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Tatuagem de borboleta vira alvo de críticas em meio a discursos do movimento red pill

Em alguns desses conteúdos, a tatuagem de borboleta passou a ser associada a estereótipos e até tratada como um “sinal de alerta”

relogio min de leitura | Escrito por Nayra Silva | 08 de abril de 2026 - 14:00
O desenho, que sempre foi associado à liberdade e transformação, passou a ser usado em conteúdos na internet como forma de julgar mulheres
O desenho, que sempre foi associado à liberdade e transformação, passou a ser usado em conteúdos na internet como forma de julgar mulheres -

Um vídeo que viralizou nas redes sociais colocou a tatuagem de borboleta no centro de uma nova polêmica. O desenho, que sempre foi associado à liberdade e transformação, passou a ser usado em conteúdos na internet como forma de julgar mulheres. Em resposta, muita gente começou a ressignificar o símbolo, transformando a tatuagem também em uma forma de posicionamento.

A discussão ganhou força após a circulação de publicações ligadas ao chamado movimento “red pill”, que tem crescido nas redes sociais. O termo, inspirado no filme Matrix, foi apropriado por grupos online que defendem a ideia de que os homens precisam “acordar” para uma suposta realidade sobre relacionamentos e o papel das mulheres na sociedade. Em alguns desses conteúdos, a tatuagem de borboleta passou a ser associada a estereótipos e até tratada como um “sinal de alerta”, o que gerou reação imediata de mulheres que decidiram reafirmar o significado original do desenho.

Como resposta à polêmica, um estúdio de tatuagem em São Paulo promoveu uma ação que incentivou mulheres a tatuarem borboletas. A iniciativa viralizou e reuniu dezenas de participantes, sendo chamada de “vacinação simbólica” contra esse tipo de discurso.


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 Na região, o assunto também já chegou aos estúdios. No Studio 4Art Tattoo, localizado no Shopping Itaboraí Plaza, os tatuadores Fábio Pacífico, conhecido como Mandrak, de 41 anos, e Gilson Ribeiro, conhecido como Gilson Dreadlock, de 44, donos do espaço, afirmam que a tatuagem não define quem a pessoa é.

Os tatuadores Mandrak, de 41 anos, e Gilson Dreadlock, de 44, donos do espaço
Os tatuadores Mandrak, de 41 anos, e Gilson Dreadlock, de 44, donos do espaço |  Foto: Layla Mussi

“A tatuagem não muda o caráter de ninguém. É uma arte. Nunca teve esse estereótipo de um desenho definir alguém. Isso é algo novo e, na minha visão, é uma moda passageira”, diz Gilson Dreadlock.

Mandrak também reforça que o significado está em quem faz a tatuagem, e não em quem observa. “A tatuagem não define ninguém. Isso está mais na cabeça de quem julga do que no desenho em si. Tem gente procurando fazer borboleta por causa dessa discussão, mas isso não muda quem a pessoa é”, afirma.

Mandrak também reforça que o significado está em quem faz a tatuagem, e não em quem observa
Mandrak também reforça que o significado está em quem faz a tatuagem, e não em quem observa |  Foto: Layla Mussi

Os profissionais destacam ainda que o debate pode até influenciar a procura. “O desenho tem significado para quem faz, não pra quem vê. Quem tenta definir alguém por uma tatuagem está criando uma ideia que não existe”, completa Mandrak.

Para eles, a discussão acaba desviando a atenção de pautas que consideram mais relevantes. “Tem tantas outras coisas mais importantes. As pessoas poderiam estar dando atenção a temas que realmente fazem diferença, como questões ligadas ao autismo, pessoas com deficiência ou outras causas sociais”, avalia.

Para eles, a discussão acaba desviando a atenção de pautas que consideram mais relevantes
Para eles, a discussão acaba desviando a atenção de pautas que consideram mais relevantes |  Foto: Layla Mussi

Para os tatuadores, o caso revela mais sobre o comportamento nas redes do que sobre a tatuagem em si. “Isso acaba sendo uma discussão que não faz sentido e não deveria definir ninguém”, conclui Mandrak.

Sob supervisão de Marcela Freitas 

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