faculdade, estava super feliz. No dia em que ela foi assassinada, eu senti algo no meu coração e pedi para ela não ir trabalhar, mas ela era muito boa e disse que alguém precisava dela naquele dia e que ela iria. Eu percebi que algo estava errado quando ela não me ligou ao chegar no local. Eu estava na psicóloga, mas senti algo no meu peito e sabia que algo de ruim tinha acontecido com a minha filha. Ela era filha única, sempre expliquei tudo do certo e errado para ela. Ela foi executada. Hoje, ela e nós (pais) pagamos uma pena, a gente não pode se ver, se encontrar, ela não tem o direito de me ver no Dia das Mães, mas o culpado pelo crime continua solto. Minha filha paga por algo, mas o assassino está impune andando livremente", disse a mãe de Viviane, Lúcia Helena, que vive a base de calmantes até os dias de hoje, esperando por respostas do crime.

O pai de Viviane relembrou que o sofrimento é constante desde o dia em que o ligaram para falar que a sua filha estava morta. "No telefone, o pessoal da igreja que conhecia ela falou para irmos até o local, mas não explicaram nada. Ao chegar lá, soubemos o que aconteceu e ficamos completamente sem chão. Eu fiquei desesperado quando vi o corpo dela. Dá muita raiva! Na verdade, é uma revolta diária, pois ainda não temos respostas. É algo que nos corrói!", disse o pai de Viviane, o senhor Vanderlei emocionado.

A mãe de Viviane conta que ainda mantém o quarto da filha totalmente arrumado, com o cheiro dela e reza, no local, todos os dias para encontrarem o culpado do crime. "Minha filha era muito boa, queria sempre ajudar os outros. Quando ela morreu, sei que Deus fez o cenário perfeito para ela e o melhor para ela naquele momento, talvez se ela tivesse sobrevivido poderia estar sofrendo. Ela morreu às 17h, no pôr do sol e no local que ela mais gostava, tento achar a minha paz nisso, ao saber que ela está com Deus e que vamos nos reencontrar um dia", disse a mãe de Viviane que vive em luto até hoje.

Na última matéria feita pelo jornal O SÃO GONÇALO sobre o caso, em 2017, a polícia estava buscando localizar o laptop de Viviane para ver os arquivos dela e determinar se realmente tinha algo que incriminasse o seu ex-namorado no caso. Segundo o advogado dos pais de Viviane, José Alzimé de Araújo Cunha, de 72 anos, o laptop não foi achado pela polícia.   

"Após diversos mandados de busca e apreensão, a Corregedoria da Polícia não conseguiu localizar o laptop da vítima. Mas há outros indícios de materialidade contra ele no crime, além disso, nas alegações finais já foi levantada a hipótese de que Felipe poderia ter cometido um crime culposo (sem intenção), mas, mesmo assim, a defesa dele continua afirmando que não foi ele quem assassinou Viviane. Semana que vem teremos as alegações finais da parte da defesa da família da vítima, após isso, a defesa do réu pode falar sobre e fazer as alegações deles. Em setembro ou outubro, deve haver uma nova sentença de pronúncia para enviar o caso para um possível júri, mas o réu pode recorrer da decisão se assim desejar", explicou o advogado que atua na profissão há 43 anos. 

Em nota, o Tribunal de Justiça do Estado do Rio de Janeiro (TJRJ) informou que, no dia 11 de agosto de 2020, foi determinado que a prova requerida pela defesa, no caso o laptop da vítima, "se extraviou", após anos de tentativa de encontrá-lo, sem sucesso. Com isso, as informações do computador portátil não poderão ser usadas nem a favor e nem contra a defesa, por isso, o pedido para encontrar o laptop e usá-lo como prova foi "indeferido". O TJRJ confirmou que agora o processo se encaminha para as alegações finais e, como explicado anteriormente, para um possível júri. O caso segue em trâmite na 3ª Vara criminal de Niterói. 

Para quem quiser acompanhar o caso, basta seguir a página #JustiçaParaViviane no Facebook, que foi criada pela família da vítima para divulgar o caso e dar mais visibilidade ao ocorrido, chamando a atenção da Justiça para o crime.

Confira a matéria anterior sobre o tema: Pais aguardam, há quase dez anos, por julgamento de namorado que matou psicóloga


*Estagiária sob supervisão de Marcela Freitas  

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