Paciente denuncia demora da Unimed para exame e segue internado há 26 dias em Niterói
Leonardo Fanelli Laurentino, de 45 anos, relata angústia enquanto aguarda autorização para procedimento médico no Hospital Icaraí, em Niterói

O inspetor técnico Leonardo Fanelli Laurentino, de 45 anos, vive dias de angústia em um leito hospitalar. Internado há 26 dias, ele denuncia demora na autorização de um procedimento médico pela Unimed Curitiba e afirma enfrentar uma rotina de incertezas, agravada pela distância da família e pela falta de respostas sobre o tratamento. O paciente segue internado no Hospital Icaraí, no Centro de Niterói.
A saga do paciente começou no dia 23 de abril, quando ele foi diagnosticado com icterícia provocada por Hepatite A. Desde então, tenta realizar exames para investigar melhor o atual estado de saúde, mas sem sucesso.
Leia também:
Governo cria política de combate ao abuso de crianças e adolescentes
Filha de diplomatas morre após ser atropelada na zona sul do Rio
“Dia 23 de abril eu estava ictérico, com um quadro de icterícia. Então, fui ao Serviço de Pronto Atendimento da Unimed, em frente ao Mauá, em São Gonçalo, para buscar atendimento médico. [...] Fui atendido em uma consulta de urgência e a médica confirmou que eu estava ictérico”, disse o paciente.

A icterícia é um sintoma comum em diferentes doenças e pode ser identificada quando a pele, os olhos e as mucosas ficam amarelados. Outros sintomas incluem coceira, febre, calafrios e cansaço excessivo. O problema de saúde pode estar relacionado a diversos quadros, como anemia, doenças hepáticas e cirrose, entre outros.
Em razão da gravidade das doenças associadas à icterícia, é necessário realizar uma série de exames para fechar um diagnóstico correto e iniciar o tratamento adequado. Por isso, Leonardo iniciou uma luta para conseguir realizar os exames necessários, mas, desde então, não conseguiu sequer agendar o procedimento.
“Então, foi necessário fazer uma investigação para saber o que me levou a esse quadro de icterícia. Naquele momento, ela (a médica) pediu uma sorologia, viu minha bilirrubina alta e disse que eu precisava ser internado para realizar essa investigação. Sendo assim, comuniquei minha família e fui transferido de ambulância para o Hospital de Clínica Alameda, dando entrada no mesmo dia, 23 de abril. Fui imediatamente medicado [...] e permaneci sendo medicado por 12 dias, fazendo acompanhamento diário por meio de sorologia”, contou Leonardo.
De acordo com o paciente, o descaso e a demora na realização dos exames necessários para investigar as causas da icterícia começaram já no segundo dia de internação.
"No segundo dia em que estava internado (24 de abril), fiz os exames de imagem, incluindo a colangiorressonância [...] e, paralelamente, foi solicitada a sorologia. Pois bem, ambos os exames foram feitos no dia 24, mas os resultados só saíram seis ou sete dias depois. Fiz os exames no dia 24 de abril, mas o laudo da colangiorressonância só saiu em 1º de maio. Eu perdi uma semana inteira sem respostas [...] e a sorologia só saiu no dia 2 de maio, quando testou positivo para Hepatite A”, relatou o paciente, que sofre com icterícia em decorrência da doença.
Entretanto, o laudo do exame de imagem indicou que o paciente possui microcálculos no canal pós-vesícula, de 3 a 4 milímetros, além de sugerir avaliação complementar com sorologia e a realização de uma Colangiopancreatografia Retrógrada Endoscópica (CPRE). O procedimento é um exame endoscópico que utiliza endoscopia e raios X para investigar e tratar problemas nos canais ligados ao fígado e ao pâncreas.
A partir desse momento, a busca pelo tratamento se tornou ainda mais difícil. Leonardo foi transferido pela segunda vez de unidade médica da Unimed e, desde então, aguarda a realização do procedimento.
“Eu não sei se por cautela médica ou por ética médica me transferiram para cá (Hospital Icaraí). Só que estou aqui desde o dia 5 de maio. Passei o Dia das Mães, meu aniversário aqui e, pelo andar da carruagem, só sairei daqui em dezembro, no Natal”, disse o paciente, que afirma não apresentar mais quadro de icterícia.
Hospital X Unimed
Sem aguentar mais a falta de respostas sobre o exame, Leonardo acredita que o hospital poderia pressionar o plano de saúde para agilizar o processo.
“O hospital não tem senso de urgência. Já que a unidade está gerindo a minha situação, qual seria a atitude correta, ética, ao meu ver? O hospital pressionar a operadora. Mas não, eles deixam na mão da operadora”, desabafou.
Leonardo afirma que não recebeu suporte da unidade.
“Não me liberam daqui. Além disso, a equipe de cirurgia não veio ao meu quarto para me explicar nada, nem me dar a opção de fazer o exame de forma eletiva. Estão me forçando a fazer de forma urgente, e eu fico aqui. [...] Procurei a assistente social, e ela sequer veio ao meu quarto ou me deu qualquer retorno. Então, eu estou abandonado aqui”, contou o paciente, que afirmou já ter feito inúmeras reclamações no SAC, na Ouvidoria da Unimed e até registrado um boletim de ocorrência na Polícia Civil.
O paciente também afirmou que não aguenta mais esperar e que tentou negociar com o hospital para realizar o exame de forma eletiva, mas a alternativa não teria sido permitida. Segundo ele, a unidade informou que seria necessário assinar um documento declarando que deixaria o hospital à revelia.
“Eu conversei, pedi para ir para casa e esperar para fazer de forma eletiva, mas o hospital quer que eu assine um documento à revelia. Se eu assinar, vou perder o efeito de tudo o que passei”, contou Leonardo.
Longe da família há 26 dias
A vida pessoal do paciente também vem sendo diretamente afetada. A preocupação com os filhos e a esposa aumenta a cada dia, além do temor pelo longo período afastado do trabalho.
“Eu tenho um filho autista, uma bebê de 1 ano e quatro meses, e minha esposa é professora e trabalha em Nova Iguaçu. Duas vezes por semana, quando ela trabalha lá, eu a levo e busco. Agora, esse trajeto está sendo feito por transporte público. E quem vai cuidar do meu filho autista e da minha filha bebê? Estou deixando os dois com um casal de idosos”, relatou.
Muito emocionado e com saudades da família, o paciente afirmou que muitas pessoas dependem dele.
“Por trás do CPF do Leonardo, existem vidas que dependem do Leonardo, da assistência do Leonardo e da presença do Leonardo no lar”, desabafou.
Outra questão que preocupa o paciente é o longo período afastado do trabalho.
Pouco antes do encerramento da entrevista de Leonardo à equipe do OSG, o paciente foi informado pela equipe médica da unidade de que o quadro de saúde havia se agravado e que o procedimento precisava ser realizado. Entretanto, o exame segue sem data prevista.
Procurados pela reportagem, o Hospital Icaraí e a Unimed Rio não se pronunciaram até o fechamento desta matéria.O espaço segue aberto para manifestações.