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Autor de chacina em cinema nos anos 90 deixa vendedores assustados ao frequentar estabelecimento comercial

Condenado inicialmente a 120 anos de prisão por entrar com uma submetralhadora numa sala de cinema

relogio min de leitura | Redação 10 de julho de 2026 - 11:15
O ex-estudante de Medicina Mateus da Costa Meira, hoje com 51 anos
O ex-estudante de Medicina Mateus da Costa Meira, hoje com 51 anos -

Solto há dois anos, o ex-estudante de Medicina Mateus da Costa Meira, hoje com 51 anos, passou a frequentar o Shopping Barra, um dos mais conhecidos de Salvador. Condenado inicialmente a 120 anos de prisão por entrar com uma submetralhadora numa sala de cinema do Morumbi Shopping, em São Paulo, matando três pessoas e ferindo outras nove, o atirador foi solto no ano de 2024 pela Justiça da Bahia. Atualmente, ele é visto com frequência no centro comercial, onde circula por cafés, livrarias e até assiste a filmes em salas de cinema idênticas àquela em que cometeu o crime.

A presença de Mateus começou a preocupar frequentadores, que passaram a fotografá-lo, compartilhando as imagens em grupos de WhatsApp. Mateus mora sozinho a poucos quarteirões do local. A liberdade de Mateus é apenas mais um capítulo de uma novela jurídica iniciada em 1999, quando ele cometeu o crime durante uma sessão do filme “Clube da luta”. Na época, a defesa tentou provar que ele tinha um transtorno mental grave que o impedia de compreender a gravidade de seus atos, sendo assim ele não poderia responder criminalmente pelo massacre. A tese, entretanto, não emplacou.

A Justiça Paulista instaurou um incidente de insanidade mental e nomeou uma junta formada por psiquiatras e psicólogos. Após meses de entrevistas, testes psicológicos e avaliações psiquiátricas, os médicos foram unânimes em dizer que apesar de apresentar uma série de transtornos mentais, incluindo psicopatia, ele tinha plena capacidade de compreender o caráter ilícito de seus atos e de agir de acordo com esse entendimento.


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Mateus então foi levado ao Tribunal do Júri em 2003, sendo considerado plenamente responsável pelo massacre, condenado e enviado para cumprir pena em Tremembé. Para ficar perto dos pais, Matheus pediu transferência de Tremembé para a Penitenciária Lemos Brito, em Salvador, em 2004. Preso em regime fechado, ele tentou matar seu colega de sala, com golpes de tesoura na cabeça, o que o levou a novos testes de insanidade mental. A reviravolta veio no julgamento, o Ministério Público da Bahia aderiu à tese, acusação e defesa sustentaram juntas que Mateus era inimputável, os jurados concordaram e o juiz o absolveu e determinou sua internação por tempo indeterminado no Hospital de Custódia e Tratamento Psiquiátrico da Bahia.

Logo depois, familiares e os advogados passaram a pedir sua desinternação e defender que ele poderia continuar o tratamento fora da instituição, mas Matheus em nenhum momento demonstrou arrependimento genuíno pelo massacre e nem empatia pelas vítimas.

Em 2024, Mateus foi definitivamente para casa, ficando acordado que os pais se encarregariam de manter o tratamento psiquiátrico do paciente, principalmente administrando os remédios que o mantêm controlado. Mas de acordo com a coluna de UIlisses Campbell do Jornal O GLOBO, Mateus mora sozinho em uma quitinete em Salvador. Apesar de ter dado parecer favorável à transferência de Mateus da penitenciária para o Hospital de Custódia e Tratamento, o Ministério Público da Bahia foi contra a soltura e recorreu a instâncias superiores para manter Mateus privado de liberdade.

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