Marchinhas de Carnaval atravessam gerações e despertam memórias em São Gonçalo
Canções que marcaram época seguem vivas na lembrança dos gonçalenses e embalaram histórias de infância, família e folia pelas ruas da cidade

Entre confetes, serpentinas e muita nostalgia, as marchinhas de Carnaval seguem embalando gerações e arrastando multidões pelas ruas do Brasil. Símbolos da alegria e da cultura popular, essas canções atravessaram o tempo e continuam vivas na memória dos foliões. Por isso, O SÃO GONÇALO foi às ruas para saber: qual marchinha marcou a sua vida ?
Durante anos, adultos e crianças dividiram o mesmo espaço da folia, cantando sucessos que até hoje seguem vivos na lembrança popular. Títulos como Mamãe Eu Quero, A Pipa do Vovô Não Sobe Mais e Allah-La-Ô embalaram não apenas os dias de Carnaval, mas também momentos marcantes da infância e juventude de muitos gonçalenses.
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“Gostava das do Chacrinha, mas quase todas as marchinhas de antigamente eram muito boas. ‘Allah-La-Ô’, as marchinhas de Carnaval do Silvio Santos, do Chacrinha. As marchinhas embalavam o Carnaval, dava para dançar, pular Carnaval legal, em casa, na rua, antigamente tinha muito bloco de rua”, contou a modelista Cecília Medeiros, de 62 anos.

Esse período em que as marchinhas davam o tom de alegria ao Carnaval é lembrado como o momento mais feliz da infância de muitos gonçalenses, que, apesar dos anos, ainda cantam e se divertem com as canções.
“Olha, o que eu lembro tem aquela ‘Mamãe Eu Quero’, tinha outra que falava ‘Rema, Rema, Remador’, também tinha ‘A Pipa do Vovô Não Sobe Mais’, que eu me lembro mais. Antigamente, os bailes de Carnaval eram em clubes ou naquele coreto da praça para o qual a mãe levava. Então, as marchinhas de que me lembro mais são ‘Mamãe Eu Quero’, ‘Rema Remador’ e ‘A Pipa do Vovô Não Sobe Mais’; tinha algumas mais do Chacrinha. Foi a parte melhor da minha infância esse período das marchinhas de Carnaval com a banda ao vivo tocando”, disse o aposentado Vilmar Santos, de 63 anos.

Para muitos, o som das marchinhas é capaz de transportar diretamente para um Carnaval mais simples, mas cheio de significado, onde a música era o principal convite para dançar, cantar e celebrar.
“Nos tempos antigos, do meu avô, da minha avó, era ‘Allah-La-Ô’, a Colombina, mas coisas assim. No tempo antigo, era um tempo bonito de você passar por essa fase, foi uma fase muito linda. [...] A gente jovem vendo os pierrôs bonitos, a gente ia para a pracinha. [...] Hoje eu não brinco Carnaval, mas é uma coisa que ficou marcante na nossa vida dos tempos antigos. [...] Mas a mais bonita era assim: ‘O pierrô apaixonado só vivia [...] cantando por causa de uma colombina’. Essas músicas eram lindas, eu não me lembro bem, mas essa música também, ‘Allah-La-Ô’, essas músicas são bonitas”, disse a vendedora Rose da Rocha, de 58 anos.

Principais marchinhas de Carnaval
As marchinhas mais conhecidas resultam de uma série de características como a simplicidade, humor, ritmo acelerado e refrão simples.
Dentre as mais famosas estão:
• Ó Abre Alas
• Allah-La-Ô
• Mamãe Eu Quero
• Me Dá Um Dinheiro Aí
• Cachaça Não É Água
• Cabeleira do Zezé
• A Pipa do Vovô
• Balancê
• Aurora
• Daqui Não Saio
• Cidade Maravilhosa
História das Marchinhas de Carnaval
As canções se originaram no final do século XIX, no Rio de Janeiro, tendo como auge os anos de 1920 a 1960. De acordo com a Sociedade Artística Brasileira (SABRA), a primeira marchinha de Carnaval registrada foi “Ó Abre Alas”, escrita por Chiquinha Gonzaga para alegrar o bloco Rosas de Ouro, em 1899.
Essas músicas foram inspiradas nas marchas de Portugal e, sendo assim, ambas têm características semelhantes, como compasso binário e cadência militar; entretanto, as marchinhas atuais possuem um ritmo mais acelerado.
Sob supervisão de Marcela Freitas