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Mais de 10 mil crianças são internadas por acidentes todos os meses no Brasil

Levantamento baseado no DataSUS mostra que quedas e queimaduras concentram 63% dos casos; Roberto Rangel explica como os riscos mudam conforme a idade

relogio min de leitura | Redação
Os acidentes mais frequentes mudam conforme a idade
Os acidentes mais frequentes mudam conforme a idade -

Uma média de 10,7 mil crianças e adolescentes de até 14 anos foi internada todos os meses no Brasil, em 2025, em decorrência de acidentes. Quedas e queimaduras responderam por quase dois em cada três casos analisados, segundo o Relatório Criança Segura 2026, elaborado pela Aldeias Infantis SOS com dados oficiais do DataSUS.

O levantamento contabilizou 128.466 hospitalizações, 5,4% a mais do que em 2024. As quedas lideraram pelo décimo ano consecutivo, com 55.814 casos, ou 43,4% do total. As queimaduras representaram outros 19,6%. De acordo com a organização, mais de 90% dos acidentes podem ser evitados.

“Os números não devem servir para culpar as famílias, mas para ampliar a informação e o cuidado. A criança precisa brincar e explorar, mas os adultos e o poder público devem antecipar os riscos de cada fase do desenvolvimento”, afirma Roberto Rangel, médico de Família e Comunidade e presidente da RioSaúde.

Os acidentes mais frequentes mudam conforme a idade. No recorte de mortalidade do relatório, referente a 2024, 75% das mortes por sufocação ocorreram entre bebês. Nessa fase, objetos pequenos, alimentos inadequados e itens soltos no local onde a criança dorme exigem atenção. Também há risco de quedas de camas, sofás e trocadores.

Entre 1 e 4 anos, a criança já consegue correr, subir em móveis e abrir armários, mas ainda não reconhece os perigos. Segundo os dados divulgados pelo relatório, essa faixa etária concentrou 71,6% das internações por afogamento e 37,7% dos casos de intoxicação em 2025. Escadas, janelas, líquidos quentes, medicamentos, produtos de limpeza, piscinas e até baldes com água estão entre os principais riscos.


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A partir dos 5 anos, os acidentes de trânsito ganham importância com o aumento da autonomia. Crianças de 5 a 9 anos responderam por 32,3% das internações relacionadas ao trânsito. Entre 10 e 14 anos, a proporção chegou a 50,4%.

A prevenção começa pela adaptação do ambiente. Bebês não devem permanecer sozinhos sobre móveis. Janelas e sacadas precisam de redes de proteção, e escadas devem ter portões. Na cozinha, a Sociedade Brasileira de Pediatria recomenda usar as bocas de trás do fogão, manter os cabos das panelas voltados para dentro e deixar líquidos quentes longe das bordas.

Medicamentos e produtos de limpeza devem permanecer em armários altos e trancados, sempre nas embalagens originais. Próximo à água, a supervisão precisa ser contínua. Nos deslocamentos, cadeirinhas, cintos de segurança e capacetes devem ser utilizados de acordo com a idade e a atividade.

“Prevenir acidentes infantis também é uma responsabilidade da saúde pública. Orientar as famílias, preparar os espaços e identificar os riscos antes que eles se transformem em emergências significa reduzir internações, sequelas e mortes evitáveis”, conclui Rangel.

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