Além do diagnóstico: fisioterapia promove saúde, recuperação e qualidade de vida
Lei aprovada pela Alerj prevê fisioterapeutas com qualificação ou experiência em oncologia em unidades de tratamento do câncer

A recuperação dos movimentos e da autonomia nas atividades cotidianas é um dos benefícios da fisioterapia oncológica para pacientes que enfrentam o câncer. No Dia do Fisioterapeuta, celebrado nesta terça-feira (13), a Assembleia Legislativa do Estado do Rio de Janeiro (Alerj) destaca a importância desses profissionais. A Lei 10.955/2025 determina a presença de fisioterapeutas com qualificação ou experiência comprovada em oncologia nos estabelecimentos que oferecem tratamento contra a doença.
A dimensão do cenário reforça a importância do acompanhamento especializado: segundo o Instituto Nacional de Câncer (INCA), o Brasil deve registrar cerca de 781 mil novos casos de câncer por ano no triênio de 2026 a 2028. Nesse contexto, a fisioterapia oncológica contribui para a reabilitação de pacientes que apresentam limitações decorrentes da doença e dos tratamentos, ajudando na recuperação dos movimentos, na retomada das atividades cotidianas e na qualidade de vida.
Aos 62 anos, Sara Trindade, já curada do câncer, iniciou a fisioterapia após passar por uma cirurgia para retirada das mamas e esvaziamento axilar, procedimento que consiste na remoção de linfonodos da região das axilas. No pós-operatório, ela enfrentava dificuldades para movimentar os braços e elevá-los completamente. Com o acompanhamento fisioterapêutico pelo Sistema Único de Saúde (SUS), recuperou a mobilidade e voltou a realizar suas atividades cotidianas.
“Comecei a fisioterapia depois da cirurgia e, aos poucos, fui recuperando os movimentos. Hoje, consigo realizar minhas tarefas normalmente. Esse acompanhamento foi fundamental para a minha recuperação e mostrou o quanto essa profissão é importante para devolver autonomia aos pacientes. Para quem está enfrentando o câncer, deixo uma mensagem de esperança: não desista! É possível superar essa etapa e voltar a ter uma vida normal”, afirma Sara.
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Pós-graduada em Fisioterapia Oncológica, Simone Alves, explica que o acompanhamento busca reduzir limitações físicas provocadas pela doença, por cirurgias e pelos efeitos do tratamento, contribuindo para a independência dos pacientes. “Nosso objetivo é fazer com que esses pacientes sejam mais funcionais e tenham a maior independência possível nas atividades cotidianas”, destaca a profissional.
Segundo Simone, os efeitos colaterais da quimioterapia, como náuseas, retenção de líquidos, constipação e neuropatia, podem afetar a rotina e dificultar a realização das sessões. Por isso, o acompanhamento deve considerar as condições de cada pessoa e respeitar as limitações apresentadas ao longo do tratamento. “Cada paciente tem uma história, passou por um tipo de câncer e foi submetido a um tratamento ou cirurgia diferente. A gente avalia como ele foi afetado para entender o que precisa ser trabalhado e como podemos ajudar na recuperação”, explica.
A fisioterapeuta também chama atenção para as limitações de movimento que podem surgir após procedimentos cirúrgicos. Em pacientes submetidas à cirurgia de câncer de mama, por exemplo, os movimentos dos braços podem ser comprometidos, exigindo acompanhamento específico para recuperar a funcionalidade.
Além da reabilitação física, Simone ressalta a importância do vínculo com o paciente. “Quando a gente conversa, escuta e faz as perguntas necessárias, o paciente passa a confiar no profissional. Esse acolhimento é muito importante para que ele se sinta seguro e tenha vontade de continuar a fisioterapia”, afirma.