Algas cultivadas no litoral do Rio podem virar bioplásticos e materiais para fertilizantes
Startup desenvolve tecnologia para transformar macroalgas marinhas em materiais sustentáveis para a indústria e fortalecer a cadeia da biotecnologia no estado

Transformar algas cultivadas no litoral do Rio de Janeiro em bioplásticos biodegradáveis e materiais para o setor de fertilizantes é a proposta da Grisea Biotecnologia, startup apoiada pela Fundação de Amparo à Pesquisa no Estado do Rio de Janeiro (FAPERJ). que desenvolve tecnologia para aproveitar macroalgas marinhas como matéria-prima na fabricação de produtos para diferentes aplicações. A iniciativa aposta na integração entre ciência, inovação e aquicultura para criar uma nova cadeia produtiva no estado.
O projeto utiliza a alga Kappaphycus alvarezii, cultivada no litoral sul fluminense, e busca desenvolver processos de produção escalonáveis, capazes de levar os materiais da pesquisa para o mercado. A proposta também pretende agregar valor à produção dos aquicultores e estimular o crescimento da biotecnologia marinha no Rio de Janeiro.
A Grisea mantém parceria com a UFRJ para pesquisas e desenvolvimento de seus materiais, atualmente em colaboração com a Escola de Química. A startup também trabalha com produtores e empresas para desenvolver e testar aplicações de suas tecnologias.
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“A proposta é transformar uma matéria-prima produzida no próprio litoral fluminense em soluções tecnológicas de maior valor agregado, aproximando a aquicultura da indústria de biotecnologia e criando novas oportunidades para os produtores de algas do estado”, explica a equipe da Grisea.

Alternativas para diferentes setores
Os bioplásticos são materiais produzidos a partir de fontes renováveis e podem apresentar características biodegradáveis. Atualmente, diferentes matérias-primas são utilizadas nesse mercado, como mandioca, cana-de-açúcar e milho. A Grisea aposta nas macroalgas como uma alternativa que amplia as possibilidades de produção de materiais sustentáveis sem depender exclusivamente de recursos agrícolas.
As macroalgas também apresentam características que favorecem seu cultivo em ambientes costeiros. A produção em fazendas marinhas utiliza áreas próprias para aquicultura e pode contribuir para o desenvolvimento econômico de comunidades ligadas à atividade.
A startup desenvolve bioplásticos destinados a aplicações como embalagens e outros produtos que hoje utilizam materiais derivados do petróleo. Também pesquisa materiais à base de algas para o recobrimento de fertilizantes, com foco no controle da liberação de nutrientes.

Da pesquisa à produção industrial
Entre as etapas do trabalho estão o aprimoramento do processamento da matéria-prima e o desenvolvimento de formulações para diferentes aplicações. A Grisea já desenvolveu pellets para a produção de bioplásticos e conduz pesquisas com filmes flexíveis e recobrimentos para fertilizantes.
Também são realizados testes bioquímicos, físico-químicos e mecânicos dos materiais, além de estudos para controle de qualidade e escalonamento da produção. A intenção é adaptar cada tecnologia às exigências de sua aplicação e avançar em sua validação junto à indústria.
“Nosso objetivo é desenvolver processos escalonáveis, com qualidade e características técnicas que permitam levar essas soluções ao mercado, transformando pesquisa científica em produtos para a indústria”, destaca a equipe responsável pelo projeto.
Com a iniciativa, a Grisea busca aproximar universidade, produtores de algas e empresas, criando oportunidades para o desenvolvimento de novos produtos e para a geração de valor dentro da própria cadeia produtiva fluminense.
Além de contribuir para a busca de alternativas ao plástico convencional e de materiais para o setor de fertilizantes, o projeto pretende fortalecer o setor de aquicultura de algas e ampliar a participação do Rio de Janeiro no desenvolvimento de tecnologias ligadas à biotecnologia marinha e à economia sustentável.